Marcelo Ricardo Almeida
Biblioteca como espaço vivo de leitura e de escrita
A escrita criativa transformava a biblioteca em espaço vivo. A escola despertava com a chegada dos professores. A biblioteca, adormecida, sonhava com livros.
A biblioteca – como espaço de leitura e de escrita – é carregada de silêncio e de sentido. Na volta às aulas, acorde a biblioteca à escrita criativa. A poesia faz o poema, e o verso une-se à rima. Poesia é voz do mundo. Sem poesia, o mundo se apequena. O silêncio da biblioteca escolar demonstrava ser uma forma cheia de paciência que atravessa o tempo e transforma o mundo.
Ao sair cedo de casa, o professor levava consigo mais do que livros e anotações: levava a convicção silenciosa da escrita criativa. Como a paciência transformava o ensino na descoberta de que era ela quem devolvia aos livros o seu papel de faróis.
Os títulos brilhavam no escuro. E havia promessas nas gôndolas das estantes. Silêncio. Os livros estão dormindo. Deixe-os dormir o sono de livros. As partes da frase “Os livros estão dormindo. Deixe-os dormir o sono de livros.” seguiam a concordância verbal. O verbo “deixar” no imperativo e o pronome oblíquo “os” se referindo aos livros.
Ao apresentar os títulos aos alunos, o professor sabia que ali estavam guardadas vozes antigas e novas, ideias capazes de atravessar gerações e abrir caminhos onde antes só havia silêncio. Foi assim que os alunos compreenderam o espírito da biblioteca.
Na escola, a biblioteca deixou de ser depósito e se tornou encontro. Cada leitura uma conversa com o mundo, cada escrita uma marca na atividade pedagógica repleta de descobertas.
Ninguém saiu da Casa de Polifemo como entrou. Houve quem descobrisse que a leitura podia ser abrigo, outros entenderam que a escrita era voz.
Os livros acordaram e a biblioteca pulsou: ideias circulavam, perguntas surgiam, e histórias se entrelaçam na tessitura das páginas. Os livros de literatura nacional e estrangeira perderam a condição de objetos e se transmudaram em caminhos a serem caminhados, porque “o caminho se faz ao caminhar” – os alunos leram no poeta espanhol Antonio Machado.
O papel de quem lê e escreve vai mais longe. O professor, que usava o quadro em outra aula de escrita criativa, observava em silêncio, certo de que mudanças verdadeiras não fazem alarde. Acreditava que quem lê amplia horizontes, quem escreve organiza o pensamento, e que a educação é um movimento contínuo, feito de pequenos gestos diários fazendo o caminho por caminhantes.
E a partir das aulas de escrita criativa, na biblioteca, surgiam mais do que leitores: cidadãos capazes de compreender o passado, interpretar o presente e imaginar futuros.
A biblioteca acordou. Estava viva. Ela tornou-se prova de que as aulas de escrita criativa tornavam a escola um mundo mais consciente e mais humano.
Com o princípio da aprendizagem escolar colaborativa havia a integração entre os sujeitos. O professor de escrita criativa motivava o hábito da leitura de literatura com parcerias. Levava as suas aulas a motivarem círculos de leituras com obras literárias. Surgiam o Clube de Leitura de Literatura e jornais escolares.
Na fabulação, a estética inserida permite levar leitores de literatura mais longe. Na arquitetura escolar, o espaço da biblioteca não é apenas mais um setor pedagógico; nela, todos estabelecem parcerias com a leitura e a aprendizagem pela literatura. Fabulação, quão paráfrase freireana, como caminho fundante do efeito humanizatório.
Mostrar à escola a importância do trabalho pedagógico interdisciplinar por meio da literatura. A construção do saber, com base na interdisciplinaridade, ajuda o sujeito de maneira ampla a entender a realidade e a própria cultura. Só há escola havendo leitura, sem leitura não há de se falar em escola.




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