Igreja Romana inicia conclave e discute como superar crise

11 mar 2013 - 22:06

ConvlaveUma eleição crucial para o restabelecimento da credibilidade da Igreja Romana será iniciada nesta terça-feira (12) no Vaticano. Conhecidos como ‘príncipes da Igreja’, 115 cardeais de todos os continentes, todos com menos de 80 anos, escolherão um sucessor para o Papa Emérito Bento XVI, que optou pela renúncia, de modo estratégico, diante da gravidade da crise. O cardeal que obtiver 77 votos estará eleito e governará 1,2 bilhão de católicos no mundo.

Líderes da Igreja comentam, em ‘off’, sobre as perspectivas da eleição e do novo pontífice. Não se concentram em nomes, mas traçam um perfil do novo Papa à luz dos fatores que levaram Ratzinger a optar por terminar a sua vida numa cela conventual. Muito além do seu gesto pessoal, que o levou a perder o poder que tanto buscou, Bento XVI confrontou-se com uma crise conjuntural grave, nos degraus mais elevados da burocracia do Vaticano e formada pela conjunção de crimes econômicos e éticos.

A crise estrutural da Igreja Romana foi herdada por Joseph Ratzinger e inclui questões permanentes, tais como os efeitos da manutenção do celibato obrigatório para o clero, o status das mulheres nas tarefas ministeriais, as situações ligadas à bioética, o papel dos padres casados na Igreja, a ordenação de homens casados, o tema do aborto e das relações ecumênicas, além dos desafios levantados pelo diálogo inter-religioso, principalmente em relação ao Islamismo.

O novo Papa

Para a maioria dos 115 cardeais, todos candidatos em tese, o novo Papa deverá reunir, entre outras, as seguintes características: ser menos idoso que Bento XVI; ter a coragem de enfrentar as denúncias de escândalos que incluem lavagem de dinheiro e tolerância com clérigos acusados de diversos crimes, sobretudo de pedofilia; e reafirmar o ‘não’ da Igreja Romana a qualquer concessão em temas morais, no contexto do direito à vida.

Os cardeais podem estar divididos em duas tendências eleitorais, diante desse perfil: a primeira é a de escolher um Papa não europeu, também conservador, mas que sinalize a força mundial do Catolicismo e a segunda é a de eleger um Papa europeu ou do Norte do mundo, que seja um sinônimo de estabilidade, pelo menos aparente.

Evidentemente, o novo chefe da Igreja Romana deverá ter um bom diálogo com Bento XVI, sem qualquer alarde, sobretudo diante de decisões cruciais de caráter teológico, pastoral, político e de relações exteriores. Nesse terreno da política externa, o novo Papa deverá manter a linha de não ruptura do Estado do Vaticano com qualquer outro Estado, qualquer que seja a natureza do regime nele dominante.

Dermi Azevedo é jornalista e cientista político.

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