Projeto da Ufal ensina alunos de escolas públicas a coletar dados de chuva

05 fev 2019 - 22:31

Pluviômetro de garrafa PET feita no projeto (Foto: Arquivo pessoal)

Medir a chuva pode ser uma ação com várias utilidades e que muitos têm curiosidade de fazer, mas poucos sabem como. Realizada muitas vezes por estações meteorológicas oficiais do Governo, as medições são feitas por instrumentos chamados pluviômetros, que normalmente possuem um custo elevado e especificações técnicas bem determinadas pela Organização Meteorológica Mundial.

Sendo assim, a coleta de dados fica impossibilitada para muitos. Mas na Universidade Federal de Alagoas (Ufal) existe um projeto que visa engajar alunos na construção de pluviômetros de baixo custo, feitos com materiais acessíveis a boa parte da população.

Coordenado pelo professor Fabrício Daniel, do Instituto de Ciências Atmosféricas (Icat), o projeto intitulado Manuseio de banco de dados pluviométricos a partir da construção, instalação e coleta de dados diários de chuva em pluviômetros de baixo custo por alunos do ensino básico de três escolas municipais de Maceió, inclui a participação de professores e alunos da própria Ufal, além de integrantes importantes: os estudantes de escolas públicas.

“Tem uma coisa que vem ao longo dos anos já, que é uma metodologia para a construção de pluviômetros de uma forma que você gaste pouquíssimo dinheiro. No nosso projeto, os pluviômetros são construídos a partir de garrafas PET e a medição da chuva pode ser feita na própria garrafa”, informou Fabrício. 

Materiais simples, grande projeto 

Um pluviômetro comum teria uma proveta calibrada, mas no projeto em questão a chuva é medida na própria garrafa PET. Devido aos relevos do fundo da garrafa, bolinhas de gude ou britas são utilizadas para que o nível fique regular e a calibração saia correta. A medição é feita com até 150mm de água de chuva acumulada na garrafa e a medição é feita através de uma escala que pode ser colocada no próprio recipiente ou com uma régua.

“Os materiais são simples, não chega nem a R$ 5 por pluviômetro, tanto é que a gente faz isso pelos nossos próprios meios financeiros, a gente nem chegou a pedir apoio para comprar material para o projeto. O único apoio que a gente pediu foi realmente a bolsa de extensão dos alunos”, destaca.

Pluviômetro de garrafa PET feita no projeto (Foto: Arquivo pessoal)

Com uma duração de, em média, 18 meses, é realizado um trabalho inicial com os estudantes para que conheçam a metodologia de uma forma mais geral. São atendidas três escolas públicas da rede estadual, todas próximas ao Campus A.C. Simões.

Os professores e alunos bolsistas vão a essas escolas e tentam quebrar o esteriótipo de que meteorologia lida apenas com previsão do tempo, apresentando a metodologia científica, pouco conhecida.

Apesar da ideia inicial, de colocar os pluviômetros nas escolas, vários fatores impedem essa parte do projeto, fazendo seus membros partirem para outra abordagem: a de instalar os equipamentos nas casas dos alunos das escolas participantes. O professor Fabrício apontou o fechamento das escolas durante o final de semana e o descuido com o equipamento como motivos para não deixar os pluviômetros nos ambientes escolares.

“Espera-se que a Meteorologia seja reconhecida e passe a integrar o rol de cursos que os alunos do ensino médio pretendam cursar na Ufal. Além disso, o projeto reforça nos alunos de extensão conceitos básicos de física, matemática e estatística, pois a construção do pluviômetro, medição da chuva e utilização dos dados necessita conhecimento nestas áreas”, ressaltou o professor do Icat, Helber Barros, que compõe o projeto desde o início.

Mas ensinar os mais jovens sobre meteorologia e medir o nível da chuva não são apenas os únicos objetivos. Os dados coletados são comparados com os da estação oficial do Instituo Nacional de Meteorologia, que fica no próprio campus de Maceió, e o banco de dados inicial é constituído. Agora em 2019, segundo o coordenador do projeto, uma das metas é também trazer os estudantes das escolas para o laboratório de informática, para que aprendam a manusear os dados pluviométricos.

Por dentro do projeto 

Existem posições e funções determinadas dentro do projeto, como as dos professores, bolsistas e alunos do ensino médio. Os professores podem realizar palestras e acompanhar os estudantes das escolas quando vão até os laboratórios do Icat para utilizar os dados coletados dos pluviômetros.

A interação entre professores e alunos de extensão também é boa, visto que já possuem um contato em sala de aula, nas disciplinas do curso de Meteorologia. Os bolsistas, por sua vez, têm a função de estudar como construir, instalar e coletar os dados dos pluviômetro, que posteriormente serão utilizados pelos alunos das escolas.

“Também preparo e exponho palestras sobre meteorologia, sua estrutura curricular, perspectivas de emprego, áreas de atuação do meteorologista, a fim de incentivar alunos do 2º e 3º ano médio a se interessar em, talvez, cursar Meteorologia na UFal”, explicou Matheus Leite, um dos bolsistas, que também acompanha os professores nas palestras e afirmou gostar da iniciativa do projeto.

Por Pedro Ivon / Estudante de Jornalismo / Assessoria Ufal

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