Sobre Erickson Soares

Comecei a escrever para blogs em 2012. Gosto de coisas simples e bem planejadas. Pontual, e isso não é tão bom assim.


Uma Venezuela pra chamar de minha

16 setembro 2019


Foto: Ilustração

O país vizinho sofre há um certo tempo por problemas econômico, social e político a um nível que se pode declarar calamidade pública e humanitária. O Fundo Monetário Internacional – FMI, por exemplo, estima que ainda neste ano a inflação da Venezuela atinja surreais 10.000.000% (10 milhões por cento!).

Podemos considerar que a situação caótica do país tenha explodido com o Caracaço, que foi um movimento de manifestações na capital Caracas cujo o objetivo era repudiar as medidas econômicas declaradas pelo então presidente Carlos Andrés Pérez. O Caracaço ocorreu em fevereiro de 1989.

Em resposta ao Caracaço, o governo colocou tropas nas ruas contra os manifestantes, o que resultou em mais de 70 mortos e mais fúria da população. Uma das lideranças da manifestação era um tenente-coronel do exército venezuelano, chamado Hugo Chávez.

Hugo Chávez, após alguns anos, prisão e tentativas de golpes de estado, tentou chegar ao poder de forma mais convencional: formando alianças com a oposição, eleito em 1999. Começava então o chavismo.

Mas, quando a Venezuela se tornou a tão famosa “comunista”? Após uma série de medidas autoritárias, como a Lei Habilitante, o Hugo Chávez começou a governar tomando decisões por decretos e assim, distribuiu terras, estatizou reservas de petróleo e nacionalizou setores como cimento e aço. A partir daí, a oposição começou a chamá-lo de ditador.

Situação que foi cada vez mais se confirmando pelas atitudes e medidas tomadas por ele. Se tornou de fato uma ditadura chavista na Venezuela. Uma atitude marcante foi o aumento do número de juízes na suprema côrte, para que, mesmo indiretamente, ele controlasse também o poder judiciário.

Chaves se aproveitou de um momento de inflamação e revolta popular contra os governantes para se enraizar no poder. Essas revoltas sempre precisam de uma figura para guiá-las e orientá-las, ocorre em várias debandadas sociais na história da humanidade. E consequentemente, essas lideranças se apropriam do poder.

É a estratégia do “nós contra eles”, que usa de mentiras, enganação e torna o ambiente político polarizado com os nervos à flor da pele. Os líderes políticos se aproveitam da massa de manobra e estendem seus mandatos por anos e anos, mesmo que isso custe a dignidade de muitos cidadãos.

Essa polarização está sendo evidenciada em nosso País também, onde algumas lideranças surgiram se aproveitando da revolta da população. Porém, o perigo aqui é isso estar associado ao discurso de ódio, intolerâncias e o desmerecimento de pastas como educação, meio ambiente e cultura. Pastas tais que já sofriam com uma lenta evolução.

O fato que diminui um pouco a preocupação com esse cenário é que uma onda de arrependimento tem tomado vários cidadãos que, infelizmente foram enganados com a perspectiva de uma mudança revolucionária. Mas não tem problema se arrepender e reconhecer o erro. Só não pode repeti-lo, tá ok?

Comentários