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  • Santana do Ipanema, 04/04/2026
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Obra sobre laguna Mundaú é disponibilizada na Biblioteca Latino-Americana em SP

De autoria do arquiteto e urbanista Rubens Duarte, professor do Centro de Tecnologia da Ufal, a obra contempla um abrangente estudo sobre a laguna Mundaú e sua relação com a cidade de Maceió

Foto: Izadora Lopes
Obra sobre laguna Mundaú é disponibilizada na Biblioteca Latino-Americana em SP
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O Complexo Estuarino Lagunar Mundaú-Manguaba (CELMM) sempre foi um celeiro de pesquisas protagonizadas pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal) em diversificadas áreas, consolidando a contribuição da instituição alagoana à ciência em geral. Uma dessas colaborações é a publicação, em duas edições, do livro Laguna de encantos e desencantos, de autoria do arquiteto e urbanista Rubens de Oliveira Duarte, que fez toda a sua qualificação acadêmica na instituição alagoana e pertence ao corpo docente do Centro de Tecnologia (Ctec), unidade acadêmica do Campus A C. Simões. 

O livro traz uma análise sobre a presença da laguna no contexto da formação do espaço maceioense, e as consequências da antropização que ocorreu em seu entorno nesse percurso de tempo. Essa trajetória é marcada, por exemplo, pela sua importância no século XIX como porta de entrada da cidade dada pelos portos lagunares; ou já no século XX, como local de pouso do hidroavião ou cenário de filmes produzidos em Alagoas.

A obra apresenta um estudo abrangente sobre a laguna Mundaú e sua relação com a cidade de Maceió, desde os primórdios da ocupação do território maceioense até dezembro de 2021. Fruto do mestrado e doutorado concluídos pelo autor, na Ufal, a obra, publicada pela Editora Universitária (Edufal),  teve a primeira edição lançada em março de 2023. Para a segunda edição o livro foi revisado e ampliado e contempla estudos até 2024. O lançamento se deu durante a 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas, realizada pela Ufal, em novembro de 2025. 

O livro destaca as sutis interações entre natureza, sociedade e cidade, explorando aspectos históricos, culturais, urbanos, ambientais e sociais. É fruto de pesquisas desenvolvidas por cerca de vinte anos pelo professor Rubens Duarte e da sua  vivência na região lagunar de Maceió, onde nasceu e  foi morador. “Mais do que um registro acadêmico, o livro oferece uma reflexão crítica sobre a delicada relação entre natureza e cidade, encanto e desencanto, preservação e degradação, propondo uma leitura sensível e fundamentada do espaço urbano e ambiental de Maceió. Apresenta-se como uma ponte: de um lado está o encanto, do outro - o desencanto”, destaca.

O que também trouxe motivação  para o desenvolvimento de pesquisas que foram foco das duas pós-graduações cursadas, Rubens diz que  deveu-se à sua formação profissional. Aproveita para explicar: “Como arquiteto e urbanista, fiz também a opção pelo estudo por não haver nenhum outro mais minucioso sobre o tema que tratasse da ocupação daquela região e que tivesse passado pela transformação que a laguna Mundaú passou após a implantação do Dique-Estrada”.  Inaugurado em 14 de março de 1982, a obra foi a incorporação de ilhas da laguna ao território maceioense e proporcionou o ganho de 202 hectares na cidade, segundo Duarte, equivalente a 202 campos de futebol, e a ligação de vários bairros lagunares da região sul de Maceió.

“A partir de então, decorreram várias consequências para a urbe local. Em 2018, a região lagunar entra em evidência com problemas geológicos que atingiram o seu entorno, fazendo-se redirecionar ações da cidade para a região. Nesse contexto, a laguna responde a sentimentos de encantos e desencantos pela sua história, paisagem e ambiente natural e pela realidade presente ao longo dos anos. Dentro do foco abordado, a segunda edição traz um subcapítulo sobre o desastre ambiental, em consequência da exploração de sal-gema pela Indústria Química Braskem, que atingiu cinco bairros da capital.

Abordagem e conteúdo

A primeira edição foi composta dos seguintes capítulos: (1) A laguna Mundaú: da formação do sítio inicial de Maceió às portas de entrada para a cidade; (2) O descaminho de uma sedução: a perda de representatividade e o novo simbolismo da laguna em Maceió; (3) A laguna no século XXI, e (4) Parâmetros econômicos da valorização e desvalorização da região lagunar na cidade. Já a nova edição apresenta o texto revisado e a inserção de novas imagens. Na abordagem sobre Encantos e desencantos: permanências e novos contextos – (1) Enchentes e alagamentos; (2) O desastre ecológico da Braskem: consequências e expectativas, e (3) Projetos e ações voltados para a região lagunar de Maceió.

A nova edição apresenta o texto revisado e a inserção de novas imagens. Ampliou as reflexões em um novo capítulo: Encantos e desencantos: permanências e novos contextos – (1) Enchentes e alagamentos; (2) O desastre ecológico da Braskem: consequências e expectativas, e (3) Projetos e ações voltados para a região lagunar de Maceió.  

“A laguna e o mar foram a nossa origem”, diz Rubens Duarte

A capital Maceió é uma cidade litorânea que nasceu entre o oceano Atlântico e a laguna Mundaú, numa relação direta do seu território com suas águas. De acordo com o pesquisador Rubens Duarte, pesquisas apontam que a ocupação inicial do sítio se deu com autóctones indígenas, que habitavam a costa litorânea no século XVI. Contudo, tem-se 1609 como o primeiro registro de ocupação das terras que dariam origem a Maceió, quando se tem notícia da primeira casa de telha construída nas imediações da atual praia da Pajuçara. “O mar teve papel fundamental para o povoamento, pelo ancoradouro natural existente em Jaraguá, que possibilitou o escoamento da produção local para fora do território alagoano”, pontua.    

Nessa retrospectiva histórica, ele complementa dizendo que exatamente a laguna Mundaú no contexto do século XVIII, servia de caminho de ligação entre o porto natural e o que era produzido no interior. Esta relação fez surgir a Maceió que se incrustou inicialmente entre esses dois referenciais aquáticos, de forma simultânea, e uma situação de aproximação ou afastamento da população de forma similar. Entretanto, de acordo com o pesquisador, nas últimas décadas, as relações socioeconômicas interferiram na relação de ambos com a cidade, criando-se uma supervalorização do mar em relação à laguna.

Ele aproveita para reforçar que até a década de 1970 a laguna Mundaú tinha uma importância para a cidade de Maceió diferentemente da atualidade, mas que outros fatos também contribuíram para que aos poucos fosse afetada essa relação, como a urbanização da Pajuçara, em 1974, e a implantação da Salgema, em 1976.

“Historicamente, a relação nasceu no Centro e Jaraguá, desde quando a capital da província passou a ser Maceió, em 1839. Toda a produção de então vinha pela laguna Mundaú e a sua relação com o Porto ocasionou a mudança da capital, da cidade de Alagoas, hoje conhecida como Marechal Deodoro. Foi a primeira capital a partir da emancipação da capitania de Pernambuco em 16 de setembro de 1817”, diz o professor.

Conhecimento e colaboração

A laguna Mundaú é alimentada principalmente pela bacia hidrográfica do rio Mundaú, que nasce no estado de Pernambuco, a 140 km da capital alagoana.  Até desaguar na capital alagoana, incluindo Maceió, atravessa 15 municípios pernambucanos e 15 municípios do estado de Alagoas. Segundo o professor e, de acordo com a legislação, por pertencer a duas unidades federativas brasileiras, caracteriza-se como uma bacia hidrográfica federal. O que significa,  legalmente,  ao direito de investimentos federais para a realização de projetos em diversificadas áreas, cujo ambiente aquático configura-se também como de enorme importância como meio de subsistência para centenas de famílias, com mais de 100 mil pessoas, habitando aquela região lagunar, equivalente a cerca de 15%, da população de Maceió.

“A Mundaú não é um corpo isolado, faz parte do complexo-estuarino, compondo várias outras cidades. A laguna é um patrimônio vivo, é muito mais que cenário e paisagem. Um patrimônio, que não pode ser negligenciado. É irrelevante a sua importância histórica, nosso surgimento, enquanto cidade,  como fonte de alimento, e também para a cultura, dentre outras referências. Por exemplo, o primeiro filme rodado em Alagoas, tem cenas filmadas na laguna Mundaú. A coprodução (Brasil e França) do filme Joana, a francesa, escrito e dirigido pelo alagoano Cacá Diégues, em 1973, também tem cenas gravadas na laguna. Outra relação da laguna com a cidade foram o badalado Restaurante Bar das Ostras e o Estádio Rei Pelé”.

Divulgação 

A primeira edição do livro Laguna de encantos e desencantos teve o patrocínio do Instituto do Meio Ambiente (IMA/AL) e do Centro de Tecnologia (Ctec), da Ufal. Já a segunda edição que inclui mais um capítulo, além de recursos próprios, contou com a colaboração financeira do Laboratório de Inteligência em Extensão (Liex), vinculado ao Ctec, e apoio do Colégio Montessori, localizado na capital.  

Rubens Duarte diz que desde a primeira edição o livro vem sendo divulgado em estabelecimentos de ensino de Maceió. Debates e palestras também vêm sendo realizados para conhecimento do importante trabalho. A obra está disponibilizada na Biblioteca Central (BC) da Ufal, localizada no Campus A.C. Simões.

 Além de doação em escolas e instituições da capital e interior, como divulgação, a obra pode ainda ser encontrada na Biblioteca Latino-Americana, em São Paulo, no Memorial da América Latina – um importante complexo cultural projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, onde há 117 publicações sobre Alagoas ou de autores alagoanos.

Marcam também a sistemática de divulgação, sorteios realizados por meio do instagram e palestras em espaços vinculados à Ufal e de comercialização na capital. As atividades em abril têm o seguinte calendário: no dia 23, palestra e sorteio na sede da Associação dos Docentes da Ufal (Adufal), das 14h30 às 18h. No dia 25, das 17 às 20h, sessão de autógrafos no Espaço Café da Vó, localizado à Rua Santos Pacheco, 261, centro da cidade. Para mais conhecimento do livro, no Instagram: @maceiomarelaguna.

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