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  • Santana do Ipanema, 29/09/2026
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Professor do Ifal Batalha leva pesquisa a conferência com o Papa Leão XIV

Trabalho desenvolvido no campus será apresentado em Roma, durante programação que terá participação do Pontífice.

Foto: arquivo pessoal
Professor do Ifal Batalha leva pesquisa a conferência com o Papa Leão XIV

O professor Cosme Rogério Ferreira, do Instituto Federal de Alagoas – Ifal/Campus Batalha, apresentará uma experiência de educação climática desenvolvida com estudantes alagoanos durante a Conferência Internacional de Sustentabilidade de 2026. Promovido pela Universidade Villanova, o encontro acontecerá de 12 a 15 de outubro, em Roma, e contará com uma programação especial em Castel Gandolfo, da qual participará o Papa Leão XIV.

Intitulado “Educação territorial para a ecologia integral no Semiárido brasileiro”, o trabalho foi selecionado para apresentação no dia 15 de outubro, na Aula Minor do Instituto Patrístico Agostiniano, vinculado à Pontifícia Universidade Lateranense. A comunicação integrará a sessão internacional “Educação e Pedagogia para a Sustentabilidade”, ao lado de pesquisas e experiências desenvolvidas nos Estados Unidos, na Nigéria, no Peru e em outros países.

A pesquisa sistematiza uma experiência pedagógica realizada com estudantes do Ensino Médio Integrado do Curso Técnico em Biotecnologia do Ifal/Campus Batalha. O estudo demonstra como uma educação climática vinculada ao território pode promover alfabetização científica, diálogo entre diferentes formas de conhecimento e participação cidadã.

Com o tema “Respondendo ao clamor da Terra e ao clamor dos pobres”, a conferência reunirá pesquisadores, educadores, lideranças religiosas, organizações sociais e representantes de instituições de diferentes países. A programação abordará as relações entre sustentabilidade, pobreza, justiça social, saúde ambiental, educação, tecnologia, espiritualidade e participação comunitária.

Experiência nascida no Semiárido

O trabalho apresentado por Cosme Rogério parte da realidade do Semiárido brasileiro, onde a degradação da Caatinga, os processos de desertificação, as dificuldades de acesso à água e as desigualdades sociais tornam especialmente visíveis as consequências da crise climática.

A pesquisa defende que a educação ambiental não pode se limitar à transmissão de informações científicas. Ela precisa reconhecer que os problemas ecológicos e sociais estão interligados, valorizar os conhecimentos produzidos pelas comunidades e criar condições para que os estudantes participem das decisões relacionadas ao futuro de seus territórios.

O núcleo da experiência analisada é a Mini COP30, simulação de uma conferência climática realizada em 2025 no Campus Batalha. Depois de estudarem documentos científicos, ambientais e éticos, os estudantes foram organizados em cinco grupos, representando países, organismos científicos, movimentos sociais, povos tradicionais e instituições públicas.

Durante quatro encontros, os participantes apresentaram posições e negociaram propostas sobre acesso à água, agroecologia, transição energética, proteção da Caatinga, políticas públicas e defesa dos territórios.

“A experiência demonstrou que a educação climática se torna mais relevante quando parte do território vivido e reconhece estudantes e comunidades como sujeitos do conhecimento. Levar esse trabalho a uma conferência internacional significa dar visibilidade à Caatinga, à juventude sertanejo-alagoana e à contribuição da escola pública para o enfrentamento da crise socioambiental”, afirma Cosme Rogério.

Carta da juventude alcançou espaços nacionais

Um dos principais resultados da Mini COP30 foi a elaboração da Carta da Juventude Sertanejo-Alagoana pela Caatinga, documento que reuniu diagnósticos e propostas dos estudantes para a proteção do bioma e a promoção da justiça climática.

A Carta ultrapassou o espaço escolar, foi registrada na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados e recebeu manifestações de ministérios e outras instituições governamentais, da Presidência da República e da Presidência da COP30.

A experiência integra um itinerário institucional que articula ensino, pesquisa e extensão por meio do estudo da Caatinga, da memória comunitária, dos saberes indígenas e tradicionais, da bioética e da comunicação pública.

Conferência reunirá referências internacionais

Entre os conferencistas anunciados estão o sociólogo norte-americano Robert D. Bullard, reconhecido internacionalmente como um dos fundadores do campo da justiça ambiental; a ambientalista queniana Wanjira Mathai, diretora para a África e Parcerias Globais do World Resources Institute e presidente da Fundação Wangari Maathai; e o cardeal Michael Czerny, prefeito do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral.

A programação também contará com painéis obre sustentabilidade e inteligência artificial, habitação sustentável, justiça social, parcerias internacionais e práticas comunitárias de enfrentamento à crise climática.

Papa Leão XIV participará de cerimônia em Castel Gandolfo

Um dos momentos centrais da conferência ocorrerá no dia 13 de outubro, quando os participantes seguirão para o Borgo Laudato Si’, em Castel Gandolfo. A programação incluirá visita guiada ao local e a cerimônia de entrega da primeira Medalha Papa Leão XIV para a Sustentabilidade, marcada para as 17h30.

Segundo o Vatican News, a honraria será entregue pelo próprio Papa Leão XIV. Criada pela Universidade Villanova, a medalha reconhecerá pessoas e organizações cuja atuação articule proteção ambiental, justiça social, cuidado com as populações vulneráveis e desenvolvimento humano integral. A distinção será concedida a cada dois anos.

Medalha Papa Leão XIV para a Sustentabilidade, criada pela Universidade Villanova. Foto: Divulgação/Universidade Villanova.

A Universidade Villanova é uma instituição católica de tradição agostiniana e mantém uma ligação particular com o Pontífice. O então Robert Francis Prevost graduou-se em Matemática pela universidade em 1977 e recebeu da instituição o título de doutor honoris causa em Humanidades em 2014.

A participação do professor do Ifal insere uma experiência produzida no sertão alagoano em um espaço internacional de diálogo científico, ético e social. O trabalho evidencia como a educação territorial pode transformar estudantes em protagonistas da reflexão e da participação pública diante dos desafios climáticos contemporâneos.

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