Reeducando aproveita oportunidade e constrói um futuro digno trabalhando

01 jan 2017 - 05:14


Edjânio Lopes resgata seus valores sociais e consegue sustentar sua família; mais de 500 trabalhadores estão inseridos nos convênios do setor de Reintegração Social.

Conquistas profissionais não foram as únicas realizações alcançadas desde que Edjânio Lopes progrediu para o regime semiaberto (Foto: Jorge Santos)

Conquistas profissionais não foram as únicas realizações alcançadas desde que Edjânio Lopes progrediu para o regime semiaberto (Foto: Jorge Santos)

Em meio a um amontoado de caixas de documentos e móveis para conserto, percebe-se olhos atentos e um semblante compenetrado. O silêncio só é rompido quando alguma orientação no serviço desenvolvido pela equipe se faz necessária. Quem observa Edjânio da Silva Lopes, de 31 anos, tão seguro e ambientado no trabalho de supervisor, não imagina que há seis anos a realidade em sua vida era totalmente diferente.

O que para algumas pessoas seria o fim, para Edjânio Lopes representou um recomeço. No sistema prisional, o reeducando que agora cumpre pena no regime semiaberto, aproveitou o tempo recluso para estudar e participar de cursos profissionalizantes. A decisão mudou sua vida. Há dez meses, Edjânio começou a trabalhar na Secretaria da Fazenda e hoje já é responsável por supervisionar os serviços de outros sessenta custodiados contratados pela pasta.

“Foi difícil ficar longe da família, mas minha passagem pelo sistema prisional serviu para aprender muita coisa. Lá eu fiz curso de auxiliar administrativo, empreendedor individual e operador de áudio. Também tive a oportunidade de trabalhar na Oficina de Serigrafia que funciona dentro do presídio, nas Fábricas Pré-Moldados Alagoas e na Bonsono, onde pude assumir meu primeiro cargo de chefia”, destacou Lopes.

Edjânio afirma orgulhoso que nunca faltou a um dia de trabalho. “Só atuo como supervisor porque perceberam que eu tenho compromisso com as tarefas que realizo. Sou grato pela oportunidade que recebi e agarrei com unhas e dentes, sempre dando o meu melhor. Espero que novas vagas sejam abertas e que outros custodiados tenham a mesma sorte que eu tive”, explicou o reeducando que supervisiona pedreiros, jardineiros, copeiros, porteiros, dentre outros profissionais.

Poucos conhecem a sua vida pessoal, mas E. Lopes faz questão de lembrar que as conquistas profissionais não foram as únicas realizações alcançadas desde que progrediu para o regime semiaberto. Com o equilíbrio financeiro proporcionado pelo trabalho, ele pôde casar e, junto com a esposa, espera a chegada da sua primeira filha.  “Quero oferecer para ela o melhor que estiver ao meu alcance. Hoje, vejo o trabalho como um meio de conseguir isso”, disse.

A previsão é que Edjânio permaneça no regime semiabeto até 2019. Ao progredir para o regime aberto, o reeducando não poderá mais participar dos convênios. Entretanto, ele garante que as oportunidades agarradas serão fundamentais para lhe dar segurança e confiança para enfrentar o mercado com boas perspectivas de futuro.

“O emprego é o ponto de partida do recomeço, pois é através dele que conquistamos estabilidade. Tenho experiência em várias áreas e me sinto preparado para continuar trabalhando quando não receber mais a assistência da Secretaria da Ressocialização e Inclusão Social (Seris)”, declarou Lopes.

Convênios – Oportunidade como a ofertada para Edjânio Lopes só pode ser viabilizada graças ao iniciativo da Seris que capta parcerias para a formação de convênios, responsáveis por acolher a mão de obra de reeducandos dos regimes aberto e semiaberto. Atualmente, mais de 500 trabalhadores estão inseridos nos convênios.

 “Quanto mais oportunidades esse programa gerar, quanto mais for ampliado, melhor. Muitas pessoas cometem crimes por não ter uma oportunidade de trabalho. Tenho o sonho de fazer um curso de mecânica, mas se surgir uma oportunidade de continuar na Fazenda eu agradeço. O importante é continuar trabalhando”, concluiu Edjânio Lopes. 

Por Maysa Cavalcante / Agência Alagoas

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