Mercado fitness: 5 tendências que estão mudando a rotina das academias
Expansão de modelos como o funcionamento 24 horas acompanha novas demandas dos alunos.
O mercado fitness brasileiro atravessa um dos momentos mais aquecidos de sua história. Segundo o Conselho Federal de Educação Física (CONFEF), o número de centros de atividades físicas no país quase triplicou em dez anos, saltando de 22.581 CNPJs ativos em 2015 para 62.718 em julho de 2025. Se o ritmo atual se mantiver, o Brasil deve ultrapassar a marca de 70 mil estabelecimentos já em 2027, número que coloca o país entre os quatro maiores mercados do mundo, atrás apenas de Estados Unidos, Índia e China.
Para Priscila Aguiar, CEO da Academia Gaviões 24h, rede pioneira no modelo de funcionamento 24 horas no Brasil, esse movimento exige uma leitura fina sobre o consumidor. "O aluno de hoje não compara mais academias pelo preço da mensalidade, ele compara pela experiência, pela tecnologia disponível e por quanto aquele espaço entende da sua rotina. As tendências mostram que o mercado está mais maduro e consciente, vivendo uma fase de integração com foco em performance, longevidade, saúde mental e qualidade de vida", afirma.
A CEO lista as tendências que estão redefinindo o setor e destaca o que mais pesa na hora de reter o aluno. Confira:
1. Personalização deixou de ser diferencial
"Planos genéricos perderam espaço para programas que se ajustam ao histórico e ao objetivo de cada aluno. Com apoio de inteligência artificial e acompanhamento próximo do profissional, os alunos agora querem viver uma experiência, desde a primeira aula até soluções para cada situação dentro da academia, como espaços de recuperação, horários flexíveis, armários e banheiros que comportem a rotatividade, espaços de alimentação e conveniência", ressalta Priscila.
2. Atenção à saúde geral
"O mercado fitness deixou de ser uma sala com equipamentos para dar resultados e virou um investimento de qualidade de vida a longo prazo. Por isso, oferecer consultas e acompanhamentos com diferentes profissionais da saúde pode fortalecer o negócio. Dar atenção aos detalhes, às queixas e ao público é fundamental para atender à demanda com assertividade", pontua.
3. Público misto em ascensão
"O segmento está cada vez mais plural, os adolescentes já começam a treinar desde cedo, enquanto o público 50+ também busca espaço nas academias. Por isso, saber atender cada um desses perfis em sua particularidade é primordial para a rentabilidade e o crescimento do negócio", diz Priscila.
4. Treinos dinâmicos
"Academia tradicional, com pesos livres e diversas máquinas, não é mais suficiente. Os ambientes agora investem em aulas coletivas, diferentes modalidades de exercícios e espaços integrados, para chamar a atenção de quem pratica mais de uma atividade ou até mesmo como forma de impulsionar o consumo, despertando a curiosidade", afirma.
5. Pertencimento acima do equipamento
"O consumidor atual quer fazer parte de um grupo; ele busca, além dos serviços ou produtos, canais de comunicação, comunidades engajadas, planos personalizados, roupas da marca e programas nos quais possa participar como protagonista. Quem entende que o aluno também busca acolhimento e senso de comunidade é quem vai reter esse público nos próximos anos", conclui a CEO.
O segmento fitness não é mais um gasto supérfluo; agora ocupa lugar fixo no orçamento das famílias, atraindo investimentos, novas redes e concorrência qualificada ao setor nos próximos anos. Esse apetite do consumidor por bem-estar já aparece no caixa do setor: de acordo com a Pesquisa Trimestral de Desempenho da Associação Brasileira de Franchising (ABF), divulgada este mês, o segmento de saúde, beleza e bem-estar ficou em segundo lugar entre os que mais cresceram no segundo trimestre de 2026, com alta de 15,2% e faturamento de R$ 21,1 bilhões.





COMENTÁRIOS