Fábio Leite
Do Sertão à sustentabilidade: dois episódios de muita conversa com Ygo Costa no Podcast AgroAmbiental
Água, Caatinga, mudanças climáticas, coleta seletiva, arborização, educação ambiental e até concurso público. Foram tantos assuntos que uma entrevista só não foi suficiente para conversar sobre os desafios ambientais de Alagoas.
Quando convidamos o secretário de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos de Alagoas, João Ygo da Costa Araújo, para participar do Podcast AgroAmbiental, já imaginávamos que teríamos muita coisa para conversar. Afinal, a área ambiental é bastante ampla e envolve questões que fazem parte do nosso cotidiano, principalmente de quem vive no interior do estado.
Mas o bate-papo rendeu tanto que precisamos dividi-lo em duas partes, exibidas no segundo e no terceiro episódios do nosso podcast.
E não foi por falta de assunto! Conversamos sobre água, recuperação de nascentes, preservação da Caatinga, mudanças climáticas, arborização urbana, resíduos sólidos, reciclagem, educação ambiental e muitos outros temas. Também aproveitei a oportunidade para fazer algumas perguntas mais delicadas, daquelas que muita gente gostaria de fazer a um secretário de Estado.
Vou compartilhar aqui alguns dos pontos mais interessantes dessa conversa.
Antes de falar de meio ambiente, quem é Ygo Costa?
Começamos nossa entrevista conhecendo um pouco mais sobre a pessoa por trás do cargo.
Natural de Maceió, com raízes familiares em Boca da Mata, Ygo contou sobre sua infância, a influência da família e sua trajetória no serviço público.
Administrador de formação, ele já passou por diferentes áreas da administração pública, incluindo saúde, segurança alimentar e gestão administrativa.
Uma das histórias mais marcantes que compartilhou foi sobre sua experiência à frente de uma unidade hospitalar em Delmiro Gouveia. Segundo ele, o contato direto com situações difíceis e com as necessidades da população ajudou a transformar sua maneira de enxergar a gestão pública.
Também falou sobre a influência do deputado estadual Ronaldo Medeiros em sua trajetória profissional e sobre os desafios de assumir a SEMARH.
Uma coisa que chamou minha atenção foi sua defesa de uma gestão que não fique restrita aos gabinetes. Para ele, conhecer de perto a realidade das comunidades é fundamental para construir políticas públicas que realmente funcionem.
E foi justamente essa visão que acabou aparecendo em praticamente todos os assuntos da nossa conversa.
Água no Sertão: uma preocupação que nunca sai de pauta
Quem vive no Sertão sabe que água não é apenas um recurso natural. É qualidade de vida, saúde, produção de alimentos e oportunidade de desenvolvimento.
Por isso, dedicamos uma boa parte da primeira entrevista à segurança hídrica.
Ygo destacou que os 42 municípios do Semiárido alagoano exigem atenção especial do poder público, principalmente quando falamos do abastecimento das comunidades rurais.
Conversamos sobre a perfuração de poços artesianos, a implantação de microssistemas de abastecimento e os investimentos em dessalinização.
Segundo o secretário, Alagoas já contava, na época da entrevista, com 102 dessalinizadores instalados no Semiárido, além de iniciativas para ampliar e recuperar esses sistemas.
Mas fiz questão de levantar uma questão que conhecemos muito bem: de que adianta perfurar um poço se, pouco tempo depois, ele deixa de funcionar por falta de manutenção?
Ygo explicou que o Estado tem buscado envolver as prefeituras e as próprias comunidades no acompanhamento desses sistemas.
Falamos sobre associativismo, organização comunitária e a importância de criar mecanismos para garantir que os equipamentos continuem funcionando.
Também discutimos a regularização dos poços particulares.
Muitos proprietários rurais ainda desconhecem a necessidade da outorga de direito de uso dos recursos hídricos, instrumento que permite ao poder público acompanhar a utilização da água.
O secretário destacou que a SEMARH busca orientar os usuários e incentivar a regularização das captações. Informou ainda que, quando a documentação está completa e o processo não apresenta pendências, a emissão da outorga pode ocorrer em aproximadamente 30 dias.
É um assunto importante tanto para quem já possui um poço quanto para quem pretende perfurar um.
Recuperar nascentes também é garantir água para o futuro
Ainda falando sobre recursos hídricos, entramos na questão da recuperação de nascentes.
Ygo apresentou ações desenvolvidas pela SEMARH, inclusive em assentamentos rurais, comunidades quilombolas e indígenas.
Conversamos sobre a importância do cercamento das áreas, da recuperação da vegetação nativa e da proteção das matas ciliares.
O secretário também destacou a parceria com o Ministério Público de Alagoas nessas iniciativas.
E aqui vale uma reflexão: muitas vezes nos preocupamos em encontrar novas fontes de água, mas esquecemos de proteger aquelas que já existem.
Recuperar uma nascente não significa apenas melhorar o abastecimento. Significa proteger o solo, a biodiversidade e o equilíbrio ambiental de toda uma região.
Mudanças climáticas, enchentes e períodos de seca
Outro assunto que rendeu bastante foi o trabalho da Sala de Alerta da SEMARH.
Você provavelmente já viu algum alerta de chuvas intensas ou notícias sobre o monitoramento de rios e reservatórios em Alagoas.
Durante a entrevista, Ygo explicou como funciona esse acompanhamento e destacou que os 102 municípios alagoanos são monitorados.
Esse trabalho auxilia a Defesa Civil e permite acompanhar situações que podem representar riscos à população.
Também conversamos sobre o fenômeno El Niño, os períodos de estiagem e os efeitos das mudanças climáticas sobre o Semiárido.
O secretário apresentou ações de planejamento e articulação entre instituições para enfrentar os impactos da falta de chuvas, especialmente sobre o abastecimento humano e a produção rural.
Falamos ainda sobre o Fórum Alagoano de Mudanças Climáticas e a importância de incluir agricultores, comunidades, universidades e órgãos públicos nessas discussões.
Afinal, quem trabalha com agricultura e pecuária sabe que as mudanças no comportamento das chuvas afetam diretamente a produção.
Nossa Caatinga merece muito mais atenção
Um dos temas de que mais gostei foi a conversa sobre a Caatinga.
Durante muitos anos, o bioma foi retratado como uma região sem vida, marcada apenas pela seca, pelo solo rachado e pela vegetação aparentemente morta.
Mas quem conhece o Sertão sabe que a realidade é bem diferente.
A Caatinga possui uma biodiversidade extraordinária, espécies adaptadas às condições do Semiárido e uma importância ambiental que nem sempre recebe o reconhecimento merecido.
Ygo falou sobre os desafios de combater o desmatamento e a desertificação, além das iniciativas voltadas à recuperação de áreas degradadas.
Também abordamos o manejo inadequado do solo, as queimadas e a pressão exercida por determinadas atividades produtivas.
Uma questão interessante foi a necessidade de desenvolver técnicas de recuperação adaptadas às características de cada área.
Não existe uma receita única para recuperar um ambiente degradado. É preciso avaliar o solo, a vegetação, o clima e o histórico de utilização daquela propriedade.
E, principalmente, precisamos compreender que a preservação da Caatinga pode caminhar junto com a produção agropecuária.
Arborização urbana: muito mais do que plantar árvores
A arborização urbana apareceu nas duas partes da nossa conversa.
E esse é um assunto de que gosto bastante, inclusive por fazer parte da minha rotina profissional.
Na entrevista, discutimos o Plano Estadual de Arborização Urbana, que, segundo Ygo, estava em fase final de preparação para lançamento.
O secretário destacou a participação dos municípios na elaboração do documento e a importância de planejar adequadamente a arborização das cidades.
Falamos sobre escolha de espécies, espaços disponíveis, interferências com a rede elétrica, manutenção e benefícios para o conforto térmico.
Ygo citou como exemplo estudos e discussões com o município de Delmiro Gouveia, envolvendo uma proposta de plantio de 10 mil mudas ao longo de quatro anos.
Segundo a projeção mencionada durante a entrevista, a arborização poderia proporcionar benefícios expressivos para as condições térmicas da cidade ao longo dos anos.
Mas deixamos uma coisa muito clara: não basta sair plantando árvores.
É preciso escolher as espécies certas, plantá-las nos locais adequados e garantir sua manutenção.
Uma árvore plantada sem planejamento pode acabar trazendo problemas. Já uma arborização bem executada representa benefícios para a saúde, para o meio ambiente e para a qualidade de vida da população.
Educação ambiental não pode acontecer apenas no Dia da Árvore
Na segunda parte da entrevista, um dos assuntos que mais renderam foi a educação ambiental.
E aqui tivemos uma concordância importante: educação ambiental não pode ser lembrada apenas nas datas comemorativas.
É muito comum vermos atividades no Dia da Árvore, no Dia Mundial do Meio Ambiente ou no Dia da Água. Essas iniciativas são importantes, mas não podem representar todo o trabalho realizado durante o ano.
Defendemos que a educação ambiental precisa estar presente continuamente nas escolas e nas comunidades.
Ygo chegou a afirmar que gostaria de ver a educação ambiental trabalhada como uma disciplina nas escolas públicas.
Também conversamos sobre o programa de hortas escolares desenvolvido pela SEMARH.
A iniciativa vai além da produção de hortaliças. Ela permite que os estudantes aprendam, na prática, sobre alimentação saudável, cultivo, responsabilidade e preservação ambiental.
O secretário citou experiências positivas em escolas, incluindo uma unidade em Palmeira dos Índios, onde a horta implantada foi ampliada com a participação da comunidade escolar.
Mas também chamou atenção para um problema bastante comum: projetos que começam bem e acabam abandonados por falta de acompanhamento.
Por isso, discutimos a responsabilidade das escolas e dos municípios na manutenção dessas ações.
Também falamos sobre os Planos Municipais de Educação Ambiental, cuja elaboração vem sendo acompanhada e cobrada pelo Ministério Público.
Uma ideia interessante que surgiu durante nossa conversa foi utilizar as datas comemorativas para apresentar à população os resultados alcançados ao longo do ano.
Por exemplo: no Dia da Árvore, em vez de realizar apenas um plantio simbólico, por que não mostrar quantas árvores foram plantadas e quantas sobreviveram durante os últimos doze meses?
É uma maneira de transformar uma comemoração em prestação de contas e incentivo à continuidade das ações.
Lixo eletrônico: uma parceria que já funciona em Santana do Ipanema
Outro assunto da segunda entrevista foi o projeto Coleta ON, Resíduo OFF, desenvolvido pela SEMARH para incentivar a destinação ambientalmente adequada de resíduos eletroeletrônicos e lâmpadas.
E aqui aproveitei para compartilhar um pouco da experiência que temos em Santana do Ipanema.
Nosso município participa do projeto como cidade-polo, recebendo materiais coletados tanto em Santana quanto em municípios vizinhos.
Além das campanhas realizadas em parceria com o Estado, já contamos com um trabalho permanente de recebimento de resíduos eletrônicos e lâmpadas.
Temos pontos de entrega voluntária e também realizamos coletas mediante solicitação da população.
Durante a conversa, expliquei que o município mantém parcerias para garantir a destinação desses materiais a empresas especializadas.
Ygo ressaltou a importância dessas iniciativas e defendeu que os municípios ampliem suas ações para além dos períodos das campanhas estaduais.
E esse é realmente o caminho: não adianta realizar uma grande campanha de recolhimento de resíduos e depois passar o restante do ano sem oferecer alternativas à população.
Alagoas acabou com os lixões. Mas resolveu o problema do lixo?
Essa foi uma das perguntas que fiz ao secretário.
Alagoas conseguiu encerrar os lixões, uma conquista importante para a gestão de resíduos sólidos.
Mas será que isso significa que o problema está resolvido?
A resposta foi não.
O encerramento dos lixões representa uma etapa fundamental, mas ainda temos muito trabalho pela frente.
Precisamos avançar na coleta seletiva, na reciclagem, na redução da quantidade de resíduos encaminhados aos aterros sanitários e na valorização dos materiais recicláveis.
Durante a entrevista, conversamos sobre o quanto ainda desperdiçamos materiais que poderiam retornar à cadeia produtiva.
E mais uma vez chegamos à educação ambiental.
A coleta seletiva só consegue avançar de verdade quando a população participa.
Separar corretamente os resíduos em casa, respeitar os dias de coleta e compreender a importância do trabalho dos catadores são atitudes simples que fazem uma enorme diferença.
Recicla Santana: uma experiência que fiz questão de compartilhar
Esse foi um dos momentos mais especiais da nossa conversa, porque tive a oportunidade de apresentar alguns resultados do trabalho desenvolvido em Santana do Ipanema.
Falamos sobre a Recicla Santana, associação dos catadores de materiais recicláveis do município, e sobre os desafios de fortalecer a coleta seletiva.
Uma das maiores dificuldades que enfrentamos é incentivar os catadores que ainda trabalham individualmente a participar do associativismo.
Nem sempre é fácil mostrar que trabalhar coletivamente pode proporcionar melhores condições de trabalho, equipamentos e oportunidades de renda.
Durante o bate-papo, compartilhei alguns números que considero muito importantes.
Quando iniciamos o acompanhamento da atividade, identificamos que a renda média mensal dos catadores girava em torno de R$ 300.
Com o fortalecimento da associação, investimentos em equipamentos, organização das atividades e incentivos à produtividade, essa realidade mudou.
Na época da entrevista, a renda média mensal dos associados estava entre R$ 1.300 e R$ 1.500.
É uma mudança muito significativa para quem depende dessa atividade para sustentar a família.
Também conversamos sobre os equipamentos disponibilizados à associação, como prensa e balança, além dos mecanismos de incentivo à produtividade.
Outro ponto importante foi o crescimento do número de associados, que, depois de ter chegado a cinco integrantes, voltou a alcançar dez.
Ygo destacou a importância de experiências como essa e falou sobre as ações do Estado para fortalecer associações e cooperativas de catadores, incluindo entrega de equipamentos, pontos de entrega voluntária e capacitações.
Também abordamos um problema que ainda precisa ser enfrentado: o preconceito contra quem trabalha com materiais recicláveis.
Esses trabalhadores desempenham uma função ambiental e social importantíssima e precisam ser valorizados.
É gratificante acompanhar os resultados desse trabalho em Santana e perceber que a coleta seletiva pode gerar benefícios ambientais, econômicos e sociais ao mesmo tempo.
E o ICMS Verde, vai voltar?
Aproveitei a conversa sobre resíduos sólidos para fazer uma pergunta que interessa bastante aos municípios e às associações de catadores.
O que aconteceu com o ICMS Verde?
Questionei o secretário sobre os efeitos da interrupção dos repasses e sobre a possibilidade de retomada do mecanismo.
Ygo afirmou que, segundo a posição do Governo do Estado, não se tratava de uma extinção definitiva, mas de um processo de reformulação.
Explicou que a intenção seria aperfeiçoar o instrumento para garantir que os recursos produzissem benefícios efetivos para a área ambiental.
Também ressaltou que o Estado vinha buscando fortalecer diretamente as associações e cooperativas por meio de equipamentos, capacitação e apoio às atividades.
A questão é importante porque sabemos que a gestão ambiental nos municípios exige investimentos permanentes.
E quando falamos em coleta seletiva, esses recursos podem representar melhorias nas condições de trabalho e na renda das famílias que vivem da reciclagem.
Fiscalização ambiental: orientar ou punir?
Na segunda entrevista, também reservei um espaço para algumas perguntas mais delicadas.
Uma delas foi sobre a burocracia ambiental.
Será que os procedimentos ambientais ainda são burocráticos demais? É possível simplificar as exigências sem comprometer a preservação?
Ygo reconheceu que existem procedimentos que podem ser aperfeiçoados, mas defendeu que determinados controles são necessários para garantir a proteção ambiental.
Também conversamos sobre fiscalização, multas e embargos.
Perguntei se a fiscalização deveria ser mais educativa ou mais punitiva.
O secretário defendeu que a orientação e a educação ambiental devem ter prioridade, especialmente quando as irregularidades são cometidas por desconhecimento.
Por outro lado, reconheceu que a aplicação de sanções continua sendo necessária quando há descumprimento da legislação.
Falamos ainda sobre a relação entre os órgãos ambientais e os produtores rurais.
Ygo destacou que o produtor precisa ser tratado como parceiro das políticas ambientais, e não simplesmente como alguém que deve ser fiscalizado.
A discussão também passou por questões políticas e pelas diferentes visões sobre a condução da política ambiental brasileira.
Foi um momento interessante justamente porque permitiu debater assuntos que muitas vezes geram dúvidas, críticas e opiniões divergentes.
SEMARH, IMA e municípios precisam trabalhar juntos
Outro tema importante foi a atuação conjunta da SEMARH, do Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA) e das administrações municipais.
Conversamos sobre a diferença entre as atribuições dos órgãos e a importância de evitar conflitos de competência.
Ygo destacou que a SEMARH atua na formulação e coordenação de políticas públicas, enquanto o IMA possui atribuições relacionadas ao licenciamento, à fiscalização e ao controle ambiental.
Segundo ele, a integração entre os dois órgãos é indispensável para que as políticas públicas produzam resultados.
Também discutimos a participação dos municípios, especialmente na arborização, na coleta seletiva, na educação ambiental e na recuperação de áreas degradadas.
E esse foi um assunto recorrente nas duas entrevistas: as políticas ambientais só funcionam plenamente quando chegam à realidade das comunidades.
E para quem sonha em trabalhar na área ambiental?
Também aproveitei a presença do secretário para perguntar sobre a possibilidade de concurso público para a SEMARH.
Ygo informou que estavam sendo realizados estudos e conversas com a área de planejamento do Estado para avaliar a realização de um concurso.
Ele destacou a necessidade de fortalecer o quadro técnico da secretaria, principalmente pela importância dos profissionais especializados em meio ambiente, meteorologia, recursos hídricos e outras áreas.
Mas deixou claro que, naquele momento, não havia uma data definida.
É uma informação que interessa especialmente aos estudantes e profissionais que desejam construir uma carreira na gestão ambiental pública.
E qual o legado que Ygo Costa pretende deixar?
Já caminhando para o encerramento da nossa segunda conversa, resolvi fazer uma pergunta mais pessoal.
O que faria Ygo Costa olhar para trás, quando deixasse o cargo de secretário, e dizer que valeu a pena?
A resposta foi bastante voltada ao lado humano da gestão pública.
Ele destacou o conhecimento adquirido sobre Alagoas, as experiências vividas nas comunidades e a satisfação de contribuir para melhorar a vida das pessoas.
Também falou sobre a importância de construir parcerias, fortalecer as políticas ambientais e deixar uma contribuição para as próximas gestões.
Ao final, Ygo reforçou sua visão de que o crescimento econômico precisa estar associado à responsabilidade ambiental, mencionando experiências internacionais que conheceu durante viagens de trabalho.
O que ficou dessas duas conversas?
Depois de tantas perguntas, exemplos, histórias e discussões, uma coisa ficou ainda mais evidente para mim: a gestão ambiental está diretamente ligada à vida das pessoas.
Quando falamos em água, não estamos tratando apenas de um recurso natural. Estamos falando de famílias, comunidades e produção de alimentos.
Quando discutimos coleta seletiva, não estamos falando apenas de reduzir a quantidade de resíduos nos aterros. Estamos falando também de trabalho, renda e dignidade.
Quando defendemos a arborização das cidades, estamos pensando em saúde, conforto térmico e qualidade de vida.
E quando falamos em proteger a Caatinga, estamos discutindo o futuro do nosso Sertão.
As duas entrevistas com Ygo Costa mostraram como a pauta ambiental é ampla e como ainda temos muitos desafios pela frente.
Também reforçaram algo em que acredito bastante: não podemos tratar desenvolvimento econômico e preservação ambiental como assuntos incompatíveis.
Precisamos produzir, gerar emprego, desenvolver nossas cidades e melhorar as condições de vida da população. Mas tudo isso precisa acontecer com planejamento e responsabilidade.
Foi justamente para estimular conversas como essas que criamos o Podcast AgroAmbiental.
Queremos abrir espaço para gestores públicos, profissionais, pesquisadores, agricultores, pecuaristas, empresários e todas as pessoas que, de alguma maneira, contribuem para o desenvolvimento do nosso estado.
E se uma conversa com o secretário de Meio Ambiente precisou render dois episódios, imaginem quantos outros assuntos ainda temos para discutir!
Não assistiu? Vale a pena conferir!
Se você gosta de assuntos relacionados ao meio ambiente, à agricultura, à pecuária e ao desenvolvimento sustentável, convido você a assistir às duas partes da entrevista.
Aqui consegui compartilhar apenas alguns dos temas que discutimos. Nos vídeos, você acompanha as explicações do secretário, nossas perguntas e todos os detalhes da conversa.
Primeira parte — Podcast AgroAmbiental, episódio 02:
https://www.youtube.com/watch?v=MQrCvXuWg_k
Segunda parte — Podcast AgroAmbiental, episódio 03:
https://www.youtube.com/watch?v=q4hrCk56iYc&t=70s
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Até o próximo bate-papo!




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