Alagoas tem menor renda média do país entre domicílios com pessoas com deficiência
Estado também registra um dos menores índices de ocupação entre pessoas com deficiência, segundo levantamento do IBGE.
Alagoas tem a maior proporção de pessoas com deficiência do Brasil e registra, ao mesmo tempo, o menor rendimento médio entre os domicílios onde vive pelo menos uma pessoa com deficiência. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados nesta sexta-feira (18).
Em 2022, a renda média mensal desses domicílios no estado era de R$ 2.591. O valor é 58,6% menor que o registrado no Distrito Federal, que apresentou a maior média do país, com R$ 6.259.
A diferença também aparece dentro de Alagoas. Nos domicílios sem pessoas com deficiência, o rendimento médio era de R$ 3.232.
O Censo Demográfico 2022 contabilizou 292 mil pessoas com deficiência de 2 anos ou mais no estado. Elas representavam 9,6% dessa população, maior percentual entre os estados brasileiros.
Renda por pessoa é a segunda menor do país
Alagoas também aparece entre os estados com menor rendimento domiciliar per capita médio entre as pessoas com deficiência.
O valor era de R$ 937, ficando acima apenas do Maranhão, com R$ 895. Entre os alagoanos sem deficiência, o rendimento per capita médio chegava a R$ 1.057.
A composição da renda também apresenta uma diferença. Nos domicílios com pelo menos uma pessoa com deficiência, 47,2% do rendimento vinha do trabalho, enquanto 52,8% era proveniente de outras fontes, como aposentadorias, pensões e benefícios sociais.
Entre os domicílios sem pessoas com deficiência, o trabalho representava 72,2% da renda.
Apenas 25% estavam ocupados
O mercado de trabalho é outro ponto de desigualdade apontado pelo levantamento.
Em Alagoas, apenas 25% das pessoas com deficiência com 14 anos ou mais estavam ocupadas em 2022. Entre as pessoas sem deficiência, o índice era de 46,7%.
O percentual coloca o estado com o quarto menor nível de ocupação do país entre pessoas com deficiência. Os menores índices foram registrados na Paraíba (22%), Piauí (22,1%) e Sergipe (24,5%).
Entre os alagoanos com deficiência que estavam trabalhando, 50,5% contribuíam para a Previdência Social. O percentual era o segundo maior do Nordeste, empatado com a Paraíba e atrás apenas do Rio Grande do Norte, com 52,5%.
Mais de 28% dos idosos têm deficiência
A proporção de pessoas com deficiência aumenta entre as faixas etárias mais altas.
Em Alagoas, 28,2% da população com 60 anos ou mais tinha alguma deficiência em 2022. Foi o maior percentual registrado entre os estados brasileiros.
O grupo correspondia a aproximadamente 115 mil pessoas. Outras 102 mil pessoas com deficiência tinham entre 40 e 59 anos.
Juntas, essas duas faixas etárias concentravam cerca de 74,3% das 292 mil pessoas com deficiência no estado.
As mulheres também eram maioria entre essa população: 172 mil, contra 120 mil homens. A proporção era de 10,8% entre as mulheres e 8,2% entre os homens.
Alagoas se destaca em recursos de inclusão nas escolas
Na área da educação, o estado apresenta índices elevados na oferta de alguns recursos voltados à inclusão.
Em 2025, 42,9% das escolas alagoanas tinham salas de recursos multifuncionais para Atendimento Educacional Especializado (AEE). O percentual era o maior do Nordeste e o quinto maior do país.
Também havia profissionais de apoio para alunos com deficiência em 40,8% das escolas. O índice era o segundo maior do Nordeste e o sexto do Brasil.
Quanto à estrutura física, 86,2% das escolas tinham pelo menos um dos recursos de acessibilidade analisados pelo IBGE. Banheiros acessíveis estavam presentes em 57,7% das unidades.
Só 14 municípios tinham conselho da pessoa com deficiência
Dos 102 municípios de Alagoas, apenas 14 tinham Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Desses, 10 eram considerados ativos.
Somente dois municípios reuniam um Fundo Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência e uma gestão com política ou programa específico para essa população. Neles viviam cerca de 4 mil pessoas com deficiência.
Por outro lado, 60 municípios tinham alguma política ou programa de promoção dos direitos das pessoas com deficiência.
Entre as ações mais comuns estavam iniciativas de inclusão no ambiente escolar, presentes em 50 municípios, e medidas de prevenção à discriminação, registradas em 49.
Acessibilidade digital
O levantamento também analisou a acessibilidade dos sites das prefeituras.
Em Alagoas, 96,8% das pessoas com deficiência viviam em municípios cujas páginas oficiais apresentavam pelo menos uma das características de acessibilidade digital investigadas.
Já 7% viviam em municípios cujos sites reuniam todas as características analisadas. O percentual foi o segundo maior do Nordeste.
Em 2023, 12 municípios tinham profissionais capacitados para atendimento em Libras nas sedes das prefeituras. Em 2024, 23 municípios disponibilizavam tradução de conteúdos em Libras em suas páginas na internet e serviços eletrônicos.
Os dados fazem parte da segunda edição do informativo “Pessoas com Deficiência e as Desigualdades Sociais no Brasil”, do IBGE, que reúne indicadores sobre renda, trabalho, educação, moradia, deslocamento, participação social e políticas públicas.





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