Pesquisa sobre Caatinga mostra impacto da seca de 2012 a 2016 O artigo também descreve a seca plurianual, considerado os cinco anos mais críticos em relação ao total de chuvas, desde 1901.

09 jan 2019 - 14:00

Vegetação da Caatinga. (Foto: Arquivo do pesquisador)

O pesquisador Humberto Barbosa, coordenador do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis/Ufal), acaba de publicar um artigo inédito no Journal of Photogrammetry and Remote Sensing(ISPRS), um dos periódicos científicos de maior impacto na área de sensoriamento remoto. 

O artigo Assessment of Caatinga response to drought using Meteosat-SEVIRI Normalized Difference Vegetation Index (2008-2016) apresenta uma avaliação da vulnerabilidade ecológica do bioma Caatinga às variações climáticas, baseada na análise de produtividade e dinâmica da vegetação em relação aos padrões de chuvas, com particular ênfase para os distúrbios e magnitude dos efeitos da seca de 2012-2016. 

A pesquisa mostra a influência da seca de 2012-2016 na dinâmica da vegetação, avaliada por meio de uma metodologia inédita, desenvolvida especificamente para identificar os efeitos de perturbação. Essa metodologia utiliza a abordagem da análise de séries temporais de imagens do satélite Meteosat para caracterizar a dinâmica da vegetação, identificando a ocorrência e amplitude de distúrbios. 

“Os resultados sugerem que algumas áreas do bioma Caatinga podem estar particularmente susceptíveis a processos de desertificação, provavelmente impulsionada pelas secas recentes e facilitada pelas perturbações acumuladas ao longo do tempo, acarretando impactos humanos e mudanças no uso da terra”, conta Barbosa. 

Nessas condições, o monitoramento e a caracterização das respostas ecológicas a eventos de seca em todo o bioma Caatinga, em paralelo com previsões de impactos futuros das mudanças climáticas, podem contribuir para detectar prematuramente as regiões que se aproximam de um ponto de desequilíbrio ecológico para a desertificação. 

O artigo também descreve a seca plurianual, no Semiárido brasileiro, no período de 2012 a 2016, considerado os cinco anos mais críticos em relação ao total de chuvas, desde 1901. 

Durante o quinquênio, com o transcorrer dos anos, identificou-se o agravamento dos efeitos da seca. Desde 1901, ocorreram duas secas com duração de três anos (1930-32; 1941-43), duas com duração de quatro anos (1951-543 e 2012-2015) e duas com duração de cinco anos (1979-83 e 2012-2016). 

“Para uma análise completa sobre as secas e sua história no Semiárido brasileiro, bem como as políticas hídricas implementadas ao longo do período de 1901-2016, recomendamos a leitura do livro Um século de secas: por que as políticas hídricas não transformaram o Semiárido brasileiro (Editora Chiado, Portugal)”, sugere o pesquisador, sobre sua mais recente obra lançada. A figura em anexo mostra a linha do tempo com a história das secas na região e o livro apresenta o detalhamento sobre os fatos e políticas adotadas como capacidade de resposta institucional para fazer frente aos efeitos das secas. Para adquirir o Livro, clique aqui

“Apesar de os períodos secos serem relativamente comuns na Caatinga, há uma preocupação crescente com a resiliência ou a capacidade de resposta satisfatória da vegetação a esses eventos, uma vez que é provável que sejam cada vez mais frequentes e extremos, em função das mudanças climáticas. Sob essas condições, mesmo com respostas rápidas à seca, fator característico da vegetação em ambientes áridos, pode-se falhar em protegê-la de impactos a longo prazo”, conclui Humberto Barbosa.

Por Assessoria / UFAL 

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