Pandemia quebra ritmo de crescimento da taxa de ocupação na baixa temporada Nos últimos anos, os meses da baixa temporada vinham apresentando taxa aproximada ao período de alta

16 jul 2020 - 19:30

Nos últimos anos, os meses da baixa temporada vinham apresentando taxa aproximada ao período de alta (Foto: Kaio Fragoso / Agência Alagoas)

Nos últimos anos, Maceió tornou-se um dos grandes destinos turísticos do Nordeste, mas, em meio à pandemia do Covid-19 (coronavírus), a capital alagoana passou a conviver com um cenário jamais imaginado: fronteiras fechadas, redução de voos domésticos, remarcação de passeios, além de meios de hospedagem, bares e restaurantes fechados.

A cadeia do turismo, tão acostumada à badalação de quem tem vocação natural para receber visitantes de qualquer lugar nacional ou internacional, teve que lidar com a inesperada paralisação.

Para o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo e Serviços do Estado de Alagoas (Fecomércio AL), o setor se questiona se, mesmo com todos os protocolos sanitários e a estabilidade de casos da doença na capital, o turista buscará satisfazer as necessidades de lazer e entretenimento. “Talvez o grande desafio a ser enfrentado pelo nosso Turismo seja o engajamento de todos, não somente dos empresários e prestadores de serviços em geral, mas do próprio turista e, especialmente de toda a sociedade”, estima.

O Instituto Fecomércio AL analisou os números do setor e constatou que, nos últimos anos, os meses considerados de baixa temporada vinham apresentando taxa de ocupação do setor hoteleiro aproximada – e, às vezes, superior – ao período delimitado como alta temporada, que são os meses entre novembro a fevereiro.  Em março de 2019, a taxa de ocupação foi 80,5%, um crescimento de 7,97 pontos percentuais (p.p.) quando comparado ao mesmo período de 2012 (78,08%). As menores taxas concentram-se nos meses de abril a junho, que juntos tiveram uma média de ocupação de 64,9%, em 2019, contra uma média de 58% no mesmo período de 2012.

“Março, mês de início da baixa temporada, vem apresentando taxa de ocupação acima dos meses de novembro e dezembro. Com esse crescente desempenho nos últimos anos, a paralisação do setor hoteleiro devido à pandemia do coronavírus, mesmo em baixa temporada, que praticamente inexiste na capital, o prejuízo é gigante”, avalia Felippe Rocha, assessor econômico da Fecomércio AL. “Claro, em baixa temporada, a diária cobrada é menor do que nos períodos mais demandados, mas certamente o faturamento é necessário para manutenção desses empreendimentos e a garantia de negócios e empregos para os próximos anos”, complementa.

Segundo dados da Receita Federal do Brasil (RFB), existem 192 hotéis e 7 apart-hotéis na capital. O porte dessas empresas é distribuído entre 99 Microempresas, com faturamento de até R$ 360 mil; 57 Empresas de Pequeno Porte (EPP) com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões; e 41 empreendimentos com faturamento acima desse valor.

Em relação à empregabilidade, o Extrator de Dados do Turismo – IBGE dá uma ideia da importância do setor: são 14.972 postos de trabalho formais gerados entre os diversos segmentos que atuam na cadeia do Turismo. No segmento de alojamento (pousadas e hotéis), existem 3.632 colaboradores. No ramo de alimentação, que compreende os bares e restaurantes que atendem todo esse público, são 9.562 pessoas. Considerando todos os segmentos, o Turismo gera 193.795 empregos formais somente em Maceió, empregando 7,72% dos colaboradores celetistas da capital. “A título de comparação, utilizaremos Maragogi, município famoso como destino turístico. Lá, a cadeia do Turismo é ainda mais importante, pois dos 3.941 empregos formais existentes na região, 2.150 são deste setor. Ou seja, o Turismo é responsável por 54,55% dos postos de trabalho locais”, aponta Felippe.

Para o economista, é consenso que todas as economias abertas do mundo deverão sofrer com a depressão das atividades este ano. O Relatório Focus estima uma queda global de 4,5% e já afirmou que o Brasil poderá apresentar queda de 6,53% nas atividades. “Todos os segmentos econômicos apresentam contração das atividades, menos o setor de alimentação, tendo os supermercados, hipermercados e mercados apresentado expressiva alta no período, já que os consumidores, em isolamento social, recorreram ao espaço de consumo mais vezes do que o de costume”, analisa.

E se as empresas do setor já enfrentam a dificuldade de sobreviverem em meio a uma economia incerta, a retomada será ainda mais desafiadora. “O setor precisará, certamente, de ajuda de todos os entes federados, já que a desconfiança para viagens e passeios ainda será enorme, tanto por turistas domésticos quanto por turistas internacionais. Assim, as médias de lotação nos próximos meses serão menores do que a média histórica apresentada acima”, diz o economista.

Pós-pandemia

Para a assessora da presidência da Fecomércio, Cláudia Pessôa, o otimismo peculiar de todos que trabalham no setor, aliado às ações de organização para a retomada do fluxo turístico irá auxiliar nesse processo. Isto porque instituições da iniciativa privada e órgãos públicos já trabalham em protocolos e selos que darão segurança para a reconquista e fidelidade dos clientes. Mas há segmentos do Turismo cuja recuperação pode demorar um pouco mais. “O segmento de eventos foi o primeiro a ser atingido pelo efeito devastador nos negócios causado pela pandemia e o necessário distanciamento social. No formato que aconteciam, será o último a retornar às atividades ou com a possibilidade de ser totalmente reinventado”, observa.  

Com as medidas restritivas, a assessora aponta que o mais importante neste momento é a manutenção do interesse pela localidade a ser visitada, e a estratégia tem sido a realização de lives e capacitações virtuais atualizando agentes de viagens e operadores de turismo acerca do destino junto a campanhas de marketing digital ressaltando ainda mais as parcerias. “O turismo regional, no qual o deslocamento se dará em veículos menores, com distâncias curtas é o que se apresenta para o futuro próximo”, afirma Cláudia.

Por Assessoria / Fecomércio – AL

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