Liderança com cuidado no Carnaval pode definir faturamento e fidelização ao longo do ano
Datas sazonais exigem preparação estratégica das equipes para garantir padrão de atendimento e retenção de clientes
O Carnaval deve movimentar cerca de R$ 9 bilhões na economia brasileira, segundo estimativa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo para a edição mais recente da festa. Ao mesmo tempo, estudos da Fundação Getulio Vargas apontam que empresas com cultura organizacional estruturada e práticas consistentes de liderança podem reduzir a rotatividade em até 35% e elevar a produtividade em torno de 30%.
Já a Association for Talent Development indica que companhias com programas formais de capacitação alcançam desempenho até 218% superior em indicadores internos. Esses dados mostram que datas festivas como Carnaval, Dia da Amizade e Páscoa são mais do que picos comerciais, são provas práticas da qualidade da liderança.
Alexandre Slivnik, professor convidado da FIA/USP e vice-presidente da Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento, é diretor executivo do IBEX, instituto sediado em Orlando voltado à formação de líderes. Ele afirma que períodos de alto consumo expõem tanto a força quanto as fragilidades da gestão. “Quando a liderança não se antecipa, a operação vira apenas execução sob pressão. E execução sem direcionamento compromete a experiência do cliente”, diz.
Ele explica que o papel do líder, independentemente do nível hierárquico, é alinhar propósito, metas e comportamento antes do aumento da demanda. “Datas sazonais exigem mobilização clara. Cada colaborador precisa entender qual é seu papel e qual padrão de atendimento deve ser mantido, mesmo com fluxo intenso”, afirma.
De acordo com o especialista, o impacto financeiro dessas datas está diretamente ligado à preparação prévia das equipes. “Treinamento não é custo, é proteção de receita. Times preparados resolvem problemas com agilidade, mantêm a qualidade do serviço e evitam que um erro pontual comprometa a reputação da marca”, pontua.
A liderança também influencia o clima interno durante períodos de pressão operacional. Estudos da FGV sobre confiança organizacional mostram que ambientes com alto nível de segurança psicológica apresentam menor rotatividade e maior produtividade.
Para ele, isso se traduz em estabilidade justamente nos momentos de maior exigência. “O engajamento sempre segue de cima para baixo. Se o líder está organizado e comprometido, a equipe replica esse comportamento”, declara.
O especialista aponta cinco formas de como estruturar a liderança para datas festivas
Antes de adotar medidas pontuais, Slivnik ressalta que mobilização não pode ser improvisada, mas construída com antecedência estratégica.
Alinhar propósito à operação
Reforçar o impacto do trabalho naquele período aumenta o senso de responsabilidade coletiva e mantém a equipe focada na experiência do cliente.
Definir padrões claros de atendimento
Protocolos objetivos evitam improvisos e garantem consistência mesmo sob aumento de demanda.
Simular cenários de pico
Treinamentos práticos ajudam a antecipar falhas operacionais e reduzem riscos durante o período festivo.
Reconhecer desempenho em tempo real
Pequenos reconhecimentos mantêm o moral elevado e sustentam o engajamento em momentos de pressão.
Avaliar resultados e corrigir rotas
Encerrado o período sazonal, a análise de indicadores e feedbacks permite ajustes para as próximas campanhas.
Para empresas que não possuem estrutura interna de desenvolvimento, o especialista recomenda avaliar a contratação de consultorias com metodologia validada e histórico comprovado de resultados. “É preciso verificar experiência prática, indicadores mensuráveis e alinhamento com a cultura da empresa. Treinamento não pode ser evento isolado”, alerta.
Ele alerta ainda que tratar datas festivas apenas como oportunidade promocional é um erro estratégico. “Se a liderança foca exclusivamente no faturamento, ignora que o cliente avalia a experiência completa. Uma venda mal atendida compromete a fidelização”, diz.
Com a proximidade de diferentes períodos de maior consumo ao longo do ano, o desafio das empresas deixa de ser apenas atrair público e passa a ser manter consistência operacional. Para Slivnik, a diferença entre um pico momentâneo e crescimento sustentável está na liderança. “Datas sazonais são oportunidades estratégicas. Quem lidera bem transforma movimento em fidelização. Quem improvisa apenas absorve o volume e perde a chance de consolidar o relacionamento”, conclui.
Sobre Alexandre Slivnik
Alexandre Slivnik o único brasileiro a dar a volta ao mundo em um avião privado da Disney para conhecer os bastidores de todos os parques da empresa no mundo, juntamente com seus maiores executivos. É reconhecido oficialmente pelo governo norte americano como um profissional com habilidades extraordinárias na área de palestras e treinamentos (EB1).
Autor de diversos livros, entre eles do best-seller O Poder da Atitude. Diretor executivo do IBEX – Institute for Business Excellence, sediado em Orlando / FL (EUA). Vice-Presidente da ABTD - Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento. Professor convidado do MBA de Gestão Empresarial da FIA / USP.
Palestrante com mais de 20 anos de experiência na área de RH e Treinamento. Atualmente um dos maiores especialistas em Encantamento de Clientes no Brasil. Palestrante Internacional com palestras feitas nos EUA, EUROPA, ÁFRICA e ÁSIA, tendo feito especialização na Universidade de Harvard (Graduate School of Education - Boston / EUA).







COMENTÁRIOS