Repudiar a intervenção militar na Síria e defender a soberania do povo

10 set 2013 - 20:48

A maioria da população dos EUA se opõe à investida militar encabeçada por Barack Obama.

O mundo está atento às declarações do governo estadunidense acerca da intervenção militar na Síria nas últimas semanas, que leva a justificativa de que o governo deste país atacou seu próprio povo com armas químicas. Na última semana, a Organização das Nações Unidas – ONU esteve no país fazendo pesquisas acerca da veracidade desses fatos.

É importante salientar que a Síria é um dos países do Oriente Médio que não se alinha aos EUA e em muitos momentos se coloca contra a sua política aplicada na região. Mas o processo de isolamento e as tentativas de subjugar a Síria por parte dos EUA não são recentes. Em 2012, no interior das reuniões da ONU as sanções apresentadas contra o governo Sírio de Bashar Al Assad foram vetadas três vezes em 9 meses pela Rússia e pela China. Segundo documentos divulgados pela Wikileaks, os EUA tem objetivo de derrubar Assad desde 2006.

Baseado na estratégia militar dos Estados Unidos no Oriente Médio, buscando submeter os países aos seus ditames, a intervenção militar dos EUA tem como objetivo central a manutenção da sua hegemonia imperialista na região, garantindo sua influência e direção política dos países que não são seus “aliados” e o saqueio de riquezas naturais, como foi caso da intervenção militar no Iraque, no Afeganistão e a ofensiva contra a Líbia que culminou com o assassinato de Muamar Kadafi.

Os gastos militares dos EUA lideram a lista dos gastos públicos do Governo Obama, sendo que somente nos anos de 2011 e 2012 se registrou um total de 682 bilhões de dólares. Os EUA são responsáveis por 39% dos gastos militares de todo o globo. Através da política chamada “antiterrorista” e a doutrina de “segurança nacional” o governo dos EUA tem, desde 2001, justificado invasões e guerras contra países e seus povos. Em 2001, houve a invasão do Afeganistão pelos EUA, de 2003 a 2011 a Guerra contra o Iraque, em 2006 a guerra contra o Líbano e a Palestina encabeçada por Israel com apoio dos EUA, de 2008 a 2009 mais uma guerra contra a Palestina dirigida por Israel e apoiada pelos EUA e em 2011 a guerra contra a Líbia encabeçada pela OTAN. Em todas essas situações de guerras criadas pelos EUA, os países seguem sem solução militar para os conflitos, num constante agravamento e sofrimento para os povos daqueles países.

A tática do império se repete: em 2003 sob a acusação de possuir armas de destruição em massa, o Iraque foi atacado sem a aprovação da ONU pelo então presidente Bush. Hoje, já foi comprovado que as provas apresentadas pelos EUA à invasão eram falsas e que o que estava por trás da intervenção era a busca pela expansão territorial, o saque de recursos naturais, que no caso do Iraque era a abundância de petróleo, e a submissão do país à política imperialista.

Pesquisas dizem que 60% da população dos EUA é contra a intervenção militar à Síria, segundo o jornal Washington Post. Na França, que também tem participado dos diálogos para a formação da coalizão militar contra a Síria, segundo o jornal Aujourd’hui en France-Le Parisien, 64% dos entrevistados são contra a agressão (pesquisas realizadas no início de Setembro).

Dessa vez a história se repete como farsa, os EUA antes de declarar que irão invadir a Síria estavam financiando o exército livre sírio com armamentos e munições, buscando desestabilizar o país desde dentro. Nada fora do comum para as táticas truculentas do império. No entanto, os EUA não tiveram o sucesso desejado na Síria e declararam que estavam retirando seu apoio. Dia 21 de Agosto, após um ataque com armas químicas efetuado na Síria, o governo de Obama declara que irá invadir o país sob a suposta acusação de que o presidente do país teria atacado os civis. É claro que os EUA necessitavam de um bode expiatório para buscar um consenso dos países do globo para a invasão, e nada melhor do que causar sofrimento em inocentes para despertar a ira coletiva. Não é de se duvidar nem por um segundo que esse ato violento contra a população Síria tenha sido feito a mando dos EUA ou por seus próprios agentes no país.

A investida dos EUA no Oriente Médio tem o claro objetivo de chegar ao Irã, principal pedra no sapato do imperialismo para deter o completo controle sobre a região.

O momento histórico em que vivemos é complexo e demanda muita reflexão e ação, é necessário tomar a essência dos fatos e analisar concretamente a realidade. A verdade é que este caduco sistema em que nos encontramos é irracional e tem como máxima a expansão e a acumulação de capital. O papel cumprido pelos EUA, de nação imperialista, buscando colonizar, usurpar, invadir países é próprio de uma fase de desenvolvimento do capitalismo monopolista e da crise estrutural deste mesmo sistema que encontra na guerra uma forma de elevar em médio prazo a taxa de lucro, uma saída, portanto, de sobrevida para o capital embora demasiadamente torpe para a humanidade.

Solidarizamo-nos profundamente com o povo Sírio e seguimos na luta contra o império genocida dos Estados Unidos.

Fazemos coro com o Partido Comunista Sírio: A Síria não se ajoelhará! Todo poder ao povo Sírio!

Fonte: Voz Operária, N 20.

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