Sobre Amanda Araújo

Amanda Araújo Mendes é proprietária e enfermeira do consultório de enfermagem CuraDerme situado em Santana do Ipanema (Alagoas). Formada em enfermagem pela Faculdade Cesmac do Sertão, também bacharela em administração pública pela Ufal. Possui especializações na área de gestão em saúde pública e urgência, emergência e terapia intensiva. Já atuou como enfermeira no Hospital Regional de Santana do Ipanema e atenção básica do mesmo município. Fez parte do corpo docente dos cursos da escola técnica de saúde Valeria Hora e atualmente é docente do Divino Cursos.


Porque a vasectomia ainda é cercada de mitos e tabus?

13 julho 2020


Foto: PublicDomainPictures
/ Pixabay

Durante um atendimento de pré-natal fui indagada pela paciente com a seguinte pergunta: Como faço para me operar e não ter mais filhos? Seguindo o atendimento e conversa, soube que ela já estava em sua quarta gestação não planejada, e se mostrava totalmente decidida a não ter mais filhos.

Segui explicando que a cirurgia que “opera a mulher” para não ter mais filhos, não tem como ser realizada no parto pois não é permitido pelo SUS mesmo que a mulher já esteja enquadrada nos critérios que permitam a laqueadura. 

Hoje, a lei proíbe a realização da laqueadura na mulher durante o parto. Caso seja ele uma cesariana, pela lei, a mulher só pode fazer o procedimento 42 dias após o parto, o que inviabiliza e dificulta bastante as mulheres que dependem do SUS. Ela deverá passar por avaliação, esperar vaga, submeter novamente ao procedimento cirúrgico e pós operatório.

Decidi então falar pra ela conversar com seu esposo, para que ele fizesse a vasectomia. Este trata-se de uma cirurgia bem mais simples, em comparação a laqueadura. Ela é realizada em ambulatório, não precisa internação hospitalar e no mesmo dia o homem volta às suas atividades diárias, com pequenas restrições. Mas a mulher foi direta: meu marido tem medo dessa cirurgia.

Ao ouvir essa fala, logo percebi o quanto ainda existe um grande tabu e preconceito dos homens com relação a vasectomia. Mitos e desinformação marcam esse assunto, como o receio da impotência sexual após a cirurgia. A maioria dos homens ainda pensa que esse procedimento vai interferir na sua masculinidade e virilidade.

A vasectomia é um método de contracepção eficiente e seguro. O procedimento é bastante simples e feito com anestesia local. Consiste em cortar e ligar dois pequenos tubos que saem de cada um dos testículos e por onde passam os espermatozoides no momento da ejaculação. Dessa forma, eles não conseguem chegar ao corpo da parceira.

Após 60 dias da pequena cirurgia o homem deve realizar um exame chamado espermograma para certificar – se que não há mais espermatozoides na ejaculação. A vasectomia é uma cirurgia que a princípio é definitiva, porém, pode haver o processo reversão que já não é tão simples como a principal e depende da avaliação do urologista.

Quebrando alguns mitos:

– O homem que se submete à vasectomia continua ejaculando normalmente.

– A vasectomia também não altera a produção do hormônio masculino, a testosterona, nem altera a ereção e a micção. 

– Não há qualquer alteração na libido (desejo sexual) e na virilidade. 

Esse texto tem o propósito de mostrar como a sociedade ainda tem uma visão machista de que somente a mulher deve ser responsável pela condução dos métodos contraceptivos para evitar gestações indesejadas. Mostro aqui que o processo de contracepção do homem é muito mais simples, rápido, barato e com menor tempo de recuperação.

Precisamos desmistificar esse pensamento antiquado e essa falta de informação e quebrar esse medo que os homens têm de se submeteram a um procedimento, achando que isso irá interferir no seu desempenho sexual. Somente levando informação podemos quebrar esses paradigmas aos poucos.

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