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  • Santana do Ipanema, 07/02/2026
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Marcelo Ricardo Almeida

Quando o aluno – que adquire o poder de ler – perde o poder de continuar lendo?

Foto: Freepik
Quando o aluno – que adquire o poder de ler – perde o poder de continuar lendo?

Há um tipo de narrativa ficcional que motiva o início do letramento literário, que desperta o interesse em ler literatura. Apresenta o texto literário, desenvolve o interesse a outras narrativas literárias (clássicas ou contemporâneas, locais, nacionais ou estrangeiras), orienta, indica clube de leitura, reuniões, simpósios sobre escrita, concursos literários. E qual é a aula que mais aproxima o aluno da leitura de literatura? Aqui está o exemplo de texto literário para três modalidades de aulas (o nanoconto “Quem era?”):

“Lá fora, a noite impenetrável dominava. Já passava da meia-noite. Na casa, apenas uma criança de dez anos estava acordada.

“Olhou através da janela e viu uma luz distante. Não era uma lanterna comum. Eram olhos. A luz, velozmente, aproximou-se da janela.

“No escuro, os olhos brilhavam como se fossem fogo, fixos nela. Quem era?”

O mundo perde o sentido quando não é texto. No mundo escolar, quem lê e escreve vai mais longe.

Sem o pensamento crítico, a reflexão enfraquece: sob todos os aspectos. A leitura favorece o caminho da criatividade, a compreensão da comunicação. A concentração se fortalece pela leitura, beneficiam-se a memória, o raciocínio. O senso crítico nasce da leitura.

No ensino fundamental, o poder da leitura acontece desde os anos iniciais. A leitura, contudo, surgiu há milênios, na Mesopotâmia. A criança que lê e escreve vai mais longe. Que tipo de aluno o Ensino Fundamental quer formar?

Transcende-se o mundo pela leitura; é por meio dela que a criança, em idade escolar, motiva-se a identificar as placas, as informações em geral; e, assim, ela aprimora circuitos neurais necessários à aprendizagem. E quando o aluno – que adquire o poder de ler – perde o poder de continuar lendo?

Os elementos narrativos da história “Quem era?” (no primeiro exemplo de aula):

ENREDO: A história de uma criança sozinha em casa durante a noite, que vê uma luz misteriosa que se aproxima rapidamente, gerando suspense e a pergunta final sobre a identidade da luz.

PERSONAGENS: Uma criança de dez anos (protagonista, sem nome), a luz e os olhos.

NARRADOR (observador, em terceira pessoa), e a entidade misteriosa ("quem, ou o quê") que se aproxima.

TEMPO: Cronológico e definido ("Já passava da meia-noite", "noite profunda").

ESPAÇO: Um ambiente fechado ("Na casa") e o ambiente externo ("Lá fora"), em um local isolado e escuro.

FOCO NARRATIVO: Terceira pessoa, com um narrador onisciente que sabe o que se passa na mente do personagem ("Inquieto, o jovem espiou...").

Segundo exemplo de aula (educação para especialista):

Análise morfológica da narrativa literária: “Quem era?”

1)  ([QUEM] pronome interrogativo); 2) ([ERA] verbo, ser, pretérito imperfeito do indicativo); 3) ([?] ponto de interrogação); 4. ([Lá] advérbio de lugar); ([fora]advérbio de lugar); 5. ([,] vírgula); 6) ([a] artigo definido); 7) ([noite] substantivo comum); 8) ([trouxe] verbo, trazer, pretérito perfeito do indicativo); 9) ([a] artigo definido); 10) ([completa] adjetivo); 11) ([escuridão] substantivo comum); 12) ([.] ponto final); 13) ([Passava] verbo, passar, pretérito imperfeito do indicativo); 14) ([da] preposição + artigo, de + a); 15) ([meia-noite] substantivo composto); 16) ([.] ponto final); 17) ([Na] preposição + artigo, em + a); 18) ([casa] substantivo comum); 19) ([,] vírgula); 20) ([só] advérbio de intensidade/modo); 21) ([estava] verbo, estar, pretérito imperfeito do indicativo); 22) ([uma] artigo indefinido); 23) ([pessoa] substantivo comum); 24) ([de] preposição); 25) ([dez] numeral cardinal); 26) ([anos] substantivo comum); 27) ([de] preposição); 28) ([idade] substantivo comum); 29) ([.] ponto final); 30) ([Olhou] verbo, olhar, pretérito perfeito do indicativo); 31) ([,] vírgula); 32) ([através] advérbio/locução prepositiva); 33) ([da] preposição + artigo, de + a); 34) ([janela] substantivo comum); 35) ([,] vírgula); 36) ([e] conjunção aditiva); 37) ([viu] verbo, ver, pretérito perfeito do indicativo); 38) ([uma] artigo indefinido); 39) ([luz] substantivo comum); 40) ([distante] adjetivo); 41) ([.] ponto final); 42) ([Eram] verbo, ser, pretérito imperfeito do indicativo); 43) ([olhos] substantivo comum); 44) [.] (ponto final); 45) [A] (artigo definido); 46) [luz] (substantivo comum); 47) ([,] vírgula); 48) ([rapidamente] advérbio de modo); 49) ([,] vírgula); 50) ([se] pronome reflexivo/partícula apassivadora – aqui reflexivo); 51) ([aproximava] verbo, aproximar, pretérito imperfeito do indicativo); 52) ([da] preposição + artigo, de + a); 53) ([janela] substantivo comum); 54) ([.] ponto final); 55) ([No] preposição + artigo, em + o); 56) ([escuro] substantivo comum/adjetivo, dependendo do contexto, aqui substantivo); 57) ([,] vírgula); 58) ([brilhavam] verbo, brilhar, pretérito imperfeito do indicativo); 59) ([os] artigo definido); 60) ([olhos] substantivo comum); 61) ([como] conjunção comparativa/advérbio); 62) ([se] conjunção subordinativa condicional/partícula expletiva, ou de realce, com a função de ênfase); 63) ([fossem] verbo, ser, pretérito imperfeito do subjuntivo); 64) ([fogo] substantivo comum); 65) ([.] ponto final); 66) ([Quem] pronome interrogativo); 67) ([era] verbo, ser, pretérito imperfeito do indicativo); 68) ([?] ponto de interrogação). 

Terceiro exemplo de aula (educação para especialista):

Análise sintática da narrativa literária: “Quem era?”

1) "Lá fora, a noite profunda e silenciosa envolvia tudo em completa escuridão." Lá fora: Adjunto adverbial de lugar (contextualização espacial) – a noite profunda e silenciosa: Sujeito composto/determinado (núcleo: noite) – envolvia: Verbo transitivo direto (ação contínua - pretérito imperfeito) – tudo: Objeto direto – em completa escuridão: Adjunto adverbial de modo/meio. 

2) "Já passava da meia-noite." Já: Adjunto adverbial de tempo – passava: Verbo impessoal (indica tempo decorrido, sujeito inexistente) – da meia-noite: Objeto indireto (ou complemento de tempo).

3) "Na casa, a solidão era absoluta, habitada apenas por uma criança de dez anos." Na casa: Adjunto adverbial de lugar – a solidão: Sujeito simples – era absoluta: Predicado nominal (verbo de ligação + predicativo do sujeito) – habitada apenas por uma criança de dez anos: Oração subordinada adjetiva reduzida de particípio (funciona como adjunto adnominal de solidão ou predicativo do sujeito, reforçando a descrição).

4) "Inquieto, o jovem espiou através da janela, seus olhos fixos em uma luz solitária e distante na escuridão." Inquieto: Predicativo do sujeito (estado do jovem) – o jovem: Sujeito simples – espiou: Verbo transitivo direto – através da janela: Adjunto adverbial de lugar – seus olhos fixos...: Oração subordinada (participial), funcionando como aposto ou descrição complementar (focando nos olhos).

5) "Não era uma lanterna comum." Não: Adjunto adverbial de negação – era: Verbo de ligação – uma lanterna comum: Predicativo do sujeito (núcleo: lanterna).

6) "Eram, inequivocamente, olhos." Eram: Verbo de ligação – inequivocamente: Adjunto adverbial de modo (advérbio) – olhos: Predicativo do sujeito (o foco principal da frase, em ordem inversa).

7) "A luz, de repente, começou a se aproximar com uma velocidade assustadora em direção à janela." A luz: Sujeito simples – de repente: Adjunto adverbial de tempo/modo – começou a se aproximar: Locução verbal (verbo auxiliar + verbo principal reflexivo) – com uma velocidade assustadora: Adjunto adverbial de modo – em direção à janela: Adjunto adverbial de direção/lugar.

8) "No escuro total, os olhos brilhavam intensamente, como se fossem feitos de fogo puro." No escuro total: Adjunto adverbial de lugar – os olhos: Sujeito simples – brilhavam: Verbo intransitivo (aqui utilizado com sentido intenso) – intensamente: Adjunto adverbial de modo/intensidade – como se fossem feitos de fogo puro: Oração subordinada adverbial comparativa (conectivo + oração de predicativo).

9) "Quem, ou o quê, estaria vindo?" Quem, ou o quê: Sujeito composto (pronome interrogativo) – estaria vindo: Locução verbal (futuro do pretérito - indica incerteza). Uso de predicativos: Para focar no estado psicológico (Inquieto, absoluta) e na descrição da luz (solitária, distante). Adjuntos Adverbiais de Lugar: Destacados para criar a ambientação (Lá fora, na casa, na janela). Verbos: Predominância de verbos de ligação no pretérito imperfeito para descrição de cenário (era, eram) alternados com verbos de ação para o clímax (espiou, começou, brilhavam). 

A aula ocorre no diálogo e não por monólogos. É a poesia – a criação – da aula o motivo da existência da educação viva. Nela permanece a questão: Quando o aluno – que adquire o poder de ler – perde o poder de continuar lendo?



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