Folião espalha alegria mesmo sem carnaval, adiado mais uma vez pela pandemia Engajamento do professor Eraldo Ferraz a festas temáticas continuam fazendo dele um “folião-raiz”.

Diana Monteiro / Ascom Ufal

26 fev 2022 - 06:00


Eraldo Ferraz, um folião-raiz, se fantasiou e marcou presença na exposição do MTB no Maceió Shopping (Foto: Renner Boldrino)

Alegria e descontração são características marcantes do professor Eraldo Ferraz, popular no meio universitário do Campus A.C. Simões, em Maceió, onde desempenha suas atividades docentes no Centro de Educação (Cedu) da Universidade Federal de Alagoas.

Muito conhecido pelo engajamento em atividades e frentes de trabalho que somam ao desenvolvimento em sua área de atuação, Eraldo também respira arte e cultura com suas vivências. Em seu ritmo de vida, a diversão também é motivadora para a sua participação em grandes acontecimentos festivos – o carnaval é um deles – e o faz seguir com muita energia, prazer e fazer acontecer.

Quem não conhece o folião Eraldo Ferraz com suas caprichadas e irreverentes fantasias, preparadas a cada ano, para cada acontecimento de carnaval? Das prévias em Maceió, cidade que abraçou para viver e trabalhar, ao período momesco em seu estado de origem, Pernambuco, onde se destaca com glamour, nos incontáveis desfiles e festas. Na batida, no passo e compasso do frevo, Ferraz é o porta-estandarte do maior bloco do carnaval de Alagoas, o Pinto da Madrugada, que faz a alegria de foliões da terrinha e de turistas.

Com muito orgulho e alegria fala sobre a sua prazerosa missão, cumprida primorosamente: “O meu envolvimento com o Pinto da Madrugada se deu com a criação do bloco, em 1999 quando no dia do batizado, pela diretoria do Galo da Madrugada, de Recife, fui convidado pelo professor Eduardo Lira para ser o porta-estandarte. Daquele ano em diante, permaneço com essa prazerosa missão. Apenas na comemoração dos 15 anos do bloco não desfilei como porta-estandarte porque saí num carro alegórico com fantasia de luxo”, disse, orgulhoso.

Mas a missão do festivo Eraldo não só se restringiu aos garbosos desfiles que conduz. Ele soma a isso tudo suas vivências pautadas pelo resgate do frevo e do tradicional carnaval: “A pedido da primeira diretoria do bloco fui batizar, em Alagoas, vários blocos que surgiram em alusão ao Pinto da Madrugada, como o Ovo da Madrugada, em Penedo, a Franga da Madrugada, em União dos Palmares, e o Ninho do Ovo da Madrugada, de Marechal Deodoro”.

Com muitas histórias para contar e sendo um “folião-raiz”, não poderia faltar o “como tudo começou” que o despertou para fazer do carnaval uma das suas alegrias de vida e sua paixão, que o faz festejar a festa momesca com tanto engajamento. Ele lembra de suas experiências e faz uma breve retrospectiva sobre a vivência no lugar onde nasceu.

“Em Recife, meu pai fantasiava todos os filhos pequenos e nos levava para ver o carnaval no centro da cidade. Creio que daí começou o meu gosto pelo carnaval. Aos 18 anos fui morar sozinho numa pensão, na Avenida Conde da Boa Vista, centro de Recife. Passei, então, a viver intensamente o carnaval porque os desfiles carnavalescos e de escolas de samba aconteciam nessa avenida. Muito tempo depois comecei a participar das comissões julgadoras de escolas de samba e de blocos carnavalescos da cidade”, disse.

Nesse seu percurso de vida, quando fixou residência Maceió, muito antes desse tempo de pandemia, que ele considera “sombrio”, ele, junto com o saudoso Gil Lopes, Ronaldo de Andrade, José Carlos, Hildênia [Oliveira, museóloga] e Vitor [Sarmento, atual diretor do Museu Théo Brandão], passou a fazer parte da diretoria do tradicional Bloco Filhinhos da Mamãe e participante ativo de festividades carnavalescas alagoanas.

Fantasias caprichadas, temáticas irreverentes para cada acontecimento festivo, de rua e dos bailes em clubes da cidade, requer, além de investimento, um ritual nos preparativos com muitos detalhes. Tudo começava com desenhos dos modelos, compra de tecidos e adereços, em sua cidade natal, Recife, sempre acompanhado dos seus inseparáveis amigos de vida e de folia, José Carlos e Gil Lopes.

“Íamos os três juntos comprar todo o material necessário para a confecção de nossas fantasias, cujos modelos eram desenhados pelo Gil. Fantasias a serem usadas no Bloco Pinto da Madrugada, Filhinhos da Mamãe, Galo da Madrugada e nas folias de Bezerros-Pernambuco. Os modelos para as segundas-feiras de carnaval sempre foram de pura irreverência. Entre elas, Nega Maluca, Bailarina, Rainha de Copas”, relembrou Eraldo, ao lamentar a perda de seu inseparável amigo e folião, Gil Lopes, que faleceu em 2020, vitimado pela covid-19.

Embaixador da alegria

Mostrando que não só tem frevo e samba no pé, Eraldo Ferraz mais do que histórias a contar, tem vivências e intimidade com a temática festiva e, sem dúvida, é um ator importante que abraça a causa de resgate, tornando viva a tradição em Alagoas. Sua prazerosa luta em prol da cultura também tem na Ufal, instituição onde galgou diversos degraus por competência e dedicação, a sua conexão.

No aniversário de 50 anos da Ufal, o folião e professor Eraldo pediu ao saudoso artista plástico Gil Lopes, também servidor da instituição, para confeccionar um estandarte. “A partir do momento que passei a fazer parte da organização do Bloco Filhinhos da Mamãe no Museu Théo Brandão de Antropologia e Folclore (MTB), meu envolvimento com a temática carnaval da Ufal ficou mais intenso. Com o estandarte da instituição saí nas prévias em Jaraguá”, lembrou, contando que o estandarte faz parte do acervo do Museu, onde há peças de fantasias do folião que compõem exposições de carnaval, realizadas sob curadoria da equipe do MTB, equipamento cultural da Ufal.

E para não deixar de viver essa alegria momesca, na última terça-feira (22), Eraldo Ferraz promoveu a animação na Unidade de Educação Infantil Professora Telma Vitoria (UEI), no campus da Ufal, em Maceió. Houve uma pequena apresentação do Pinto da Madrugada, sob sua liderança e, claro, ele esteve em seu lugar de destaque: porta-estandarte.

Em tempos de rotinas universitárias presencias, o carnaval sempre foi uma temática que valorizava a tradição com execução de oficinas, projetos, exposições dentre outras atividades, abertas à comunidade em geral. Com a pandemia, que ainda mantém a Ufal com atividades administrativas semipresenciais e aulas remotas, a comunidade da Universidade não vai comemorar como gostaria. Mas o MTB não deixou a data passar sem o devido registro e está com exposição sobre essa festa, no Maceió Shopping.

Aguardando sinal verde para a festa

A pandemia mudou o ritmo carnavalesco no Brasil, país do carnaval, e, em Alagoas, não poderia ser diferente. “Calou” o frevo, recolheu tamborins, confete e serpentina, mas não “calou” a alegria de quem é mesmo folião e foliã. Eraldo é um deles e tem se engajado em tudo em que traduz energia para viver, mesmo em tempos de covid-19. E, nesse segundo ano de pausa, até aguardar o momento do “sinal verde” para foliar a tradicional festa do jeito que gosta, com “frevo no pé e correndo em suas veias”, Eraldo revela:

“Tenho muita saudade do carnaval, mas desanimar nunca! Carnaval para mim é ter a alegria de viver mais intensamente sem medo de ser feliz. Estando tudo tranquilo com a minha saúde e o cenário político do Brasil também, irei caprichar ainda mais nas fantasiais, de tal forma que supere esse dois anos sem a tradicional festa, que segue suspensa devido à pandemia, ainda em curso”. Uma prova de que quem é folião sempre será com muito prazer e alegria.

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