Gestão digital pode facilitar adaptação ao fim da escala 6x1
Controle de ponto, planejamento de escalas e automação ajudam empresas a preparar processos para possíveis mudanças na jornada.
A aprovação, pelo Senado Federal, da proposta que prevê o fim da escala 6x1 e a redução da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais coloca um novo desafio para as empresas brasileiras: como reorganizar as equipes e manter a operação funcionando sem comprometer a produtividade e o equilíbrio financeiro?
A mudança exige mais do que rever horários. Dependendo do setor e do modelo de funcionamento, será necessário reorganizar turnos, avaliar a distribuição das equipes, revisar custos e adaptar processos de departamento pessoal. Nesse cenário, a tecnologia pode ajudar as empresas a simular alternativas, acompanhar jornadas e reduzir falhas operacionais.
Para José Ronaldo da Costa, presidente e cofundador da Alterdata,empresa líder em software de gestão empresarial, a preparação tecnológica deve fazer parte do planejamento das empresas diante das transformações no mercado de trabalho.
“Quando uma mudança na legislação exige reorganizar a jornada, a empresa precisa entender como isso afeta toda a operação. Não basta alterar os horários em uma planilha. É necessário avaliar a cobertura dos turnos, os custos, o controle de ponto e os reflexos na folha de pagamento. A tecnologia ajuda a reunir essas informações e permite que o gestor tome decisões com mais segurança”, afirma.
O impacto tecnológico: como fica a gestão de escalas?
Empresas que funcionam em horários comerciais podem ter mais facilidade para reorganizar a rotina. Já negócios com atendimento aos fins de semana ou operação contínua, como varejistas, restaurantes, hotéis e prestadores de serviços, podem enfrentar desafios adicionais para garantir a cobertura dos horários.
A gestão digital de escalas permite visualizar a distribuição das equipes, identificar períodos com falta de pessoal e simular diferentes combinações de jornadas. Com essas informações, o gestor consegue avaliar alternativas antes de implementar mudanças.
Entre os pontos que merecem atenção estão:
- Controle de ponto e jornadas: sistemas atualizados ajudam a acompanhar os horários cumpridos, identificar divergências e organizar registros de jornada.
- Folha de pagamento: a automação pode apoiar a conferência de horas trabalhadas, horas extras, adicionais e descansos, reduzindo a dependência de cálculos manuais.
- Planejamento de turnos: ferramentas de gestão permitem simular diferentes escalas e verificar como a redistribuição dos horários pode afetar a operação.
- Custos com pessoal: ao comparar cenários, a empresa consegue avaliar possíveis necessidades de contratação, remanejamento de equipes e ajustes no planejamento financeiro.
- Integração de informações: conectar os dados de ponto, departamento pessoal e folha de pagamento facilita a conferência dos registros e diminui o retrabalho.
“Quanto mais complexa é a operação, mais importante é ter informações organizadas. Uma empresa precisa saber quais horários exigem cobertura, como as equipes estão distribuídas e qual será o impacto financeiro de cada alternativa. Sem esse controle, o risco é tentar resolver um problema de planejamento com decisões improvisadas”, explica José Ronaldo.
Inteligência artificial pode ajudar a preparar as empresas?
Além dos sistemas tradicionais de gestão, a inteligência artificial pode ampliar as possibilidades de análise. Ferramentas capazes de processar grandes volumes de dados podem ajudar a identificar padrões de demanda, apontar períodos de maior movimento e apoiar simulações para a distribuição das equipes
A tecnologia também pode contribuir para automatizar tarefas administrativas, organizar informações e identificar inconsistências que precisam ser verificadas pelo departamento pessoal ou pela contabilidade.
O objetivo não é transferir decisões trabalhistas para a inteligência artificial, mas utilizar os dados disponíveis para melhorar o planejamento e reduzir o tempo gasto com atividades repetitivas.
“A inteligência artificial pode ajudar a transformar dados da operação em informações úteis para a gestão. Se a empresa consegue identificar os períodos de maior demanda e cruzar esses dados com as jornadas de trabalho, por exemplo, tem mais elementos para planejar as equipes. Mas a tecnologia precisa ser utilizada com critérios, e os resultados devem ser avaliados por profissionais que conheçam a operação e as regras aplicáveis”, afirma o presidente da Alterdata.
Preparar a operação para as transformações do mercado
Para as empresas, a recomendação é começar o planejamento antes da implementação das novas regras. O primeiro passo é mapear as jornadas atuais, identificar os horários críticos e verificar se os sistemas utilizados estão preparados para acompanhar eventuais mudanças.
Também é importante envolver as áreas de recursos humanos, departamento pessoal, contabilidade e gestão financeira. Essa integração permite avaliar os efeitos da reorganização de jornadas para além dos horários, considerando custos, produtividade e atendimento ao cliente.
José Ronaldo destaca que a preparação deve levar em conta as particularidades de cada negócio.
“Não existe uma única solução para todas as empresas. Um comércio, uma indústria e um escritório têm necessidades diferentes. O importante é conhecer a própria operação, trabalhar com dados confiáveis e avaliar os cenários possíveis antes de fazer mudanças. A tecnologia pode facilitar esse processo e ajudar a empresa a se adaptar sem perder de vista a produtividade e a qualidade do serviço”, conclui.
A aprovação da PEC pelo Senado representa um novo marco na discussão sobre a jornada de trabalho. Enquanto as etapas legais e a regulamentação aplicável precisam ser acompanhadas, as empresas já podem revisar seus processos, identificar limitações tecnológicas e preparar a estrutura necessária para uma eventual reorganização das jornadas.





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