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  • Santana do Ipanema, 21/03/2026
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Iniciativa mostra como o espaço urbano pode ser mais seguro para as mulheres

Caminhada exploratória ajuda alunas a identificar pontos de insegurança no entorno escolar

Foto: Nalú Ambrozio e Aléxia Saraiva / Ascom Seduc e ONU-Habitat
Iniciativa mostra como o espaço urbano pode ser mais seguro para as mulheres Alunas da rede estadual participam de dinâmica de cartografia coletiva, apontando desafios de segurança nos bairros de Maceió
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Três escolas estaduais da capital receberam, entre os dias 17 e 19 de março, a iniciativa Cidade Mulher. As oficinas, realizadas nas escolas estaduais Guiomar de Almeida Peixoto (Ponta Grossa), Professor Theonilo Gama (Jacintinho) e Marcos Antônio Cavalcanti (Benedito Bentes), são fruto de uma parceria entre o Governo do Estado de Alagoas, por meio das secretarias de estado da Educação (Seduc) e da Mulher (Semu), e o ONU-Habitat (Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos). A iniciativa discutiu como o espaço urbano pode ser mais seguro para as mulheres.

A ação, que integra o projeto Visão Alagoas 2030 e apoia a política estadual Alagoas Lilás, promoveu oficinas intensivas nas quais o ambiente escolar se tornou um laboratório de diagnóstico urbano. Por meio de rodas de conversa, cartografia coletiva e caminhadas exploratórias, as estudantes puderam apontar no mapa onde o ambiente urbano pode ser qualificado e receber intervenções para garantir mais segurança para meninas e mulheres.

Cidade segura para mulheres é cidade segura para todos

A metodologia da ONU parte de um princípio simples: se uma cidade é segura para meninas e mulheres, ela automaticamente se torna melhor para toda a população. Paula Zacarias, coordenadora do Visão Alagoas 2030, explica que a parceria com a Seduc foi fundamental para atingir o público jovem, que vivencia o espaço urbano de forma intensa no dia a dia.

“Nós buscamos identificar como as meninas e mulheres percebem o espaço urbano do ponto de vista da segurança. Elas se sentem seguras nos bairros que moram? No trajeto da casa para a escola?”, questiona Paula. Segundo ela, as oficinas não servem apenas para ouvir as queixas, mas para transformar essas vivências em propostas concretas para o Estado. “As mensagens que elas deixam são recados para quem está pensando a política pública, de forma que o governo atue no território de maneira conectada com as necessidades reais”, afirma a coordenadora.

O olhar de quem vive o território

No Jacintinho, o debate ganhou força com a participação da estudante Mirelle Beatriz, de 17 anos. Ela elogiou a iniciativa. “Eles trouxeram a pauta sobre a urbanização nas ruas voltada para nós, mulheres, que temos destacado a importância de levar o olhar feminino para o planejamento urbano, focando em pontos que podem receber mais iluminação e atenção”, relata Mirelle.

Um ponto alto da programação no Theonilo Gama foi a inclusão dos estudantes homens na etapa inicial de sensibilização. A ideia foi provocar a reflexão sobre o papel masculino como aliado no combate à violência de gênero. “Foi muito importante porque falamos sobre nossos constrangimentos e inseguranças. Os meninos também participaram e tiveram uma percepção bem interessante”, destaca a estudante. 

Do diagnóstico à ação

A programação de oito horas em cada escola foi dividida em etapas que foram da teoria à prática. Após as discussões sobre desigualdade de gênero, as alunas realizaram a “caminhada exploratória”, saindo dos portões da escola para observar fatores ambientais, como terrenos baldios, calçadas irregulares e pontos escuros que influenciam na sensação de perigo.

No Benedito Bentes e na Ponta Grossa, o foco seguiu a mesma linha: estimular o protagonismo juvenil. As estudantes não apenas identificaram problemas, mas idealizaram soluções e produziram materiais informativos para multiplicar o conhecimento entre os demais colegas.

Os insumos colhidos nessas oficinas agora serão transformados em relatórios técnicos que servirão de base para fortalecer a política Alagoas Lilás. Além disso, a Seduc prepara uma formação específica em abril para as Gerências Regionais de Educação (GEEs), garantindo que o tema da segurança urbana e do direito à cidade continue vivo dentro do currículo escolar.

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