Fábio Campos
CÁ, COM MEUS BOTÕES...
Entre a chuva de fevereiro, a rua da infância e as palavras que insistem em permanecer
O céu azul, borrado de nuvensplúmbeas, mescladas a outras, fofas e brancas, pronunciava chuva. E ela veio.Torrencial, inquieta, querendo entrar pela janela. Fazer-me companhia, enquantoescrevo. Num instante a bica se encheu, engrossou. Pra onde será, que foram ospardais, os saguis, as borboletas? Buscaram abrigo. A energia elétrica se foi,o vento implacável na fiação deixou-nos a meia luz. A luz do dia se foi,escuridão. O trovão roncou lá longe, lembranças e o cheiro da infância chegaramcom força. “Queria tomar banho de chuva.”: Disse Aika, minha neta. Belodomingo, de fevereiro, de tão aguardada chuva.
Ontem, sábado marquei um encontro com umamigo, na rua da minha infância. Praça da Bandeira, também chamada Praça daAssunção, em alusão a capelinha de Nossa Senhora da Assunção, ali erguida navirada do século 19 para o 20. O atraso do amigo, quem sabe providencial,levou-me de volta ao passado. A casa que morei, e da vizinhança vieram, comoantes na minha memória. O consultório odontológico de doutor Adelson Isaac deMiranda; a casa de Seu Dota, senhor Leopoldo Oliveira, pai de Maurício, Leopoldoe Iolanda, hoje uma clinica médica, especializada em emagrecimento; a casa dedoutor Aderval Tenório, dona Déa, professora de inglês, os pais deAdervalzinho, Irineu, Lucidea, Ida e Dalva; a casa de dona Glorinha e do “véioZé” apelido do caminhoneiro e vereador José Francisco Carvalho, os pais de Joãode Deus, Gilvan, Gervásio, Juarez, Gilson, Junior “China”, Carmélia e Lucinha.
Em seguida, vinha nossa casa, quemeu transformara o cômodo da frente em mercearia, ali residiam meu pai, JoãoSoares Campos, minha mãe Dineusa Bezerra Campos, Selma, Simone, Sérgio, e eu.Francisco e Fernando Soares Campos, já haviam saído de casa, pra vida. Emseguida, a casa do meu padrinho Jonas Augusto, e dona Floraci Cavalcante, paisde Mário Jorge, Marcos Davi, Márcio, Milton, Fátima, Gorete, Maria Araci, AnaMaria, Maria de Lourdes, Maria Inês, Andreia, Marcelo, Madson e Marlon Santos. [espero que minha memória não me tenhatraído, e esquecido alguém]. Depois vinha, a casa de dona Maria Laranjeira,dona Maria Ourives, que morava com seu filho Alberto, mais conhecido peloapelido: “Benga”; ela exímia escultora em madeira, e ele grande desenhista;havia ainda Léa e mais duas filhas que moravam em Recife, lembro apenas o nomede uma: Tânia. Em seguida a banca de revista de dona Zilda, e na esquina oHotel Santanense de dona Beatriz.
Só quarenta dias se passaramdesse ano. E quão intensas emoções, já vivenciamos em tão exíguo espaço detempo. A paróquia de Senhora Sant’Ana, viveu, por estes dias, uma novena, pelojubileu dos seus 190 anos de existência, e em preparação para a ereção canônicade paróquia para santuário. O decreto expedido pelo bispo Dom Manuel foi lidoantes da missa solene deste domingo, após procissão pelas ruas da cidade. Osfiéis, paroquianos e visitantes que viveram, testemunharam esse momentohistórico.
A nossa academia santanense deletras ciências e artes, está de luto, nos despedimos no último dia do mês dejaneiro do ano em curso, de uma dos mais ilustres acadêmicos. Partiu para aeternidade, o escritor, Djalma de Melo Carvalho [19/09/38 – 31/01/26]. Torna-seimortal, na sua obra, deixando grande legado, de escritor. Colega, amigo detodos, de honradez ilibada. Faço minhas, palavras do confrade Antônio “Capiá”de Farias, em sua crônica intitulada: “Djalma Carvalho, um exemplo; [...]obrigado por tudo meu professor.”.
Sempre que chove, o outro diaamanhece com cara de novo. A terra molhada, agradecida pelo dom da fertilidade.O pipilar dos pássaros anunciando o alvorecer, as plantas parecem maisvistosas, até o asfalto molhado se torna mais negro, as cores rejuvenescem, osol adquire mais brilho e vigor; as andorinhas, chamadas também de lavadeirassorriem lavando e secando o manto azul de Nossa Senhora. Esperamos que essaalma lavada do sertão, com essas chuvas desacelere o motor desse ano, quemormente se iniciou, igual locomotiva louca. “Maria Fumaça”, sangrando asserras e as terras desse velho odeon.
“Odeon: do grego; Odeum Latim[Odeão; Português] Teatro relativamente pequeno da Grécia e de Roma antigas;onde músicos e oradores se apresentavam e competiam. Fonte Google.com.br”
Na rua da minha infância, há umponto comercial, um supermercado que visito com freqüência. Nele, há doisfuncionários, assim como eu, que se chamam Fabio. Um deles sempre que me vê, mecumprimenta assim: “Fala xará!” Curiosidade aguçada.
De onde vem o termo “xará”? “Apalavra “Xará” usada para se referir a uma pessoa que tem o mesmo nome daoutra, veio do tupi, língua indígena que influenciou bastante o portuguêsfalado no Brasil. Para o filólogo [aquele que estuda a linguagem] AntônioGeraldo da Cunha, o termo deriva de xa’ra, que vem de “xe rera” que significa:“meu nome”.
Você sabia que alguns nomespróprios podem ter origem desde Roma Antiga? De acordo com uma postagem naenciclopédia mundial de computadores, são esses os nomes cuja origem podem serde Roma antiga: Silva: significa floresta ou selva; Martins: vem do deusmitológico Marte; Cesar: vem do clã romano: “caesaris”; Paulo: vem de “Paulus”significa “pequeno”, “jovem”.
Uma coisa sempre puxa outra. Amanhecicom a música “Cachito Mio” de Lisac’Ono [1958], que lembro na voz do cantornorteamericano Nat “King” Cole. “Cachito, cachito mio/ Pedazo de cielo queDios me Dio.” Cachito em espanhol,significa: “pequenino, pedacinho.”
Interessante foi descobrir, agoramesmo, que “Pepe e Paco”. Apelidos tão comuns de personagens nos filmes de Bang-Bang,nos Faroestes mexicanos, que assistíamos na telona do cine Alvorada nas décadasde 60 e 70. A origem, são respectivamente: José e Francisco, isso porque SãoJosé era denominado “Pai putativo”, suposto pai, de Jesus, que se abreviava:P.P. que virou “Pepe”; e Francisco ficou conhecido por “Pater Comunitatis” [paida comunidade] abreviado: Pa.co. ou “Paco”. Na verdade, não são propriamenteapelidos, mas hipocorísticos: palavras carinhosas.
UM POUCO DE HUMOR PRA ENCERRAR
APELIDOS PRACOLOCAR NO SEU AMIGO
INTESTINO: OuTá PRESO, ou Fazendo MERDA
CONFEITEIRO:Nunca Larga a FARINHA
REAL MADRI: SeTiver Dinheiro COMPRA CRACK
PETER PAN: SERecusa a CRESCER
MELANCIA: SEMENTE Demais.
PREÇO DAGASOLINA
UM FOLIÃOCOMENTA:
-NESSE CARNAVALNEM VAI SER PRECISO A FRASE “SE BEBER NÃO DIRIJA”
-POR QUÊ?
-PELO PREÇO DAGASOLINA, OU A GENTE BEBE, OU DIRIGE!
FELIZ CARNAVAL!





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