Lideranças religiosas de Maceió convocam protesto em frente à Braskem O protesto deve começar no dia 3 e se estender até o dia 4 de dezembro, cercando a indústria de cloro-soda.

11 nov 2021 - 07:30


Reunião contou com cerca de 80 pessoas, entre, líderes religiosos, fiéis e organizações de vítimas (Foto: Assessoria)

Na noite da última segunda-feira (8), o cônego Walfran Fonseca e o pastor Wellington Santos, lideranças religiosas dos bairros destruídos pela mineração em Maceió, promoveram uma reunião para organizar uma grande manifestação em frente às portas da Braskem.

O encontro aconteceu na Paróquia Santo Antônio de Pádua, em Bebedouro, contando com a participação da Associação dos Empreendedores no Pinheiro e Região Afetada e do Movimento Unificado das Vítimas da Braskem (MUVB).

Durante as três horas de reunião, debateu-se sobre os objetivos gerais e as comissões organizadoras do “ato de luto e luta”, como é chamado, que deve acontecer nos dias 3 e 4 de dezembro, com ritos religiosos diversos, intervenções artísticas e atrações musicais.

Comunidades religiosas contra a Braskem

“Como líderes religiosos, não podemos silenciar diante do luto coletivo que vivemos em Maceió por conta de uma população oprimida pelo poder político e econômico que morre todos os dias. Segundo o preceito cristão, devemos fazer uma opção preferencial pelos pobres, dando voz a quem não tem voz”, declarou o cônego e anfitrião do encontro, Walfran Fonseca, que, há 17 anos, trabalha na Paróquia Santo Antônio de Pádua.

Vice-presidente de outra organização católica, a Cáritas Arquidiocesana de Maceió, Rosário de Fátima frisou a importância de convocar todas as comunidades religiosas. “É muito importante a presença de todo o credo religioso. Até porque a fé é quem vem sustentando a população vitimada. Precisamos somar com todos aqueles que estão em luta pela sua moradia e sua dignidade.”

Pastor na Igreja Batista do Pinheiro há quase três décadas, Wellington Santos também falou sobre a importância desse chamado das comunidades religiosas à luta pelas 70 mil vítimas da Braskem. “As religiões lidam com um capital simbólico muito poderoso: a fé. Sendo ela trazida para uma luta por justiça e dignidade humana, é imbatível. Por isso, queremos reunir pastores, padres, pais de santo, mães de santo, espíritas etc.”

O pastor também está articulado com alguns grupos culturais e de vítimas, sendo responsável por organizar a criação de comissões. Segundo ele, serão cinco: jurídica, de segurança, de logística, cultural e litúrgica.

Aderência dos movimentos de vítimas

O MUVB não só aderiu ao ato como seu coordenador geral, o procurador do trabalho Cássio Araújo, colocou em pauta os objetivos centrais da luta que precisa ser empreendida. Sendo assim, cinco reivindicações foram aprovadas:

1) laudo de avaliação do imóvel apresentado pela Braskem compatível com todas as normas técnicas necessárias e com a proposta devidamente justificada;

2) dano moral calculado por pessoa e não por imóvel;

3) critérios indenizatórios explicitados na proposta;

4) criação de comitês de conciliação, com a participação do poder público, para as negociações individuais;

5) realocação imediata para moradores e empreendedores isolados entre as áreas destruídas.

Para Alexandre Sampaio, presidente da Associação dos Empreendedores, o envolvimento das comunidades religiosas na luta por justiça no Caso Braskem é muito importante. “Nós aderimos ao ato imediatamente. Precisamos aglutinar forças com o maior número de organizações: religiosas, políticas, culturais, estudantis, sejam elas de quaisquer ordens. Afinal de contas, somos 70 mil vítimas deste crime. Uma crença apenas não é capaz de resumir toda essa gente.”

Mas nem só de vítimas o protesto dos dias 3 e 4 de dezembro deve ser composto, como espera Sampaio. “Acredito que vários setores da sociedade civil estão dispostos a lutar ao nosso lado. Muitos maceioenses acordaram para esse problema, pois perceberam que é a sua cidade que afunda mais a cada dia.”

Por Assessoria

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