Série “O Gambito da Rainha” gera importantes reflexões Lições para o ambiente organizacional podem ser tiradas da série de sucesso da Netflix.

22 nov 2020 - 15:00

Minissérie da Netflix traz boas reflexões (Foto: Reprodução / Netflix)

O Gambito da Rainha é uma minissérie da Netflix que tem recebido ótimas críticas nas últimas semanas. É uma adaptação do clássico do escritor Walter Tevis e retrata a jornada de uma jovem prodígio no universo de um esporte até então dominado pelos homens.

A série é tão realista quanto ao universo do xadrez que Garry Kasparov, um dos melhores jogadores do mundo, afirmou que nunca tinha visto uma série que respeitasse tanto as estratégias e os tempos do xadrez.

Elizabeth Harmon chega a um orfanato no final dos anos 1950, após sobreviver a um acidente de carro com a mãe e é nesse contexto que é apresentada ao xadrez. Sempre que ia ao porão limpar apagadores, se deparava com a figura do zelador, Sr. Shaibel, intrigado em frente a um tabuleiro de xadrez, jogando sozinho. A menina pede para que ele a ensine, e assim, ela vai se aperfeiçoando a ponto de vencer o próprio mentor.

Beth cria pelo xadrez uma paixão e obstinação. Faz parte das regras do orfanato que as crianças tomem tranquilizantes diariamente, o que leva a menina ao vício. Antes de dormir, sob efeito das drogas, ela passa a ‘jogar em sua própria mente’, recriando uma projeção do tabuleiro de xadrez no teto do seu quarto.

Já no segundo capítulo, a história de Beth passa a ser contada por meio da atuação da atriz Anya Taylor-Joy. Beth é adotada por um casal e com o auxílio da mãe, passa a fazer parte de inúmeros campeonatos de xadrez, construindo aos poucos, a história de uma enxadrista lendária.

Xadrez e Negócios – Relação da série com o mundo organizacional

A minissérie traz boas reflexões para o universo das organizações. Xadrez e negócios têm muito em comum. Confira os principais pontos a serem refletidos, segundo a Plano Consulting.

Esteja tão apto a aprender quanto a cometer e lidar com erros

Principalmente no início da trama, Beth demonstrava total abertura a aprender por meio dos seus adversários, mas levou um tempo para encarar a primeira derrota e quando aconteceu, era algo que não sabia como lidar.

Mas imagine se ela sempre ganhasse, se não houvesse adversários a se temer, como então esse esporte poderia se manter tão apaixonante para ela?

No decorrer da história, a personagem foi se aprimorando, foi aprendendo a lidar com adversários fortes e derrotas, tirando dessas situações sempre novos aprendizados.

Qual o intuito das complexidades, senão de abrir as portas para novos conhecimentos e oportunidades?

Na comparação entre xadrez e negócios, é clara a semelhança, quando diante de toda as pressões e incertezas, é preciso encontrar o equilíbrio, para agir estrategicamente e obter bons resultados.

Por mais habilidades que se tenha, é preciso saber trabalhar em equipe

Beth é uma jogadora excepcional, mas sozinha não teria chegado a lugar algum. O zelador Shaibel a inscreveu no primeiro campeonato de xadrez, sua mãe adotiva passou a assumir o papel de “agente”, inscrevendo a filha nos eventos de maior prestígio e seus amigos, também jogadores de xadrez, com foco em Benny e Harry, também foram essenciais, para treiná-la no enfrentamento aos maiores enxadristas do mundo.

Uma habilidade sozinha não é o bastante para as maiores transformações, a cultura de colaboração é fator primordial. Habilidades unidas podem fazer acontecer projetos grandiosos.

Cuidado com o conforto em seu contexto

Sempre que a jogadora se sentia “confortável”, ganhando as competições e em posição de prestígio, novos opositores surgiam para desafiá-la.

É sempre momento para desafiar a si mesmo. Aqui na Plano, faz parte de nossa comunicação interna, com parceiros e clientes, propor “provocações” em nossos diálogos, porque sem elas, não nos desafiamos a fazer diferente, a fazer coisas novas, a nos reciclar enquanto pessoas no âmbito pessoal e profissional.

Lide primeiro com as próprias fraquezas

Xadrez e negócios têm uma relação impressionante e na série sempre que a enxadrista perdia ou vencia uma partida, estudava aquele jogo e não só os jogos dela, mas os jogos dos demais competidores.

Essa análise a ajudava a identificar as próprias fraquezas e as fraquezas e forças de seus adversários. Era assim que Beth ia se destacando e ganhando prestígio.

Organizações que se mantêm nesse mundo VUCA, cheio de complexidades, lidam primeiro com as próprias fraquezas e jamais ignoram as fraquezas e forças dos principais concorrentes. Recorrer ao passado para compreender o HOJE é essencial.

União da intuição com o domínio das técnicas

Quando Beth passou a estudar cada vez mais o jogo dos maiores enxadristas do mundo e daqueles que seriam os seus adversários, influências dos jogadores, estratégias específicas e mais utilizadas por determinados oponentes, se viu no desafio de aprender a separar a importância do domínio das técnicas do uso da própria intuição.

Quando ela focava apenas em jogar baseando-se em técnicas, embora funcionasse jogando com a maioria dos adversários, via que não era o suficiente com os mais desafiadores oponentes, que além das estratégias, também se utilizavam da intuição no momento das jogadas.

Isso leva à reflexão de que é fundamental dominar as técnicas, mas fazer o uso da intuição, do sentir, do perceber, isso leva a uma analogia com a metodologia do Sensemaking, em que é preciso reunir aquilo que já se sabe sobre um negócio com hipóteses que ainda precisam ser testadas. Esse teste de hipóteses não envolve apenas aplicação de técnicas, mas também, um posicionamento intuitivo.

O desafio de se nortear pela intuição é conseguir discernir aquilo que é momentâneo, movido a emoções, daquilo que vem de uma percepção singular, movida a sensibilidade, que gera uma ação assertiva.

Por Assessoria / Plano Consulting

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