Fábio Campos
E o cabra vai endoidar, é?
Foto: PixabayCá estávamos, a plena manhã de sábado, aguardando que a brisa suave que soprava do leste trouxessem-nos inspiração, para compormos mais uma crônica. De repente, pego o aparelho de telefonia móvel, acesso o aplicativo watshapp e abro uma mensagem do amigo e confrade, Remi Bastos. Nela um vídeo, mostra um senhor na cozinha, está preparando algo pra comer, instintivamente ele bate com o garfo na borda da frigideira, e virando-se pra porta pergunta: “-Quem é?”
Daí, lembrei de um jargão amplamente utilizado nas redes sociais; “E o cabra vai endoidar é?” Será que realmente estamos todos ficando loucos? Pronto. Pano pra manga já temos. A loucura, já foi tema de tantos escritores, inclusive do maior nome, na literatura santanense: Breno Aciolly com sua obra: “João Urso”, que já rodou o mundo.
Sobre ele, o site oficial do estado de Alagoas, entre outras coisas diz: “Breno Accioly recria cenários, argumentos e tipos da sua infância, em Santana do Ipanema, como os loucos da cidade, as procissões traições, revelando uma tristeza sinistra em suas narrativas.”
Revirando as páginas amareladas do meu passado, da minha infância e adolescência. Recordo-me com carinho, de alguns doidos que vivam em situação de rua, aqui em Santana do Ipanema. Justino, apelidado de “Barba Azul”, a barba grande era sua característica mais marcante. Taciturno, olhar de poucos amigos. Metia medo nas crianças, que o evitava. Vivia num casebre, na estrada que dá acesso ao riacho do Bode. Sulino Preto, era negro retinto, de branco, só as bolas dos olhos. Sobre este diziam que virava lobisomem. Propício, natural de Ouro Branco, vivia perambulando pelas cidades circunvizinhas, ficava bravo se o apelidassem de “Peru baixeiro”. Natalício Têi-Têi, falava com entusiasmo, gesticulando muito. E o “têi-têi” era porque ao final de cada fala, imitava o som do disparo de uma arma de fogo.
Tinha “Zé Doidinho”, que vivia nas cozinhas, das famílias mais influentes. Lembro dele, passando uma temporada, na casa de dona Cristina, sogra do saudoso professor Sílvio Bulhões. Cinco Minutos, era todo avoroçado, não parava um segundo, o apelido era porque repetia a frase sempre que alguém lhe punha a fazer um favor: “É em cinco minutos!”, repetia. Django das Biatas, esse era excêntrico, imitava nas vestes maltrapilhas, o herói dos filmes de faroeste. E não podia ver um “biata”, “bituca” ou “guimba” [resto de cigarro] que apanhava pra fumar.
De onde será que vem o termo DOIDO? De acordo com o site: ‘dicio-dicionario.on.line
A origem é controversa e não há uma explicação definitiva. Alguns estudiosos sugerem que pode ter derivado do inglês “dodo” que por sua vez, pode ter vindo do português arcaico “doudo”. Outra hipótese sugere que a palavra “doido” tem origem na palavra latina “dolere” que significa sofre ou estar em dor. O termo é frequentemente usado para descrever alguém que age de maneira excêntrica, ou fora do comum, ou comportamentos que fogem da razão.”
Está correto o termo ENDOIDAR? A norma culta sugere o termo endoidecer. No entanto há dicionários que admitem: “A palavra “endoidar” significa tornar doido ou desorientar. É um verbo que pode ser usado em contextos figurativos, como quando alguém se sente confundido ou desorientado por determinada situação.”
Lembrei agora mesmo de “Capiá”, não o nosso amigo, confrade Luiz Antônio “Capiá” de Farias, nosso prestimoso escritor, filho de Seu Zeca Ricardo, e dona Aristhea. O “Capiá” a que me refiro, oriundo do povoado Capiá da Igrejinha, pertencente Ao município de Canapi - AL, sofria das faculdades mentais. Alguém teria dito a ele, “Capiá você não é doido, você é débil mental!”. Então ele repetia: “Eu sou Bi mental!”
Lunático. “O termo “lunático” refere-se a uma pessoa que apresenta comportamento irracional e imprevisível, muitas vezes associado a mudança de humor que podem ocorrer durante as fases da lua. Historicamente acredita-se que a lua influencie o comportamento humano, resultando em episódios de loucura e outros distúrbios mentais.
E não vai ter, nenhuma maluca, alguém do sexo feminino para citarmos? Lembro de Mirindão, que não posso afirmar que fosse louca. Vicença, terminou seus dias no Abrigo São Vicente de Paulo, ficou perturbada depois do acidente com fogos de artifício que vitimou sua família. Eles fabricavam fogos em casa, e num determinado dia a casa explodiu, só Vicença teria escapado do sinistro, isso porque fora a mercearia compra pães. Regina Cambão, é homenageada pelo nosso amigo e confrade João Neto Félix Mendes, na crônica “A Loucura que Mora na Esquina”, postada em dezembro de 2025, em seu blog apenso.com.grifo.blogspot.com
O tema não é recente, em novembro de 1963, a MGM, lançou na América, o longa metragem, “Deu a Louca no Mundo”, originalmente “It’s Mad, Mad, Mad,Mad World!” uma comédia, dirigida por Stanley Kramer. Tive a oportunidade de assistir numa matinê de domingo no Cine Alvorada. “Tá Todo Mundo Louco” música de Sílvio Brito, do Álbum “O Cabeludo Chegou”, é de 1974.
UM POUCO DE HUMOR PRA ENCERRAR
UMA REPÓRTER ENTREVISTA UM PAPAGAIO I.A. NO WATSHAPP
-Papagaio Quantos São os DIREITOS do Homem?
-São DOIS. O Primeiro: Entender que NÃO TEM DIREITO; E o Segundo: NÃO Abusar do DIREITO que Tem.
DICA DE CACHACEIRO
Coma FÍGADO de Tira-Gosto. Pois o Álcool Fica Confuso, e Não Sabe Qual Fígado ATACAR!
O Comprador quer DESCONTO,
O Vendedor quer AUMENTO,
A Amante quer JÓIAS,
A EX quer PENSÃO,
A Atual quer DINHEIRO.
E O CABRA VAI ENDOIDAR É?
E Lá Se Vai JANEIRO!





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