Famílias do MST em Atalaia bloqueiam BR 316 contra corte de água

22 fev 2021 - 10:55

Foto: Julia Araujo / Levante Popular da Juventude

As 120 famílias do Acampamento Marielle Franco, em Atalaia, Zona da Mata de Alagoas, bloqueiam na manhã de hoje (22) trecho da BR 316 em denúncia às ameaças sofridas pela atual gestão da prefeitura municipal.

Com faixas, cartazes e palavras de ordem, as famílias acampadas apontam a prefeitura do município como responsável pela falta de abastecimento de água na área, que está há mais de 20 dias sem receber caminhão pipa para consumo e manutenção das atividades no território.

“A falta da água na comunidade é, além de um verdadeiro atentado à saúde e a vida das famílias que vivem aqui, faz parte ainda da agenda da gestão municipal que já declarou a intenção de retirar as famílias da área, despejando homens, mulheres e crianças do acampamento em que produzem e constroem sua vida”, destacou Margarida da Silva, da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

No último dia 12, o MST lançou uma nota em repúdio a postura e ameaça de despejo das famílias por parte da nova gestão da prefeitura de Atalaia que, sob comando da prefeita Ceci Rocha (PSC), veiculou nas redes sociais um Boletim de Ocorrência com o pedido de retirada das famílias do acampamento.

“Lamentamos que a nova gestão da prefeitura de Atalaia, que apresenta em seu discurso a perspectiva de mudança, reproduza o que historicamente marca a cidade de Atalaia com suas oligarquias latifundiárias, que em seu permanente discurso de violência, constituiu uma trajetória de perseguição e criminalização dos trabalhadores e trabalhadoras do campo”, destacou trecho do documento.

Foto: Julia Araujo / Levante Popular da Juventude

Ainda de acordo com a nota veiculada pelo Movimento, a prefeitura havia se comprometido com a inclusão do Acampamento Marielle Franco como parte estratégia da construção dos 100 primeiros dias de gestão, impulsionando o desenvolvimento da agricultura no município.

“A prefeita que se elegeu com o discurso da nova política, do acolhimento e da mudança, acaba reproduzindo a lógica que marca a história de Atalaia ao assumir a gestão municipal”, comentou Margarida. “Além de ignorar o papel e a importância da Reforma Agrária para o desenvolvimento de Atalaia, a posição da prefeitura reforça da maneira mais cruel a perseguição aos camponeses e camponesas”.

Por Assessoria / MST Alagoas

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