Polícia vai chamar ex-jogadores para depor sobre esquema de venda ilegal de ingressos da Copa

03 jul 2014 - 16:10


Polícia desarticula esquema de venda ilegal de ingressos para a Copa (Crédito: Hudson Pontes / Agência O Globo)

Polícia desarticula esquema de venda ilegal de ingressos para a Copa
(Crédito: Hudson Pontes / Agência O Globo)

 Segundo o delegado Fábio Barucke, atletas serão chamados na condição de testemunhas, por terem ligação com argelino que comandava quadrilha internacional de cambistas. No entanto, Barucke não revelou os nomes dos ex-jogadores envolvidos no caso.

Ex-jogadores de futebol brasileiros serão chamados pela polícia do Rio para depor sobre uma quadrilha internacional que vendia ingressos da Copa desde 2002. Nesta terça-feira, 11 pessoas foram presas por integrar o esquema, entre eles o franco-argelino Mohamadou Lamine Fofana, apontado como chefe do grupo. Segundo o delegado do caso, Fábio Barucke, os atletas tinham ligações com Fofana.

“Ele (Fofana) também é intermediador de jogadores. Circula no meio de futebol por ter conhecimento, e acessa pessoas de poder. Cedeu muitos ingressos para esses jogadores, de forma gratuita. Fez festa na Lagoa para eles e distribuiu os ingressos”, conta o delegado.

Ainda de acordo com Fábio Barucke, a relação dos atletas com o franco-argelino seria de amizade. No entanto, de 50 mil escutas telefônicas da investigação, 25 mil ainda precisam ser analisadas, e, só então, a polícia divulgará a lista dos ex-jogadores que serão chamados para depor, na condição de testemunhas.

Fofana tinha ligações com um membro da Fifa, com quem conseguia ingressos valiosos, de camarotes. A polícia não quis divulgar o nome do funcionário da entidade. Segundo o delegado Fábio Barucke, o franco-argelino tinha um cartão de estacionamento de livre acesso ao Copacabana Palace, onde membros da federação estão hospedados. Lá, se reunia com seu contato.

“Ele se reunia (com o membro da Fifa) todas as vezes em que lhe eram solicitados bilhetes. Ligava para essa pessoa, ia para o Copacabana Palace e conseguia os ingressos.”

Fofana está hospedado em um apartamento de Júnior Baiano. O estrangeiro tem um escritório em Genebra, na Suíça, e também transitava por países como França, Dubai e Estados Unidos. As negociações de bilhetes atingiam cifras muito altas:

“Numa só negociação que fez, Fofana vendeu 22 lugares por R$ 500 mil. Ele vende ingressos que não chegam na mão de qualquer um”, ressalta Fofana.

A polícia desarticulou a quadrilha após investigar cambistas que atuavam no entorno do Maracanã durante o Campeonato Brasileiro deste ano. Os agentes foram levados até um brasileiro, Antônio Henrique de Paula Jorge, dono de uma empresa de turismo de fachada, que mantinha negócios com Fofana.

Por CBN

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