Sobre Erickson Soares

Comecei a escrever para blogs em 2012. Gosto de coisas simples e bem planejadas. Pontual, e isso não é tão bom assim.


O Colapso Intensivo

21 abril 2020


Foto: Neide Brandão/ Agência Alagoas / Arquivo

Muito tem se falado sobre ventiladores mecânicos, leitos de UTI, equipes capacitadas para atendimentos à pacientes graves. Esse assunto sempre vem à tona quando a sociedade está diante de surtos, principalmente, as pandemias.

O que poucos sabem é que esses assuntos são discutidos todos os anos e durante o ano todo, internamente, entre os profissionais da saúde. O déficit de equipamentos de qualidade e pessoal capacitada é assunto em diversos congressos, conferências e fóruns de norte a sul do Brasil.

A capacidade de leitos de Terapia Intensiva é muito baixa. Oficialmente, sabe-se que o País conta com 55 mil leitos de UTI, sendo a maior concentração no Sudeste. Sendo que o ideal recomendado seriam de 3 a 4 vezes esse número.

A capacitação profissional é outro problema. Uma UTI requer uma equipe multiprofissional e multidisciplinar especializada, treinada e atualizada. A Terapia Intensiva é uma das áreas que mais exigem atualização da equipe com as novidades de tratamentos, protocolos, fluxos etc. A vivência em UTI exige isso. 

A realidade desse serviço de saúde é complexa e, em algumas partes do País, caótica no dia a dia comum sem pandemia. E essa realidade, por vezes, bloqueia a capacidade reflexiva dos profissionais e impede que processos de avaliação de nossas ações sejam realizados com o cuidado necessário.

No cotidiano da Terapia Intensiva, a equipe recebe pressões de todos os lados: a queixa do paciente e acompanhantes pela demora do tratamento, os protocolos a consultar, os formulários a serem preenchidos, os relatórios diários de cada paciente, entre tantos outros. E isso tudo é multiplicado quando se vive uma pandemia.

É urgente a atenção necessária à todos os setores da saúde no País e, ao se tratar de UTI, que a preocupação quanto a baixa quantidade de leitos e equipes não dure apenas no desespero e sim que sirva para um planejamento de reestruturação. Mesmo que seja no longo prazo.

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