Marcelo Ricardo Almeida
A febre da gramática e o efeito teflon
Artigo critica a centralidade das regras gramaticais na escola e defende abordagem mais integrada entre Literatura, Linguística e prática textual
Foto: Assesoria A febre da Gramática Normativa na escola, como se sabe, é uma aprendizagem antiaderente que se assemelha ao Teflon. A didática não contribui com a prática em sala de aula, e a ensinência nem sempre alcança os objetivos.
Cada qual com o seu oposto; Homem de Aço tem por oposição o Bizarro, já Sherlock Holmes com o seu oposicionista Professor Moriarty, no ensino da Gramática Normativa é o efeito Teflon que cria resistência à aprendizagem (a dificuldade do aluno em compreender as regras e aplicá-las no dia a dia, e os tropeço didáticos de quem se propõe a ensinar).
Falar em aula sobre Teflon é diferente se disser politetrafluoretileno? É. Mesmo sendo um polímero sintético com o qual se reveste utensílios domésticos para impedir a aderência de alimentos, ou seja, Teflon.
Há uma tríade que sustenta a estrutura e a identidade de qualquer idioma. Mas as aulas de Língua Portuguesa, conhecedoras de que o estudo da Língua tem por áreas de conhecimento a Literatura, a Linguística e a Gramática Normativa, gruda nesta última e exige nas avaliações respostas corretas sobre politetrafluoretileno em vez de pedir ao aluno que escreva sobre Teflon.
Ao invés de o Ensino Fundamental exigir regras gramaticais, quando esse ensino aumenta a temperatura, causa calafrio, inflamações, reações adversas etc. Ter a Literatura como parâmetro de referência como registro da memória cultural por meio das expressões artísticas. Não cobrar em avaliações a identificação da voz passiva analítica, ou as orações subordinadas substantivas: objetiva direta e indireta – ou orações subordinadas: adjetiva, explicativa, restritiva. Exigir que os alunos saibam que o substantivo é a classe gramatical que nomeia sentimentos, ações, qualidades, seres animados ou inanimados, estados, objetos, lugares; e varia em singular e plural (número), aumentativo e diminutivo (grau), no gênero masculino e feminino. Quando a Literatura é mais eficaz e não provoca o efeito politetrafluoretileno.
Aplausos. Abram alas à Gramática. A redentora da Língua. A regrista inveterada. A Rainha dos Estudos Escolares.
Aplausos. Aplausos. Abram alas, abram alas. Alarguem os corredores. Iluminem a escola com vistosos candelabros, velas de sete dias, frases, orações, períodos simples e compostos. Gramática é o princípio e o fim. Não há nada além dela.
Aplausos. Aplausos. Aplausos à nossa pia protetora Gramática. Louvada seja a Mãe Gramática. Força às forças da fundamentação teórica. Desde os anos iniciais, na escola. Os seus maiores defensores são os tritongos crescente e decrescente, os hiatos e os ditongos, as palavras oxítonas, proparoxítonas, paroxítonas.
Aplausos. Aplausos. Aplausos. Aplausos. Vêm atrás com a proteção do cortejo. Os dígrafos nasais vão à frente. Formem frases, formem frases. De nada, forme frase! A ortografia faz a recepção à Gramática. Veja a Ortografia na porta da escola. Veja a roupa, o laço de fita azul, o vento em seu cabelo. Tudo é difícil no edifício da Linguagem. Aplausos à febre Gramática, ao efeito politetrafluoretileno aplausos.




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