Fale fiado

01 mar 2012 - 08:11

Vou pagar o objeto comprado, quando o comerciante se anima e puxa conversa. Conversar às vezes atrasa, às vezes adianta e nem sempre traz proveito. Mas de uma maneira geral, ensina e descobre. Mesmo um papo ligeiro com um cabra embriagado pode render para o pensamento alguma coisa boa, uma inspiração para um poema, uma piada para o humor adiante, uma reflexão profunda e mesmo até um palpite para o jogo do bicho. Quer dizer, então, que falar em “jogar conversa fora”, pode ser de muito proveito se a conversa vem de fora para dentro. Diz o comerciante, “entrando por uma perna de pato saindo por uma de pinto” que o homem deve estar preparado para todas as ocasiões. Quer dizer que você não sofrerá impactos significativos numa brusca situação difícil como um assalto, um acidente, um insulto ou uma notícia de que arrebatou sozinho o prêmio da loteria. Será mesmo que isso funciona? E se funciona, marca certo em qualquer ocasião ou somente em algumas? Isso faz lembrar o professor universitário que deu aula a um jumento. Embora as pessoas contem as coisas já embaralhadas e o original perca-se de boca em boca, disseram mais ou menos assim, em compra terceirizada:

Em Fortaleza os alunos não gostavam de determinado professor advogado daquela escola. O mestre vinha de outro estado para ministrar suas aulas à noite na universidade. Certa feita, os pupilos resolveram protestar contra a presença do professor, mas de forma diferente. Colocaram um jumento dentro da sala de aula, saíram e ficaram à espreita. O professor adentrou a sala e, vendo somente o jegue naquele ambiente refinado, pôs os óculos e iniciou um longo discurso em direção ao asno que apenas balançava as orelhas e batia as pestanas. A palestra continuou animada pelo tempo exato da aula até o toque estridente da campainha. Os alunos admirados com a reação do palestrante terminaram invadindo a sala, aplaudindo o professor e tornando-se dali em diante, uma plateia infalível em todas as presenças do mestre. O homem tornou-se ícone. Aconteceu ou não, nem sei. Foi em Fortaleza ou em outro lugar, também não tenho certeza, mas o comerciante, a princípio parece ter razão na afirmativa: “O homem deve estar preparado para todas as ocasiões”.

Nem somente na Grécia vivem os filósofos. Em Santana do Ipanema, Alagoas, ele está ali despachando na caixa. Experimente-o, FALE FIADO.

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