Pão de Açúcar: o oásis do sertão alagoano

03 mar 2019 - 06:00

Foto: Paula Jordana / Cortesia

Pão de Açúcar: o oásis do sertão alagoano

 

Ás margens do São Francisco,

no coração do sertão,

Tens um morro, um rabisco

Com o formato de um pão,

No seu cume, tem um Cristo

De braços abertos e contrito

Abençoa a população

 

A terra de Jaciobá,

surgiu de uma confusão

Onde duas tribos rivais

Disputavam o torrão,

Mas foi um alvará,

do Reino de Portugal

Que resolveu a questão.

 

Os índios Urumaris,

 nativos da região,

Enfrentaram os xokós

pelo pedaço de chão,

O solo não era fertil

Mas, foi a presença do Rio,

A causa da secessão.

 

A guerra sangrenta e nua,

Teimava em não terminar

Foi preciso a deusa espelho da lua

Pender pros Jaciobá,

Nutridos de coragem e medo

Botaram pra Ilha são Pedro,

Os xokós , pra nunca mais, saírem de lá.

 

Pão de Açúcar tem história,

cultura e tradição

Tem quadrilha, tem cangaço,

Reisado, xote e baião,

E em cada 03 de março,

Desde 1854,

Festeja emancipação.

 

Terra de Moreno Brandão,

Filho ilustre de Alagoas,

De Aldemar de Mendonça,

Historiador da terra boa,

De um orador brilhante,

Chamado Bráulio Cavalcante,

Orgulho de Alagoas.

 

Assim é meu Pão de Açúcar,

Terra de gente ordeira,

Da orquestra dos irmãos Ramos

Ao monsenhor Petrúcio Bezerra,

Da praia do Velho Chico,

Ou do alto de um pico,

No alto da  carrapateira.

 

Pão de Açúcar é Alagoas,

Do Rio de Janeiro, imitado

Neste, tem o morro do corcovado,

Naquele, o cavalete replicado,

Nos dois, o cristo redentor abençoa,

Essas terras de lagoas;

Esses povos aproximados.

 

As águas do Velho Chico,

Trazem alegria e mágoa

Pra uns representa o sustento,

Pra outros, a morte e o nego d’água,

Mas os ribeirinhos retumbantes,

Clamam  ao bom Jesus dos navegantes

Pra acalmar suas águas.

 

Pão de Açúcar é minha e sua

É terra boa pra morar

Chamam-na Espelho da Lua

Terra de Jaciobá,

Já dizia os mais velhos,

Aqui, quem coloca os pés,

Nunca mais quer os tirar.

Por  Luís Laércio Gerônimo Pereira – colaboração

Luís Laércio Gerônimo Pereira, natural de Pão de Açúcar-Alagoas, nascido em 05/01/1976, é escritor, historiador e acadêmico em Filosofia, pela Universidade Federal de Sergipe. É funcionário público federal, vinculado ao Ministério da Educação e Cultura, prestando serviços a Universidade federal de Sergipe, no campus de Lagarto.

Participou da II Antologia Santanense, um caminho de imagens e palavras, em Santana do Ipanema-AL, com a Crônica: “ Eu e a minha máquina” e da Antologia I Encontro de escritores e leitores Piranhenses e convidados da cidade de Piranhas, também em Alagoas, com a poesia: “O sertão e seus encantos”. Em Monte Alegre de Sergipe, ficou no sexto lugar geral, com o conto: “Cuidado com a língua”. Na Revista Inversos, de Feira de Santana-BA, recebeu menção honrosa e destaque na edição digital, deste folhetim na edição de dezembro de 2018, com a poesia: “ O sertão e seus encantos”.

Em janeiro de 2019 foi selecionado pela Editora Trevo, de São Paulo, para compor a Antologia Poesia Agora, verão 2019 e foi também selecionado, pela mesma editora, na categoria Contos. Ambas as obras, serão publicadas em março de 2019. Atualmente está concorrendo a diversos concursos literários em todo o Brasil.

Amante da leitura desde criança, Luís, escreve em diversos gêneros linguísticos, principalmente, crônicas, contos e poesias.  Suas obras, abarcam uma enorme variação linguística e cultural e são   imbuídas de realismo histórico, filosófico e teológico.

Luís Laércio Gerônimo Pereira, foi selecionado no concurso internacional de poesia natureza 2018-2019, na cidade de Amadora em Portugal.

Foi recentemente convidado para fazer parte da Academia de Letras, artes e ciências, ALPAS 21, da Cidade de Cruz Alta, no Rio Grande do Sul.

Em Pão de Açúcar-AL, é membro da Academia de letras de Pão de Açúcar, ocupando a cadeira de número 23, tendo como patrono, Francisco Henrique Moreno Brandão, e faz parte desde 2018 do ABC das Alagoas, onde possui uma autobiografia.

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