Estudantes da rede pública aprovam debate sobre abolição da escravatura

10 Maio 2017 - 09:31

Em parceria com a Ufal, ação visa despertar um olhar crítico nos estudantes da rede estadual sobre o processo.

Aluna Samara Maria da Silva afirma ter sido vítima de racismo (Fotos: Valdir Rocha / Agência Alagoas)

Aluna Samara Maria da Silva afirma ter sido vítima de racismo (Fotos: Valdir Rocha / Agência Alagoas)

Estudantes da rede pública estadual participam e aprovam debate promovido pela Secretaria de Estado da Educação (Seduc) sobre os 129 anos da abolição da escravatura no Brasil, comemorado no dia 13 de maio. O evento, realizado no auditório da 13ª Gerência Regional de Educação (Gere), no Farol, acontece até a quinta-feira (11) e conta com a parceria com a Universidade Federal de Alagoas (Ufal).

Para o estudante da Escola de Ensino Integral Princesa Isabel, que homenageia a monarca que assinou a Lei Áurea, que pôs fim à escravidão, a iniciativa da Seduc e da Ufal é de extrema importância.

“É muito bom, porque, além de a gente obter mais informações, temos mais conhecimento da nossa história. Sendo negro, ou não, devemos sembre discutir assuntos como este”, conta o estudante Richard Kelvin Bejamim Soares Ferreira.

A aluna Samara Maria da Silva, da Escola Maria José Loureiro, afirma ter sido vítima de racismo, por ser negra. Para ela, isto é um reflexo do pensamento difundido desde a época da escravidão no Brasil.

“Este debate é único, pois mostra diversas opiniões, que também são únicas sobre o assunto. Para quem não tem muito conhecimento sobre a abolição, os documentários e palestras auxiliam para eles terem mais conhecimento, e isto é muito válido”, conta Samara.

Visão crítica

De acordo com o supervisor de diversidades da Seduc, Zezito de Araújo, a ação tem como objetivo despertar uma visão crítica e reflexiva sobre o processo que, segundo ele, ainda causa um processo de exclusão dos negros na sociedade. Além de estudantes do Cepa, técnicos pedagógicos e professores também participam das atividades.

“Queremos fazer com que os nossos estudantes tenham uma visão mais crítica do processo, que não foi uma dádiva do governo da época, mas um reflexo de uma luta contínua e secular por parte dos negros. A abolição foi o maior movimento social registrado no Brasil”, explica Araújo.

O supervisor informa ainda que documentários e palestras são exibidos durante o evento para contextualizar e deixar mais rico a discussão durante o debate.

Programação

09/05 – Documentário: História da Abolição da Escravidão no Brasil

Palestrantes: Profº Esp. José Roberto Santos Lima (Ufal) e Profº.Me. Zezito de Araújo (Seduc). 

10/05 – Documentário: Racismo Camuflado no Brasil

Palestrantes: Profª.Me. Clara Suassuna Fernandes (Ufal) e Profº Esp. Rogério Rodrigues dos Santos (Sedu). 

11/05 – Documentário: A Dimensão Social e o Lugar das Mulheres Negras no Pós-Abolição

Palestrantes: Profª.Me. Irani da Silva Neves (Seduc) e Profª Me. Maria Aparecida Oliveira (Ufal).

Por Lucas Leite / Agência Alagoas

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