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  • Santana do Ipanema, 30/01/2026
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Alagoas soma mais de 1 mil casos de leishmaniose; saiba como prevenir

No Dia Mundial das Doenças Tropicais Negligenciadas, especialista reforça a importância do diagnóstico precoce e do controle do vetor

Foto: Assessoria
Alagoas soma mais de 1 mil casos de leishmaniose; saiba como prevenir
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No Dia Mundial das Doenças Tropicais Negligenciadas, celebrado em 31 de janeiro, o alerta se volta para a leishmaniose, uma enfermidade ainda presente em todas as regiões do país e considerada um problema relevante de saúde pública em estados de clima quente e úmido, como Alagoas. Quando não identificada e tratada precocemente, a doença pode evoluir com gravidade e levar à morte, especialmente em sua forma visceral.

Transmitida pela picada da fêmea do mosquito-palha (flebotomíneo), a doença pode se manifestar principalmente de duas formas: a tegumentar, caracterizada por lesões na pele e, em casos mais graves, comprometimento de mucosas; e a visceral, também conhecida como calazar, que afeta órgãos internos como fígado, baço, gânglios linfáticos e medula óssea. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), quando não tratada, a forma visceral pode levar à morte em até 90% dos casos.

Em Alagoas, entre 2014 e 2023, foram registrados 517 casos confirmados de leishmaniose visceral. Do total, 69,4% dos pacientes evoluíram para cura, enquanto 8,9% foram a óbito em decorrência direta da doença. Os dados, extraídos do DATASUS, indicam maior concentração de casos nos anos de 2018 e 2019, seguida por uma tendência de redução a partir de 2020, com o menor número de registros em 2023.

No mesmo intervalo, o estado também contabilizou 584 casos de leishmaniose tegumentar, igualmente segundo o DATASUS, com predomínio de cura, sem registro de mortes, mas com registros de abandono de tratamento e evolução para formas mais graves. Embora apresente menor letalidade, a leishmaniose tegumentar pode causar sequelas importantes quando não diagnosticada precocemente, incluindo destruição de mucosas do nariz, boca e garganta.

Segundo a infectologista Raquel Guimarães, da Unimed Maceió, o diagnóstico precoce é decisivo para mudar o curso da doença. “A leishmaniose é uma doença negligenciada, diretamente relacionada a fatores ambientais como desmatamento e urbanização desordenada. A integração entre avaliação clínica, epidemiológica e exames laboratoriais é fundamental para confirmar o diagnóstico e iniciar o tratamento antes que ocorram complicações graves”, explica.

Na Unimed, os pacientes contam com acesso aos principais exames utilizados no diagnóstico da doença, como testes rápidos, exames parasitológicos diretos — considerados padrão-ouro —, além de métodos sorológicos e moleculares, como o PCR. O tratamento exige acompanhamento médico rigoroso, devido à toxicidade das medicações e à necessidade de monitoramento contínuo.

Sem vacina disponível para humanos, explica a médica, a prevenção da leishmaniose depende principalmente do controle do vetor e de medidas individuais e ambientais, como uso de repelentes, telas de proteção, manejo adequado do ambiente domiciliar e atenção redobrada aos sinais iniciais da doença, reforçando a importância da informação e da vigilância em saúde.

Expansão da doença e sinais de alerta que exigem atenção imediata

A infectologista Raquel Guimarães explica que, no Brasil, a leishmaniose apresenta um aumento expressivo no número de casos desde a década de 1980. Segundo a médica, a doença, que antes estava mais associada a áreas rurais e ao contato com animais silvestres, passou a atingir também áreas urbanas. “Esse processo está diretamente relacionado à presença do cão doméstico, que é considerado o reservatório epidemiologicamente mais importante da leishmaniose visceral americana”, esclarece.

Raquel Guimarães chama atenção para sinais de alerta que não devem ser ignorados na leishmaniose tegumentar, como feridas persistentes na pele que não cicatrizam, aumento ou surgimento de novas lesões e sintomas como dor, sangramento ou feridas no interior do nariz, da boca ou da garganta. “Rouquidão ou dor ao engolir também merecem investigação, pois podem indicar comprometimento de estruturas mais profundas”, orienta a infectologista.

Já na leishmaniose visceral, considerada a forma mais grave da doença, os sinais costumam ser sistêmicos e progressivos. A infectologista explica que febre prolongada, perda de peso intensa, fraqueza extrema e aumento do fígado e do baço, percebido pelo abdômen inchado ou dolorido, são sintomas frequentes. Também podem ocorrer anemia severa, palidez acentuada e sangramentos, como epistaxe ou sangramento gengival, associados à queda das plaquetas. “Esses sinais indicam uma doença potencialmente fatal, que exige diagnóstico e tratamento imediatos para evitar desfechos graves”, reforça.

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