Publicidade
  • Santana do Ipanema, 15/08/2026
  • A +
  • A -

João Neto Felix

Orago da Capela do Monumento

Foto: Reprodução / Instagram @pnscqueimados
Orago da Capela do Monumento
Segundo o padre José Valter da Silva Santos Filho, no livro “Memórias Religiosas de Santana do Ipanema”, em 1940, o Monsenhor Manoel Capitolino de Carvalho (1872-1942) escreveu sua autobiografia relatando os feitos na paróquia de Senhora Santana, cujo trecho transcrevemos: “... Fui em janeiro de 1897, nomeado vigário de freguesia de Sant’Ana do Ipanema, onde construí a Igreja Matriz e uma capela dedicada à Nossa Senhora da Conceição....”

Padre Manoel Capitolino era natural de Piaçabuçu. Chegou a Santana do Ipanema em 1898, deixando-a em 26.01.1919. Em 1914 foi eleito intendente(prefeito) e com o falecimento do professor Enéas Araújo em 15.01.1915, assumiu a chefia política. Bem relacionado na região sertaneja, elegeu-se senador estadual, cargo que ocupou de 1915 a 1922. No exercício da vice-presidência do Senado, governou o Estado de 01 de março a 12 de junho de 1921. Sancionou a Lei nº 893, elevando a vila de Santana do Ipanema à cidade.


Capela foi construída como marco de passagem do século XX, em 1899. Deu início ao povoamento do bairro e originou o nome “monumento”. A construção, com sua torre agulhada é herança dos castelos medievais. A porta, com adereços e linha no formato ogival segue características da adaptação popular do estilo arquitetônico revivalista que surgiu no século XIX e existiu até as primeiras décadas do século XX. Baseia-se na reinterpretação do estilo românico, vigente entre os séculos XI e XIII durante a idade média europeia.

Conta-se que o príncipe regente Dom Pedro II (1825-1891), encomendou ao escultor Arthur Berenguer, natural da cidade de Minho em Portugal, um lote de imagens de Nossa Senhora da Conceição. Anos depois foi proclamada a república, inviabilizando a entrega das imagens que ficaram guardadas no Museu Nacional no Rio de Janeiro até que o Bispo Dom Antônio Souza de Sá decidiu presentar as mais prósperas paróquias criadas do Nordeste, em comemoração à passagem do século, incluindo Santana do Ipanema.

A imagem veio de navio até o porto de Recife, chegando a Maceió no caminhão do exército brasileiro. Algum tempo depois, a viagem prosseguiu de trem até Viçosa. De lá até Santana do Ipanema no lombo de jumentos, seguindo os caminhos dos tropeiros e almocreves, chegando ao sertão no dia 15.11.1899.


Embora haja fotografia da construção da matriz em 1912, em sua segunda reforma, os primeiros registros fotográficos da capela do monumento datam dos anos 30, quando já estava instalado o batalhão do II regimento para combater os bandoleiros. Em 1938, nos degraus da capela foram expostas as cabeças dos 11 cangaceiros do bando de Lampião mortos e decapitados na emboscada de Angicos em Sergipe antes de serem levados a Maceió.

Em 1952 a capela foi palco da recepção da imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima proveniente de Portugal que andou pelo Brasil.

O orago de Nossa Senhora da Assunção refere‑se à proclamação do Dogma de Fé da Assunção da Bem‑aventurada Virgem Maria aos céus em corpo e alma, publicado pelo Papa Pio XII em 1950 através da constituição “Munificentissimus Deus”. Durante séculos questionou-se se realmente a Virgem Imaculada teria morrido como todas as demais criaturas. Questionava-se se no derradeiro momento a Virgem teria adormecido como em um sono profundo e levada para junto de Deus em corpo e alma.


É possível que a mudança da devoção de Nossa Senhora da “Conceição” para “Assunção” tenha sido feita pelo Padre Fernando Medeiros (1910-1984), que foi vigário de 1947 a 1951 ou pelo Padre Luiz Cirilo (1915-1982) que foi vigário de 1951 até 1982, visto que não há registros históricos. A imagem atualmente exposta na capela guarda semelhanças à Nossa Senhora da Conceição. A solução definitiva à dúvida é celebrar as duas festas porque honra o testamento do Padre Capitolino, deixando a devoção como herança de fé ao povo sertanejo.

Até os anos 1970 a festa era grandiosa com parque de diversão instalado na praça da capela. Dona Marina Marques foi zeladora durante muitos anos. Desde 2012, grupo de tropeiros das estradas, liderado pelo santanense Mozart Brandão Barros realiza a Cavalgada de Nossa Senhora da Assunção, refazendo o percurso original em seus cavalos e burros conduzindo uma réplica da imagem de Nossa Senhora da Assunção culminando com o encerramento do tríduo da festa celebrada pela Paróquia de Senhora Sant´Ana.



COMENTÁRIOS

LEIA TAMBÉM

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login

Recuperar Senha

Baixe o Nosso Aplicativo!

Tenha todas as novidades na palma da sua mão.