Fábio Leite
Dia Mundial do Meio Ambiente: entre conferências, debates e a boa e velha ação local
É assim que se constrói uma cultura de respeito ao meio ambiente: começando pelas crianças, envolvendo os jovens e conscientizando também os adultos.
Na última sexta-feira, dia 5 de junho, foi comemorado o Dia Mundial do Meio Ambiente. Todo ano a data chega acompanhada de campanhas, eventos, debates e muitas publicações nas redes sociais. Mas você sabe de onde ela surgiu?
O Dia Mundial do Meio Ambiente foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1972, durante a histórica Conferência de Estocolmo, na Suécia. Naquele momento, o mundo começava a perceber que o crescimento econômico sem planejamento ambiental poderia trazer consequências sérias para as futuras gerações. A partir dali, a pauta ambiental ganhou espaço nas discussões globais e passou a influenciar governos em praticamente todos os países.
Ao longo das décadas, várias conferências importantes foram realizadas pela ONU. Tivemos a Eco-92, no Rio de Janeiro, que colocou o Brasil no centro das discussões ambientais mundiais. Vieram também o Protocolo de Kyoto, o Acordo de Paris e diversos outros compromissos internacionais voltados à conservação ambiental, à redução da poluição e ao desenvolvimento sustentável. Independentemente de concordarmos ou não com todas as decisões tomadas nesses encontros, é inegável que eles ajudaram a colocar o meio ambiente definitivamente na agenda mundial.
Por outro lado, é impossível não perceber que esses grandes eventos internacionais já não têm o mesmo impacto de antigamente. Aos poucos, muitas dessas conferências foram perdendo força, enfrentando um esvaziamento de lideranças e uma redução do interesse popular. A impressão que fica é que muitos discursos acabam não se transformando em ações concretas. Esse cenário ficou evidente até mesmo em eventos ambientais recentes realizados no Brasil, que não conseguiram mobilizar a atenção global como ocorreu em décadas anteriores.
Neste ano, as celebrações do Dia Mundial do Meio Ambiente tiveram como foco as mudanças climáticas, tema que continua ocupando espaço central nas discussões ambientais em todo o planeta. Governos, pesquisadores, organizações e a sociedade civil seguem debatendo os impactos das alterações climáticas sobre a produção de alimentos, os recursos hídricos, os eventos extremos e a qualidade de vida das populações.
Falando em mudanças climáticas, sei que entro numa área de bastante debate quando o assunto é aquecimento global. Particularmente, nunca fui adepto da ideia apresentada pela maioria dos organismos internacionais sobre o tema. Desde os tempos da faculdade de Agronomia, sempre acompanhei e admirei o trabalho do professor Luiz Carlos Molion, um dos maiores meteorologistas que o Brasil já produziu e que tem uma ligação especial com a nossa Universidade Federal de Alagoas. Molion é conhecido por contestar diversas interpretações sobre o aquecimento global de origem humana, embora defenda a existência de alterações climáticas locais provocadas por ações como desmatamento, urbanização desordenada e mudanças no uso do solo.
E é justamente aí que, na minha opinião, está um ponto de consenso. Independentemente das divergências sobre o clima global, continuamos tendo a obrigação de cuidar do meio ambiente. Precisamos proteger nossas nascentes, recuperar áreas degradadas, preservar a vegetação nativa, combater a poluição, dar destinação correta aos resíduos e utilizar os recursos naturais de forma responsável. Isso não deveria ser uma questão ideológica, mas uma questão de bom senso.
Nos últimos dias, vi nas redes sociais diversas prefeituras de Alagoas realizando ações alusivas ao Dia Mundial do Meio Ambiente. Foram plantios de mudas, palestras, atividades educativas, campanhas de limpeza e ações de conscientização. Isso mostra que, apesar das discussões globais, a transformação continua acontecendo de forma mais efetiva nos municípios.
Em Santana do Ipanema, por exemplo, a Semana do Meio Ambiente começa amanhã, dia 8 de junho, com uma programação diversificada que seguirá durante toda a semana. São ações voltadas para diferentes públicos, levando informação, educação ambiental e incentivando a participação da população.
Particularmente, considero essas iniciativas extremamente importantes. Muitas vezes, uma palestra em uma escola, uma visita a uma área de preservação, uma ação de coleta seletiva ou o simples plantio de uma árvore podem despertar uma consciência ambiental que acompanhará aquela pessoa por toda a vida. É assim que se constrói uma cultura de respeito ao meio ambiente: começando pelas crianças, envolvendo os jovens e conscientizando também os adultos.
Enquanto os grandes debates internacionais seguem seu curso, os municípios continuam fazendo aquilo que talvez seja o mais importante: agir localmente. E, no fim das contas, é no local onde as mudanças realmente acontecem.




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