Selma Bandeira: 40 anos depois, trajetória ainda marca a política de Alagoas
Deputada estadual e médica morreu em acidente na Ladeira de Satuba, em 1986, quando disputava uma vaga na Câmara Federal.
Há 40 anos, Alagoas perdia uma das figuras mais conhecidas da política estadual durante o período de redemocratização. A deputada estadual Selma Bandeira morreu em 7 de setembro de 1986, aos 42 anos, em um acidente de trânsito na Ladeira de Satuba, enquanto estava em campanha para disputar uma vaga na Câmara Federal.
Selma viajava para um comício em Viçosa, na Zona da Mata de Alagoas, acompanhada da enfermeira Noraci Pedrosa, do motorista Calheiros e do assessor parlamentar Adalberon. Os quatro morreram na colisão.
Segundo relatos registrados à época, um caminhão carregado de madeira teria invadido a pista contrária após o motorista dormir ao volante. O impacto atingiu o Corcel II em que Selma e os demais ocupantes estavam.
A morte provocou comoção em Alagoas. O velório da deputada ocorreu na Assembleia Legislativa e, posteriormente, o corpo foi levado em um caminhão do Corpo de Bombeiros até o Cemitério Parque das Flores, no Tabuleiro, em Maceió. O cortejo reuniu milhares de pessoas e se estendeu por vários quilômetros.
Da Medicina à política
Nascida em Delmiro Gouveia, no Sertão alagoano, em 1º de janeiro de 1944, Selma Bandeira formou-se em Medicina pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Durante a vida acadêmica, participou do movimento estudantil e chegou a ocupar a vice-presidência do Diretório Acadêmico da Faculdade de Medicina.
Também atuou como professora de Biologia no Colégio Estadual de Alagoas e, posteriormente, na Faculdade de Medicina da Ufal. Especializou-se em Saúde Pública e trabalhou como médica sanitarista, além de se dedicar à pediatria.
Sua militância política começou ainda durante o período estudantil e ganhou força após o golpe militar de 1964. Em 1966, aos 22 anos, participou da fundação do Partido Comunista Revolucionário (PCR), em Recife, segundo relatos de familiares.
A atuação política fez com que Selma fosse perseguida pela repressão durante a ditadura militar. Ela precisou mudar de endereço e utilizar diferentes identidades para escapar da prisão. Familiares também foram presos e torturados durante as buscas por seu paradeiro.
Em 1978, Selma acabou presa e foi levada ao Presídio Feminino Bom Pastor, em Pernambuco. Com a Lei da Anistia, deixou a prisão e retornou a Alagoas, onde passou a atuar politicamente pelas vias institucionais.
Mandato na Assembleia
De volta a Maceió, Selma filiou-se ao MDB, posteriormente PMDB, legenda que naquele período reunia diferentes grupos de oposição ao regime militar.
Em 1982, foi eleita deputada estadual. No mandato, adotou uma atuação voltada principalmente para pautas sociais e de defesa de grupos vulneráveis. Entre os temas que enfrentou estava a denúncia de casos de violência contra mulheres em Alagoas.
Quatro anos depois, em 1986, estava novamente em campanha, desta vez para a Câmara Federal. A eleição, porém, foi interrompida pela tragédia na Ladeira de Satuba.
Uma morte que interrompeu novos projetos
Além da carreira política, Selma vivia naquele período uma relação com o professor e publicitário Luiz Dantas. Os dois se casaram em 1983 e haviam iniciado um processo de adoção, que não chegou a ser concluído antes da morte da deputada.
Para familiares e pessoas que conviveram com Selma, sua trajetória reúne a militância contra a ditadura, a atuação na saúde pública e a passagem pela política institucional em um período de transformação do país.
Quatro décadas depois, a morte de Selma Bandeira permanece associada à história política de Alagoas e ao processo de redemocratização brasileira. Sua trajetória foi interrompida justamente quando ela buscava ampliar sua atuação política no Congresso Nacional.





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