Marcelo Ricardo Almeida
Recomposição e Aprofundamento
Conhecer é uma espécie de encantamento. O encanto não pode terminar à meia-noite e devolver o aluno à condição de não conhecer.
Há óbvias diferenças conceituais nesses modelos pedagógicos, sabe-se, entre a recomposição e o aprofundamento. Enquanto este se propõe a expandir e elevar o nível de complexidade do que se aprende, aquela preenche lacunas de anos letivos passados.
Há uma luz sobre a imagem de cada dia durante uma das estações.
Há exemplos em língua portuguesa. Alunos que apenas reconhecem, identificam e localizam o gênero textual pedem recomposição; os alunos que analisam, inferem, contrastam, criam e justificam um gênero textual vão além da memorização de conteúdos, demonstrando compreender e aplicar conceitos no dia a dia.
Aqueles da área de recomposição – diferentes de quem se encontra na área de aprofundamento – ainda não desenvolveram a capacidade e o pensamento autônomo, nem sabem aplicar conceitos no dia a dia durante a progressão das aprendizagens.
Se o aluno de recomposição não acompanha o aluno de aprofundamento em ato contínuo, tampouco o aluno de aprofundamento espera o aluno de recomposição de maneira paciente, ocorre bloqueio das atividades pedagógicas.
Comportamentos disruptivos e excludentes exigem autorrenovação de quem se propõe a ensinar e de quem se propõe a aprender. A sala de aula é flexível e não inflexível. A sala de aula é um espaço desmontável para ser remontado.
Quando a sala se torna um teatro de figuras comportamentais disruptivas — que atrapalham o trabalho pedagógico, geram oposições, agressões e recusas —, o Sr. Tédio costuma aparecer. Ele fala fora de hora, expressa-se de modo excessivo e, às vezes, tenta fugir das habilidades propostas.
Nessa engrenagem, encontram-se alunos em recomposição — que apenas copiam, reconhecem e identificam — e alunos no aprofundamento, capazes de analisar, inferir, contrastar, criar e justificar o gênero textual.
Nas engrenagens da recomposição, os alunos praticam os movimentos básicos do ano em que estão matriculados, enquanto no aprofundamento há uma luz nas habilidades que os leva a enxergar mais longe. Se o conhecimento faz os alunos enxergarem mais longe por meio do aprofundamento, a recomposição lhes dá a chance de nutrir o que ficou fraco ou o que deveria ter sido aprendido e não foi.
Se a recomposição no período das aulas ajusta a rota e garante aos alunos que a segurança nos conteúdos os acompanhe, o aprofundamento vai mais longe em busca de novas conquistas sem ultrapassar o previsto nos documentos pedagógicos. O que existe na superfície cabe à recomposição; as nuances e os solos complexos cabem ao aprofundamento.
Aprofundamento é o mesmo que expandir a aprendizagem, a complexidade dos conhecimentos do aluno que já domina os conteúdos do ano no qual está matriculado. Aluno aquém dos conhecimentos: cabe recomposição.
Aprofundar é motivar o impulso interno para que o aluno, presente na sala de aula com colegas que carecem de recomposição, não se desmotive, não crie disruptura. A lógica montável e desmontável é desafiar o aluno a conhecer para além do que conhece.
Como motivar cada aluno a aprender o que deveria ter aprendido, porém não aprendeu? Assegurando-lhe o domínio das habilidades previstas para o ano em que se encontra matriculado.
Cada ano escolar estabelece um contrato de adesão. Exige-se de cada aluno o conhecimento das habilidades que são pré-requisitos para o ano em que ele está matriculado. Isso difere do pacto da mediocridade: faz-se de conta que se ensina e faz-se de conta que se aprende.
Se a recomposição habilita o aluno à fluência leitora e à localização de informações no gênero textual, o aprofundamento motiva a criticidade, a inferência em gêneros textuais e a produção textual autônoma.
Uma sala de aula equivale a um mosaico, a uma imagem de pontes e arranha-céus.




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