Quitéria Souza
Em 365 dias de governo, a gestão Eduardo Bulhões chegou aonde o povo mais precisa?
Eduardo Bulhões demonstra capacidade de organização administrativa, mas ele precisa de coragem para enfrentar problemas estruturais.
Eduardo durante recebimento de uma maquina para o município. A gestão do prefeito Eduardo Bulhões completou 365 dias à frente do Executivo municipal. É interessante uma análise serena, e necessária, sobre os rumos do governo do mais jovem representante do clã Bulhões na política local.
No discurso de posse, Eduardo afirmava ter “vontade de fazer mais”. Um ano depois, a pergunta que ecoa nas ruas é direta: essa vontade está, de fato, chegando aonde o povo mais precisa?
Ao observar o desempenho das principais secretarias, o cenário revela avanços pontuais, ajustes administrativos e movimentações políticas relevantes, algumas ainda em fase de teste, outras sob forte expectativa da população.
Na Secretaria de Infraestrutura, houve continuidade nas obras de pavimentação de ruas importantes, o que demonstra manutenção de uma agenda já esperada pela população. A principal mudança, contudo, foi administrativa, saiu Marcelo Mello e assumiu Elielson, então vereador, aliado político do prefeito.
Essa mudança ajudou diretamente Audilene da Saúde, que de suplente, passou a ocupar uma cadeira na Câmara Municipal, enquanto Marcelo Mello assumiu a Secretaria de Agricultura do Estado.
A troca de gestão levanta questionamentos legítimos, como por exemplo: trata-se apenas de um rearranjo político ou de uma estratégia para fortalecer a governabilidade local?
Na Mobilidade Urbana, o primeiro ano foi marcado pela organização da pasta. Algumas decisões começaram a produzir efeitos práticos, como a definição de que multas por imprudência passam a ser de responsabilidade direta do motorista, e não mais da Prefeitura. Destaco aqui a criação de uma comissão para analisar infrações e identificar responsáveis.
Outro ponto que chama atenção é a manutenção dos ônibus escolares, agora realizada em Santana do Ipanema. A promessa é de mais eficiência e segurança. Mas continua sendo uma indagação: a população já sente essa melhora?
Na Educação, o governo apresenta seus resultados mais evidentes. O reajuste de 15% para os professores e o rateio de R$ 12 milhões, incluindo profissionais contratados, algo inédito no município. Essas medidas, ao que parecem, foram bem recebidas pela categoria.
O desafio, no entanto, é transformar ações pontuais em política permanente. A valorização do magistério será uma marca contínua da gestão ou ficará restrita a um momento específico?
Mas é na Saúde que se encontra o maior, mais sensível e mais urgente desafio da administração Eduardo Bulhões. O Hospital de Santana do Ipanema, administrado por uma empresa privada, recebe recursos federais, estaduais e contribuições de mais de 15 municípios da bacia leiteira. Ainda assim, denúncias de descaso com pacientes se acumulam.
Casos de mortes maternas, relatos de atendimento precário e famílias em situação de sofrimento extremo expõem uma realidade que ultrapassa qualquer disputa política. Aqui, a questão é humana. Até quando mulheres grávidas continuarão perdendo a vida? Até quando o sofrimento será tratado como rotina?
Diante desse cenário, é inevitável perguntar o que o prefeito pode e deve fazer? Ampliar a fiscalização? Revisar contratos? Exigir mais transparência? Pressionar institucionalmente? Ou, se necessário, intervir?
Após um ano a frente do Poder Executivo, Eduardo Bulhões demonstra capacidade de organização administrativa. O segundo ano, porém, exigirá coragem para enfrentar problemas estruturais e disposição para tomar decisões difíceis.
Porque o asfalto é importante. Reajustes financeiros também. Mas nada é mais urgente do que salvar vidas.




COMENTÁRIOS