Sobre Clerisvaldo Chagas

Romancista, historiador, poeta, cronista. Escritor Símbolo do Sertão Alagoano.


MACHADO NAS TRADIÇÕES

6 março 2018


Centro de Santana do Ipanema (Foto: Clerisvaldo B. Chagas)

Todo o nosso país tem suas histórias e tradições que – verdade seja dita – nem sempre consegue preservá-las. A ansiedade pelo futuro é uma boca enorme que vai engolindo os vestígios por onde passa. O nosso Sertão de Alagoas não foge às regras da dinâmica.

Especificamente em nossa cidade, Santana do Ipanema, conservam-se as denominações Maracanã, Camoxinga, Alto dos Negros, Cachimbo Eterno, Lajeiro Grande, Barragem, Floresta, Maniçoba, Bebedouro e outras mais, explicadas com detalhes cada uma delas no livro inédito “O Boi, a Bota e a Batina; História Completa de Santana do Ipanema”.

Veja na crônica de ontem como demos detalhes da fundação do Colégio Estadual, hoje ponto de referência daquele complexo educacional e das cercanias. A foto apresentada do Colégio foi transformada em “Esponja de Aquarela”, efeito artístico por computador.

Nem sempre, porém, as provas de origem permanecem através do tempo. O lugar denominado “As Cajaranas” – nas imediações dos fundos do IFAL, possuía pelo menos três cajaranas altas e que foram cortadas, ficando apenas os tocos, há alguns anos atrás. O local com o nome de “Cipó” tinha uma santa cruz de beira de estrada. Fica a poucos metros do Posto Lemos, boca de caminho para o sítio Sementeira. Hoje o lugar da cruz acha-se ocupado por uma fileira de casebres.

As Olarias foram tragadas pelo casario do Conjunto Eduardo Rita, região do Ipanema chamada Minuíno. Assim desapareceram as referências: Minuíno, Olarias, Cajaranas e Cipó. O serrote do Gonçalinho passou a ser chamado do Cristo e depois, de Micro Ondas; O morro da Goiabeira virou serrote do Cruzeiro; o serrote do Pelado transformou-se em Alto da Fé.

E, lá perto do Alto dos Negros, o Conjunto Cajarana tem esse nome porque existe ali uma grande e frondosa cajarana que recebeu o ensaio de fogo no tronco. O símbolo do lugar não vai resistir por muito tempo, desaparecendo a prova do seu batismo.

Após o lançamento do livro “230”, vamos formar novo mutirão para que a história de Santana venha a lume. Se Santana ficar aguardando às autoridades, jamais terá sua verdadeira história contada.

Vem comigo!

Clerisvaldo B. Chagas, 6 de março de 2018

Crônica 1.855 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

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