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  • Santana do Ipanema, 06/05/2026
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Marcelo Ricardo Almeida

Luar do Sertão

processa o objeto poético como criação sugestiva e paradoxal presentes no minimalismo e na verticalidade. “Luar de Sertão” opta por versos breves e breves palavras, como economia de uso em termos simples. A disposição dos versos é uma experiência visual

Foto: Assesoria
Luar do Sertão

A literatura é um mergulho na memória. O papel humanizador da literatura na escola desde os anos iniciais, no ensino fundamental, fortalece a aprendizagem. Como transformar a sala de aula em ambiente para serem edificadas identidades pelo Letramento em Literatura? O prazer da literatura lembra o “Luar de Sertão” presente no Brasil profundo. Como transformar o leitor decodificador em um leitor orgânico pelas veredas do sertão sob a luz do luar?

O FOCO do argumento é que não há um transmissor de conteúdos na escola. A ideia de transmissor de conteúdos substituída por mediadores de humanidades.


PALAVRAS-CHAVE são práxis literária, educação viva, realidade presente na escola modelável, montável e desmontável.

FENOMENOLOGIA DA PERCEPÇÃO nas veredas do conhecimento coletivo. A aprendizagem escolar obedece a uma estrutura cíclica demonstrada nos sertões de acesso à literatura.


O CONTATO PRIMÁRIO se encontra no verbo ver. Ao ver, o sujeito em estado de aprendiz percebe a estética do luar de sertão em seu entorno. Quem vê, lê o que vê e ao ler constrói o alicerce primeiro de seu repertório. A leitura de literatura perde o caráter de decodificação. O ato de ler literatura se estabelece no diálogo, na memória, na cultura, na tradição, no luar de sertão. O contato primário ganha corpo no exercício da autoria ao escrever, que avança ao novo contato com uma aprendizagem orgânica materializada na voz das palavras no papel. E a próxima etapa da aprendizagem, no Letramento em Literatura do Luar de Sertão, é refletir a condição humanizadora presente no gênero textual poesia.

O EPISTEMOLÓGICO E O SOCIOLÓGICO encontram-se no que se reconhece por vler nos verbos ver/viver, ler/lembrar, escrever/estudar, refletir/reescrever.


LUAR DE SERTÃO transita entre introspecção e simbolismo, como a passagem do tempo e a construção de identidade. Luar de Sertão quão a metáfora orgânica e pedagógica do Letramento em Literatura pelas veredas deste ciclo do Ver-Ler-Escrever-Refletir.


O VAGA-LUME como representatividade das mediações nas aprendências, nas ensinências, no que há de efêmero, nos breves e próximos instantes, porém que se preservem as conexões. Aprendizagem mimetiza com o navegante do poema “Luar de Sertão.” Aprendizagem é sempre uma fusão entre “luz” do inseto e luz do satélite. O brilho do vaga-lume e a Lua compartilham a natureza passageira.


A DESCONSTRUÇÃO DO REAL é a construção da linguagem. No poema “Luar de Sertão” há o verso “só mente” que questiona a realidade, porque o brilho que há na Lua é o reflexo do Sol. A desconstrução do real quando este ilude a visão no ínfimo vaga-lume e no infinito céu.


ESTA LINGUAGEM DO VLER processa o objeto poético como criação sugestiva e paradoxal presentes no minimalismo e na verticalidade. “Luar de Sertão” opta por versos breves e breves palavras, como economia de uso em termos simples. A disposição dos versos é uma experiência visual de palavras que navegam nesse espaço.

O JOGO DE OPOSTOS mantém tensão entre “distante” e “tão perto” ou “breve” e “instante” entre o vaga-lume e a Lua ou o sólido com “luar” e o etéreo quando versa “navegante” em desafio à lógica.

SEMÂNTICA NA QUEBRA da palavra “somente” para “só mente” ao desdobrar um advérbio, cuja função é limitação/exclusão, neste verbo “mente” de engano à realidade. “Luar de Sertão” demonstra as armadilhas da linguagem nos versos e na construção linguística.


A METÁFORA equipara a Lua ao vaga-lume. E ambos navegantes exploradores cósmicos. Um mero inseto (vaga-lume) brilha, como se fosse possível competir com a lua. No que se reconhece, em sala de aula, a aplicação do vler na voz ou som de “só mente”, na leitura vertical, na escrita metafórica, na realidade de curta duração por ser comumente desconstruída.

A CONSTRUÇÃO DA EXPERIÊNCIA de aprender, no processo de Letramento de Literatura, o poema – estruturado em versos, rimas e ritmo etc. – materializa este gênero textual poesia. Desde os anos iniciais do ensino fundamental, as escritas e as vozes resultam da matéria chamada realidade, que se submete à linguagem cuja argila é o gênero poesia em variáveis tipos de poemas.


A PEDAGOGIA DA LINGUAGEM se resume nos desafios do ensino de Letramento em Literatura. O sono escolar pode ser acordado pela voz da poesia se aplicado este acrônimo vler na metodologia pedagógica e se descortina a Educação Viva. Viva quando vivenciada na escola poesia desde os anos iniciais, como exercício de pertencimento, porque a poesia afugenta o ensino sistematizado sem vivência.


APLICAÇÃO DO ACRÔNIMO VLER em “Luar de Sertão” – presença de imagens de luar distante, sol na lua, navegante, vaga-lume que brilha, o breve instante. E o acrônimo, que mostrou o ver, mostra o ligar por imagens que se contrastam, e o “distante” se liga com o “tão perto” e o “sol” com a “lua” aproximando o longe e deixa-o próximo, como se faz com a realidade virtual. A próxima letra no acrônimo representa o encantamento e a última letra é o refletir/reescrever/realidade o voo efêmero do vaga-lume na leitura efêmera do poema breve e repleto de contraste. Na aula de Letramento em Literatura, o aluno reconhece a poeticidade presente nos elementos em volta, ele ver; alimenta-se do texto pelo exemplo do professor, ele ler; aluno concretiza ao escrever/reescrever o exercício de liberdade criativa, ele escreve; substitui o senso comum pelo senso crítico e experimenta o senso de pertencimento no ambiente escolar, ele reflete. O círculo do vler completa-se.


GRAMÁTICA E AUTONOMIA CRIATIVA – Gramática Normativa é uma de tantas outras gramáticas, e aquela estabelece regras da escrita. Sendo uma das regras o estudo da análise sintática sobre as funções que termos, palavras exercem na oração para que haja sentido. Autonomia criativa exercitada no campo da poesia com as classes gramaticais por meio do acrônimo vler: a letra V representando as veredas no sertão do Letramento em Literatura – a letra L para ler habilidades nos gêneros textuais – a letra E para escrever com prática os gêneros textuais – e a letra R para refletir/reescrever na transição do senso comum ao senso crítico.


CLASSE GRAMATICAL, presente nos versos, enriquece ou empobrece a rima. O domínio da análise sintática está para a classe gramatical como esta está para tipos de rimas: pobre (mesma classe: trazer [verbo] rima com fazer [verbo]), rica (classes diferentes: beijo [substantivo] rima com vejo [verbo]), rara (terminações únicas: estirpe [substantivo] rima com extirpe [verbo]), preciosa (artificiais: dá-la [verbo e pronome] rima com mandala [substantivo]). São as classes de palavras que sonorizam melhor, promovem dinamismo e valorizam as rimas. Rimar verbo e substantivo enriquece a imagem com a união da ação e do objeto. No exemplo:

 

As causas vêm no obreiro (substantivo)

E consequências depois (advérbio)

O destino é traiçoeiro (adjetivo)

Separa o que era de dois (numeral)

Plante o bem no estaleiro (substantivo)

Pra colher o que Deus pôs (verbo)

 

CLASSES VARIÁVEIS se adaptam à frase. Substantivo nomeia estaleiro, além de sentimentos, seres, objetos; verbo indica a ação pôs, além do fenômeno da natureza ou estado; adjetivo caracteriza traiçoeiro; artigo antecede substantivo o bem; pronome acompanha o nome ou o substitui, como em dá-la; numeral é o que indica fração, ordem ou quantidade, a exemplo de dois, no verso “Separa o que era de dois.”

CLASSES INVARIÁVEIS se mantêm na mesma forma. No exemplo deste poema “Luar de Sertão”, o primeiro é o advérbio; ele indica circunstância ao modificar o verbo, o adjetivo ou outro advérbio. “Somente” (advérbio de exclusão/limitação), “perto” (advérbio de lugar, intensidade com o advérbio “tão”), “tanto” (advérbio de intensidade), “só” (advérbio de exclusão), “breve” (advérbio de tempo, intensificado com o advérbio “tão”), “nesse” (contração de preposição em + pronome esse, funciona no verso como advérbio de lugar/tempo).

 

Essa lua 

somente (advérbio)

num céu 

distante 

tão perto (advérbios)

diz tanto 

 (advérbio) mente 

sol na lua 

tão breve (advérbios)

o instante; 

e se brilha 

vaga-lume 

nesse (advérbio) luar 

navegante?

 

Se a conjunção liga termos semelhantes ou orações – “e se brilha” (conjunção) no verso e “se brilha” (conjunção subordinativa condicional ao introduzir a condição para o brilho do vaga-lume). Preposição une um par de palavras que dá origem a uma única palavra, a exemplo das palavras nos seguintes versos de “Luar de Sertão” – num céu – (em + um), – na – (em + a) em “sol na lua” e – nesse – em “nesse luar” – de – (que indica, no título do poema, posse ou origem). Interjeição aparece como locução interjetiva ou expressa afugentamento, alegria, silêncio, esperança, dor, tristeza, admiração – de forma direta – chamamento, saudação, satisfação, surpresa, advertência e afins associados ao estado de espírito do emissor, como apelo, aflição, medo, terror, dúvida, hesitação concluída por um ponto de exclamação.  

SÍLABAS POÉTICAS são metrificadas que interrompem a contagem na sílaba tônica, com elas se mantêm a sonoridade e o ritmo dos versos. No exemplo:

 

As / cau / sas / vêm / pri / mei / (ro) — 7 sílabas

E / con / se / quên / cias / de / pois — 7 sílabas

O / des / ti / no é / trai / co / ei / (ro) — 7 sílabas (elisão em no+é)

Se / pa / ra o / que / foi / de / dois — 7 sílabas (elisão em ra+o)

Quem / plan / ta o / mal / no / ter / rei / (ro) — 7 sílabas (elisão em ta+o)

Co / lhe a / dor / que / se ex / pôs — 7 sílabas (elisões em lhe+a e se+ex

 

VOGAIS CONTÍGUAS oferecem aos versos, em sua fusão, algum ritmo musical esperado. Ciclo vler, como metodologia pedagógica no Letramento de Literatura, indica não haver um fim definitivo, porque cada reflexão entre o senso comum e o senso crítico gera outra maneira de ler na releitura gerando maturação crítica. E isso transforma o aluno leitor/autor de sua própria realidade no ecossistema escolar. E o aluno constrói o próprio repertório, a própria bagagem para inferir quaisquer gêneros textuais. É o fim da decodificação pura e simples e o começo do diálogo com a memória literária. O papel de expectador do aluno é substituído pelo seu protagonismo. A poesia – poíesis ou ato de criar – oferece ao aluno o senso de humanização. Este é o método que o identifico como “Luar de Sertão.”




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