Felipe Miranda projeta impacto das eleições no mercado financeiro
Ex-CEO da Empiricus analisa os possíveis efeitos de uma vitória de Lula, de um candidato da direita ou de uma terceira via sobre os investimentos.
Hoje, o mercado trabalha com uma probabilidade muito alta de vitória do Lula, mas isso não significa que a eleição esteja decidida. O mercado se expressa por meio dos preços, não por uma voz uníssona, e há diferentes participantes com visões distintas. Ainda assim, a leitura predominante hoje é essa, embora política possa mudar rapidamente. O candidato mais provável para enfrentar Lula no segundo turno continua sendo Flávio Bolsonaro, mas existe uma pequena probabilidade de que, caso ele se enfraqueça, um terceiro nome avance, mudando completamente o cenário.
A partir daí, começam as divergências sobre o que uma vitória de Lula significaria para os ativos brasileiros. Entre os investidores estrangeiros, prevalece a visão de que a eleição não é o principal fator. Para esse grupo, o mais importante é o ambiente para mercados emergentes, a trajetória dos juros e o fato de o Brasil estar muito barato em praticamente qualquer métrica — seja bolsa, fundos imobiliários ou juros longos. Como Lula já é um governo conhecido, a avaliação é que sua política econômica é ruim, mas não leva o país a uma ruptura, tornando a eleição, na prática, 'mais do mesmo'
Já entre os investidores locais há diferentes correntes. Uma delas entende que Lula pode repetir o comportamento do primeiro mandato e promover algum ajuste fiscal depois da eleição, mesmo que não seja estrutural. Como o governo acelerou gastos para disputar o pleito, haveria espaço para retirar parte desses estímulos posteriormente, o que seria suficiente para destravar uma valorização dos ativos, justamente porque eles já negociam a preços muito deprimidos. Outra corrente, porém, avalia que a situação fiscal já se deteriorou demais e que o país caminha para uma grande crise entre 2027 e 2028, com explosão do dólar, volta da inflação, recessão e forte piora dos ativos brasileiros.
Existe ainda uma terceira visão, minoritária. Embora a maior parte do mercado considere que um governo de direita implementaria uma política econômica mais favorável ao crescimento sustentável, há quem argumente que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro aumentaria significativamente o risco institucional, especialmente pela possibilidade de confronto com o STF. Nessa leitura, apesar de uma reeleição de Lula ser considerada ruim do ponto de vista fiscal, ela eliminaria esse risco institucional e teria um horizonte conhecido, com término em 2030. É justamente essa diversidade de interpretações que, segundo a análise, explica por que o mercado permanece em uma espécie de mediocridade: uma bolsa sem direção clara, refletindo um ambiente de complacência, procrastinação e baixo dinamismo.






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