Racismo no futebol: buscas por casos como o de Vini Jr disparam no Google A informação é da plataforma Google Trends, com base nas pesquisas realizadas nas últimas quatro horas.

Assessoria

22 Maio 2023 - 10:56


Foto: Reprodução / Instagram / Vini Jr.

Segundo informações da plataforma Google Trends, que analisa as buscas dos usuários na rede e mostra o que é tendência no momento, nas últimas 4 horas houve um aumento considerável por termos como “casos de racismo no futebol” e “Espanha racista”, que cresceram mais de 250% e 120%, respectivamente. O motivo está no ataque que o jogador Vinícius Júnior, do Real Madrid. sofreu no último domingo em partida contra o Valencia, pelo Campeonato Espanhol.

De acordo com informações do site Ge.globo, o jogador foi chamado de “macaco” por parte de torcida pelos torcedores presentes no estádio Mestalla, casa do time rival. Isso após o atleta, cuja origem é do Flamengo, reclamar do aparecimento de uma uma segunda bola em campo (a princípio, jogada pela torcida) durante uma jogada que ele realizava. Na ocasião, o Valencia vencia o confronto por 1×0. 

A partida foi paralisada por 8 minutos depois que Vini Jr. denunciou o caso e, após com a bola rolando, o goleiro do time adversário partiu pra cima do brasileiro e, no meio do empurra-empurra, o atacante Hugo Duro, também do Valência, deu um mata-leão no jogador do Real Madrid. Na ocasião, para se livrar do ataque, o jogador acabou acertando o rosto do adversário e, minutos depois, o árbitro Burgos Bengoetxea expulsou o jogador brasileiro após uma recomendação do VAR. 

“O prêmio que os racistas ganharam foi a minha expulsão! “Não é futebol, é LaLiga”, disse o jogador em um um story no Instagram após o fim da partida, em referência ao slogan da liga espanhola de futebol.

“Não foi a primeira vez, nem a segunda e nem a terceira…”

Após a postagem nos stories, Vinicius Jr. fez uma postagem mais longa na rede social, apontando pela primeira vez a possibilidade de deixar a Espanha por causa dos seguidos casos de racismo. Vale lembrar que, atualmente, o time do Real Madrid conta com outros jogadores negros, mas todas as ofensas até estão tem sido direcionadas para o craque, que teve sua origem nas categorias de base do Flamengo, do Rio de Janeiro. 

“Não foi a primeira vez, nem a segunda e nem a terceira. O racismo é o normal na La Liga. O campeonato que já foi de Ronaldinho, Ronaldo, Cristiano e Messi hoje é dos racistas. Uma nação linda, que me acolheu e que amo, mas que aceitou exportar a imagem para o mundo de um país racista. Lamento pelos espanhóis que não concordam, mas hoje, no Brasil, a Espanha é conhecida como um país racista. E, infelizmente, por tudo o que acontece a cada semana, não tenho como defender. Eu concordo. Mas eu sou forte e vou até o fim contra os racistas. Mesmo que longe daqui”, disse o atleta. 

Casos semelhantes

1 – Insultos racistas a Marcelo (2011):

Em 2011, o lateral brasileiro Marcelo (hoje no Fluminense, do Rio de Janeiro) foi vítima de racismo na Espanha. De acordo com o jornal “Marca”, a torcida do Barcelona (principal rival no país) pegou no pé do jogador do Real Madrid e imitou barulhos de macaco após o lateral dividir uma bola com Messi (hoje no Paris Saint Germain – PSG).

Na época, fazia pouco tempo que Marcelo havia sido vítima de outro episódio de racismo. Desta vez, foi em confronto contra o Atlético de Madrid, pelo Campeonato Espanhol. 

2 – Incidente da banana com Dani Alves (2014):

Durante uma partida entre Villarreal e Barcelona, em abril de 2014, um torcedor do Villarreal atirou uma banana em direção ao lateral brasileiro Dani Alves. Em um gesto poderoso, Alves pegou a banana, comeu-a e continuou jogando.

O incidente ganhou ampla cobertura midiática e gerou indignação global. Como consequência, o Villarreal identificou e baniu o torcedor responsável do estádio por toda a vida, e várias campanhas foram lançadas para combater o racismo no futebol.

3 – Neymar: Pelo Barcelona, jogador ouviu gritou racistas toda vez que pegava na bola (2016)

Nessa partida, o atacante brasileiro Neymar, que na época jogava pelo Barcelona, foi alvo de insultos racistas por parte de torcedores do Espanyol. Os gritos racistas foram direcionados a Neymar cada vez que ele tocava na bola, criando um ambiente hostil e ofensivo.

Esse incidente provocou indignação tanto dentro quanto fora do campo e recebeu ampla cobertura da mídia. As autoridades esportivas e o Barcelona exigiram uma ação imediata e a aplicação de medidas disciplinares contra os responsáveis. 

4 – Brasil x Argentina, no Mineirão, pela Copa América de 2019

Em partida pela semifinal da Copa América de 2019, um torcedor argentino, posteriormente identificado como Anderson Batista, imitou um macaco durante a comemoração do gol do atacante Gabriel Jesus.

Como consequência, Anderson foi preso por injúria racial e, visivelmente abalado, chorou bastante e pediu perdão enquanto estava algemado. No entanto, não há informações disponíveis sobre os desdobramentos ou o andamento do caso após a prisão.

5 – Internacional x Corinthians, no Rio Grande do Sul, pelo Campeonato Brasileiro de 2022

Durante o empate em 2 a 2 entre as equipes, em lance próximo à lateral esquerda, o jogador Edenílson, do Internacional, afirmou ter ouvido ofensas racistas por parte do jogador português Rafael Ramos. Que negou  o acontecimento. 

Depois do confronto, Edenilson registrou boletim de ocorrência na Polícia Civil. No entanto, o laudo pericial do Instituto Geral de Perícias (IGP) do Rio Grande do Sul, não conseguiu identificar a injúria na fala de Rafael.

De acordo com o documento, não foram vistos movimentos compatíveis com a palavra “macaco”. Nas redes sociais – e em campo -, Edenílson protestou o resultado da investigação.

Caso Vini Jr: Repercussões

Em entrevista durante entrevista coletiva após o G7, no Japão, o presidente Lula apontou que Não podemos permitir que o fascismo e o racismo tomem conta dentro de um estádio de futebol.”

Já Silvio Almeida, ministro dos Direitos Humanos, apontou que “a postura das autoridades espanholas e das entidades que gerem o futebol é criminosa”.

Na Igualdade Racial, a ministra Anielle Franco lamentou esse caso e disse que irá notificar as autoridades espanholas e apontou que “Vamos trabalhar para superar todo o odioso racismo que jogadores brasileiros ainda sofrem dentro e fora dos campos e das quadras”.

Para entender mais sobre esse assunto, confira informações exclusivas sobre o caso Vini Jr. de racismos no futebol no portal Jogo Hoje.

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