O que fazer com o dinheiro poupado com a redução de gastos da pandemia?

02 ago 2020 - 14:30

Foto: Marcos Santos / USP Imagens

Planejadores financeiros certificados recomendam a reserva de emergência como prioridade para quem ainda não a tem, e investimentos para os objetivos futuros

Desde março de 2020, a pandemia da Covid-19 fez com que parte da população passasse mais tempo em casa por conta do isolamento social. Quem conseguiu fazer o home office durante os últimos meses e ainda manter o fluxo de renda estável, percebeu uma diferença nas despesas mensais, reduzindo custos com transporte, restaurantes e atividades de lazer, por exemplo.

O planejador financeiro CFP® pela Planejar, Theo Linero, afirma que existem dois perfis de poupadores nesse cenário de pandemia: 1) quem conseguiu guardar dinheiro, mas ainda não tem uma Reserva de Emergência, e 2) quem poupou dinheiro já tendo uma Reserva guardada. “Para o primeiro público, a prioridade é montar a Reserva de Emergência, visto o que foi aprendido na prática nesses últimos meses, muitas pessoas passaram a entender a importância de ter um dinheiro guardado para emergências e imprevistos; para o segundo público, que já está financeiramente preparado para eventualidades, é bom traçar os objetivos de curto, médio e longo prazo para iniciar ou dar continuidade aos investimentos e realização dessas metas”.

Segundo Jaques Cohen, também planejador financeiro CFP® pela Planejar, agora é o momento de olhar para essa nova realidade financeira, revendo os hábitos de consumo e o que pode ser mantido para que essa capacidade de poupança cresça. “Se a pessoa chegar à conclusão de que é possível continuar poupando, vale usar algumas ferramentas que faça isso automaticamente”. Cohen explica que alguns bancos oferecem a possibilidade de investimento automático em determinados produtos. “Mesmo sendo um investimento como a poupança, há a possibilidade de se cadastrar e colocar um valor fixo para ser debitado automaticamente todo mês, e depois é só redirecionar esses investimentos”.

Reserva de Emergência

Para formar a Reserva, os profissionais CFP® orientam que o dinheiro poupado seja colocado num investimento que tenha mais liquidez, e que possa ser retirado a qualquer momento para atender as necessidades emergenciais, como CDB com liquidez diária e Tesouro Selic. Para quem tem interesse na Bolsa de Valores, o planejador Jaques Cohen ressalta que essa não é a opção adequada para a Reserva de Emergência: “A bolsa é muito volátil e, com a pandemia, os brasileiros acabaram vivenciando a oscilação nesse período; então, é um investimento mais arriscado e é preciso ter uma percepção de risco adequada para entrar”, diz.

A recomendação para formar a Reserva de Emergência é guardar o equivalente a pelo menos 6 meses dos gastos mensais. O período pode variar de acordo com a realidade profissional de cada pessoa, como profissionais autônomos com renda mais instável, ou até pelo tempo que demora para a recolocação no mercado de trabalho em caso de demissão. “A reserva de emergência é para todo e qualquer perfil de investidor. Ela não foi feita para dar retorno, mas, sim, garantias para imprevistos e sem prejudicar outros objetivos”, explica Theo Linero. 

Objetivos e Investimentos

A definição dos objetivos passa por várias premissas, e uma delas é a qualidade de vida que você busca. Pode ser uma melhora na carreira profissional, a construção de patrimônio como um imóvel, e, também, a aposentadoria.

O planejador Theo Linero afirma que os objetivos de curto, médio e longo prazo são fundamentais para cada pessoa entender suas prioridades, e, com isso, tomar decisões mais benéficas e alinhadas com o planejamento financeiro. “Investir em cursos para a capacitação profissional pode trazer mais retorno em um futuro próximo, aproveitar esse momento de isolamento para focar na qualificação em alguns casos pode ser a prioridade; além disso, é preciso ter como objetivo também a aposentadoria, pois muitos brasileiros ainda esperam que a sua aposentadoria venha do governo e com a Reforma da Previdência, é preciso estar atento e, se possível, aumentar a poupança para esse fim”.

Caso o objetivo seja a compra de um imóvel, o planejador CFP® Jaques Cohen recomenda que o dinheiro seja utilizado para compor a entrada, tendo como meta o valor que você precisa para realizar a compra. “Tangibilizar até quanto você quer ter de entrada para comprar um imóvel auxilia nesse planejamento, coloque isso como uma meta, um objetivo tangível, e veja quanto precisa poupar por mês para chegar lá”.

Para quem quer começar a investir aproveitando esse dinheiro economizado nos últimos meses, as palavras-chave são: diversificação e perfil de investidor. Jaques Cohen conta que é conhecendo o perfil de investidor e a tolerância a riscos que o investidor vai entender como montar um portfólio diversificado. “É preciso entender o perfil para saber o percentual que pode ser colocado em investimentos de mais risco na renda variável, por exemplo; renda variável é um percentual que pode ser pequeno, 5% se for conservador, 15 a 20% se for moderado, isso deve ser balanceado”. Além disso, conhecendo o perfil e buscando a diversificação, é preciso estar atento ao ganho real dos investimentos para conseguir um retorno melhor.

O importante é entender que não importa o valor guardado, qualquer pessoa pode começar a investir. “Por mais que você esteja começando a investir, é possível diversificar por menor que seja o valor; a primeira orientação é avaliar as opções de diversificação, e a segunda orientação avaliar o risco e o retorno, pois se você não é da renda variável, não se force a ir para a renda variável; entenda que o mercado está para todo mundo, mas não é por isso que você precisa estar no mesmo local que todos estão, respeite seu tempo e sua tolerância ao risco”, conclui Theo Linero.

Sobre a Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros – Há 20 anos fomentando a cultura do planejamento financeiro no país, a Planejar é a única entidade brasileira afiliada ao FPSB (Financial Planning Standards Board) e autorizada a conceder a Certificação CFP®. Formada por mais de quatro mil associados, distribuídos pelas principais regiões do país, a instituição promove a conscientização sobre a importância da gestão de recursos financeiros através de objetivos de curto, médio e longo prazos. Nesse sentido, a Planejar oferece qualificação contínua aos associados e ao público geral por meio de eventos, palestras e cursos através do Programa de Educação Continuada (PECs). A associação criou também o primeiro curso de planejamento financeiro a distância do Brasil, destinado a profissionais que já atuam na área, certificados ou não, e ao público geral.

Por Assessoria

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