Marcelo Ricardo Almeida
Aula como laboratório de pedagogia
Texto defende Educação Viva e leitura ativa: aluno só aprende de verdade quando domina o conceito e encontra sentido no que estuda
Nas categorias de leituras (técnica, recreativa, dinâmica, com diferentes níveis etc.), a aula, como laboratório da Pedagogia, destaca duas a serem observadas: Decodificadora: o aluno lê ao sentir-se obrigado no fluxo da aula, mas leva a leitura aos empurrões; ele apenas fala palavras, períodos e parágrafos sem compreender a ideia principal, sem observar o texto, sem a imersão necessária para saborear o prato; a leitura é apenas um insosso prato de letrinhas. Na leitura ativa: o aluno lê porque gosta de ler; independente do gênero textual, a leitura vai além do que foi escrito (em textos literários) ou é literal (por compreender o gênero e o traduzir sem superinterpretação).
Pedagogia é prática dialética ininterrupta a quem se propõe a aprender e a quem se propõe a ensinar. Quando o professor conhece o aluno, ele opta por métodos didáticos protoafetivos conscientes. Quando o aluno conhece o professor, aquele descobre caminhos pelos quais caminhar. Com protoafetividade aplicada à Educação Viva se observa na escola, durante o recreio, as brincadeiras de Acetilcolina com a amiga Dopamina: as correrias, os risos de contentamentos e ações afins. A reação a estímulos transforma a aprendizagem.
Observe uma aula como uma atividade no laboratório da Pedagogia. Por meio da protoafetividade, os estímulos remoçam o funcionamento cerebral e renovam a estrutura diante da novidade, do interesse, da curiosidade, do querer saber, de ver o outro buscar o porquê, de mudar a rota, recalcular a trajetória. A reação às motivações escolares desperta outras habilidades, ilumina o caminho.
Cada componente curricular faz uso da leitura em sala de aula, porém o uso é obrigatório e não espontâneo. Há um abismo entre a obrigatoriedade e o que se faz porque é satisfatório. Esse abismo é o que precisa ser superado durante o trajeto do ensinar e do aprender.
Qualquer aprendizagem é filha do hibridismo. Deve-se considerar a melhor escolha de aprender aquela que tem início pelo domínio do conceito. Quando se reconhece o conceito do lápis e/ou da borracha, a aprendizagem vai mais longe: anota-se o que importa, apaga-se o que é inútil.
Sendo a aprendizagem camaleônica, outro meio comum de aprendizagem é a observação. O aluno observa o colega, observa o professor, observa o ambiente escolar. Ele é propício a quê? As escolhas também ocorrem por esse meio de aprender com a convivência sóciocognitiva. Muito frequente é a aprendizagem por associação. As famosas causas e as suas consequências; essas conexões no cotidiano escolar presentes do início ao fim. Dito aprendizagem não dirigida; uma aprendizagem aparentemente espontânea. Há também aprendizagem por busca de acertos: a aprendizagem que surge com o acúmulo de experiências.
Com a Educação Viva, na Pedagogia da Protoafetividade, no campo da Tese: o aluno se “enxerga” um aprendiz isolado; na antítese: o aluno é apresentado ao que lhe parece difícil porque externo à sua realidade; desconhece o conceito do que lhe é apresentado em aula e por isso a sua experiência é com o que é diferente do seu mundo. Na síntese: o aluno, dominando o conceito, foge do que o aliena, e compreende o conteúdo estudado.




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