Pesquisadores fazem mergulho científico para avaliar impacto do óleo em Alagoas Foco da atividade foi em organismos sensíveis ao óleo, como corais, esponjas e poliquetas, que filtram alimento na água.

31 out 2019 - 18:47

Neon goby, exclusiva dos recifes brasileiros e ameaçada de extinção no coral casca de jaca saudavel (Foto: Assessoria Ufal)

O professor da Unidade Educacional de Penedo da Ufal e coordenador do Laboratório de Ictiologia e Conservação, Cláudio Sampaio, realizou mergulhos científicos no último  final de semana para avaliar o impacto do óleo no litoral alagoano.

“Buscamos sinais de óleo nas tocas, reentrâncias e buracos profundos dos recifes, tanto na região rasa de piscinas e poças de maré até a profundidade máxima de cem metros, inclusive na região arenosa adjacente ao recife, contudo, sem vestígios ou sinais do petróleo na área”, destacou.

O pesquisador também acrescentou que “durante o trajeto até os recifes, observamos a superfície do mar e aves marinhas, como as andorinhas do mar, espécie migratório em nossa região, sem registrar manchas de óleo”. 

Sampaio explicou: “O mergulho científico foi realizado com sucesso, embora a água estivesse um tanto turva, conseguimos acessar grandes tocas, reentrâncias e buracos nos recifes do Baixios de Don Rodrigues, um lugar que tem rara beleza, além de grande importância histórica e ecológica. Essa região apresentou uma boa cobertura de coral, sua grande parte saudável e sem sinais de doenças ou branqueamento em massa”, informou. 

O foco do mergulho, de acordo com o professor, foi em “organismos sensíveis ao óleo, como corais, esponjas e poliquetas ‘árvore de Natal’ que filtram seu alimento na água. Demos atenção especial para organismos ameaçados de extinção como os peixes Grama e Neon Goby, além de peixes carnívoros e crustáceos como moreias, ciobas, sirigados, paguros e lagostas, todos de grande importância econômica e sem sinais de estresse”, ressaltou. “Coletamos material para a professora Taciana Kramer, do Laboratório de Ecologia Bentônica da Unidade Penedo, que examinará os invertebrados que vivem na areia da praia das Barreiras de Coruripe, uma das praias atingidas pelo petróleo na região”, acrescentou. 

O supervisor do Projeto Meros do Brasil, Tiago Albuquerque, e o bolsista de iniciação científica, Márcio Lima Júnior, acadêmico de Engenharia de Pesca da Ufal Penedo, também apoiaram as atividades do mergulho. “Destaco a colaboração da Prefeitura Municipal de Coruripe, da Agência Fluvial da Marinha do Brasil, em Penedo, do IMA de Alagoas e do Projeto Meros do Brasil pelo apoio nessa atividade. Também lembro da disponibilidade da Ufal em realizar capacitações de voluntários, inclusive, para monitoramento de praias, recifes e estuários, além de atividades econômicas relevantes, como a pesca e o turismo, para a região”, finalizou Sampaio.

Por Assessoria Ufal

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