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  • Santana do Ipanema, 03/04/2026
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Vaqueiro Marcelo Fontes compartilha trajetória entre o Sertão e os Estados Unidos

Em participação no podcast Café com Muído, convidado relembra início nas pistas, desafios fora do país e defende valorização da cultura nordestina

Foto: Reprodução / Podcast Café com Muído
Vaqueiro Marcelo Fontes compartilha trajetória entre o Sertão e os Estados Unidos
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A tradição da vaquejada, o peso da família e os desafios da vida no exterior marcaram o tom de mais uma edição do podcast Café com Muído, ocorrido na última quinta-feira (1). O convidado da vez, Marcelo Fontes, apresentou uma narrativa que atravessa o Sertão de Alagoas e chega aos Estados Unidos, revelando não apenas sua trajetória pessoal, mas também reflexões sobre cultura, economia e identidade.

Durante a conversa, o convidado relembrou suas origens e a ligação com a cidade, destacando o impacto cultural dessa vivência em sua formação. Ele também ressaltou a importância do apoio de patrocinadores locais para a continuidade do projeto, evidenciando o papel do comércio e das marcas na valorização de iniciativas regionais.

Desde pequeno

A paixão pela vaquejada surgiu ainda na infância, influenciada diretamente pela família — especialmente por um tio, figura central em sua trajetória. Marcelo contou que começou a competir aos 13 anos, idade em que conquistou seu primeiro troféu em uma disputa local. Desde então, passou a trilhar um caminho dentro do esporte, acompanhando de perto sua evolução.

Segundo ele, a vaquejada mudou ao longo dos anos. Se antes era marcada pelo companheirismo e pela simplicidade, hoje se tornou mais estruturada — e também mais cara. O crescimento das competições e a divisão entre categorias elevaram o nível técnico, mas também trouxeram desafios, como a elitização do acesso.

“Hoje, para competir, é preciso investir muito. Nem todo mundo consegue acompanhar esse ritmo”, destacou o sertanejo.

Ele também observou que, apesar das mudanças, o espírito de parceria ainda resiste entre muitos vaqueiros, que frequentemente dividem prêmios e mantêm laços de amizade dentro das pistas.

Outro ponto abordado foi a evolução das regras e do cuidado com os animais. Marcelo ressaltou que atualmente existem leis mais rígidas que garantem o bem-estar dos bois e cavalos, refletindo uma adaptação da prática às exigências contemporâneas.

Rumo a Terra do Tio Sam

Aos 23 anos, em 2011, Marcelo decidiu deixar temporariamente a vaquejada para buscar novas oportunidades nos Estados Unidos. A mudança, segundo ele, foi motivada pela necessidade de crescimento pessoal e profissional. Com o apoio do tio, que já vivia no país, iniciou sua trajetória trabalhando com limpeza, enfrentando dificuldades, mas também acumulando aprendizados.

“Foi um começo difícil, principalmente pela língua e pelo ritmo de trabalho, mas foi essencial para minha evolução”, relatou.

Com o tempo, ele conseguiu se inserir em empresas maiores, ampliando suas perspectivas e conquistando melhores condições financeiras.

A rotina intensa, com longas jornadas de trabalho, também trouxe reflexões. Marcelo destacou que, apesar das oportunidades, a vida no exterior exige sacrifícios, especialmente no que diz respeito à distância da família e ao cuidado com a saúde.

“A gente ganha dinheiro, mas perde momentos importantes. Tem que saber equilibrar”, afirmou.

Ele também comentou sobre as diferenças no mercado de trabalho entre Brasil e Estados Unidos, citando a valorização da construção civil e a flexibilidade de empregos, além do impacto da pandemia, que aumentou a demanda por serviços de limpeza.

Ao longo da conversa, Marcelo compartilhou ainda experiências culturais, como visitas a cidades como Washington e Nova York, além de destacar o estilo de vida na Flórida, que, segundo ele, lembra o Brasil em diversos aspectos. Festas tradicionais americanas, como Halloween e Thanksgiving, também foram mencionadas como parte do processo de adaptação.

Mesmo com as conquistas no exterior, o vínculo com o Nordeste permanece forte. Para ele, a vaquejada é mais do que um esporte: é uma expressão cultural com grande potencial econômico, ainda subestimado.

Marcelo destacou que estados como Pernambuco já consolidaram essa força, com cidades referência no segmento, enquanto Alagoas ainda precisa investir mais em estrutura e divulgação. Segundo ele, eventos de vaquejada movimentam significativamente a economia local, impulsionando setores como hotelaria e alimentação.

“A gente tem potencial, tem vaqueiro bom, tem parque. Falta valorizar mais”, pontuou.

A participação foi encerrada com reflexões sobre a importância de compartilhar histórias reais. Para os apresentadores, cada episódio do podcast representa uma oportunidade de aprendizado e conexão com o público, reforçando o papel da comunicação na valorização de trajetórias e identidades locais.

O episódio completo está disponível no canal do Café com Muído no YouTube (você pode assistir logo abaixo). O programa vai ao ar todas as quintas-feiras, ao vivo, a partir das 20h.



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