Sobre Amanda Araújo

Amanda Araújo Mendes é proprietária e enfermeira do consultório de enfermagem CuraDerme situado em Santana do Ipanema (Alagoas). Formada em enfermagem pela Faculdade Cesmac do Sertão, também bacharela em administração pública pela Ufal. Possui especializações na área de gestão em saúde pública e urgência, emergência e terapia intensiva. Já atuou como enfermeira no Hospital Regional de Santana do Ipanema e atenção básica do mesmo município. Fez parte do corpo docente dos cursos da escola técnica de saúde Valeria Hora e atualmente é docente do Divino Cursos.


Em tempos de pandemia é preciso cuidar de quem cuida de nós

24 março 2020


Todos estão tão focados em si, que esquecem da necessidade de proteção e cuidados que os profissionais necessitam. (Foto: aangq26 / Pixabay)

Estamos vivendo um momento delicado frente a pandemia do covid-19. A mídia a todo momento lança um turbilhão de informações referentes ao número de casos no nosso país e no mundo, alertando-nos sobre a extrema necessidade de nos resguardarmos em casa – o conhecido “isolamento social” ou “quarentena” – com a finalidade de diminuir o número de pessoas infectadas por esse novo vírus que vem causando bastante pânico e a necessidade de mudanças radicais em nossa sociedade.

O que infelizmente não vejo sendo noticiado, e nem sendo ponto de preocupação da população é a saúde dos profissionais que estão na linha de frente de combate a essa epidemia. Todos estão tão focados em si, que esquecem da necessidade de proteção e cuidados que os profissionais necessitam.

É fato que em todo país, devido a proporção e poder de contaminação da doença, os Equipamentos de Proteção Individuais (EPI’S) começaram a faltar para a população. Mas se a comunidade está com essa dificuldade, imagine para os profissionais que estão lidando de forma direta com os milhares de casos suspeitos?

Temos que ter em mente que os profissionais são os que mais estão sendo expostos ao risco de contágio e adoecimento. A enfermagem é a categoria com o maior número de profissionais expostos e a única que está ao lado do paciente durante as 24 horas do dia, durante todos os dias dentro dos serviços de saúde, mais precisamente das unidades hospitalares.

Ao término do seu horário de trabalho, esses profissionais retornarão para suas casas e facilmente poderão tornar-se vetores do vírus. É necessário que a população tenha essa consciência, pois, já estão faltando sim, máscaras, luvas, óculos, aventais descartáveis nos serviços de saúde, o que coloca não somente o profissional em risco, mas toda a sociedade.

Já foi noticiado um caso de um enfermeiro que está internado em uma UTI em Maringá/PR, enfermeiros no Rio de Janeiro que não estão recebendo os equipamentos básicos para trabalhar e até mesmo profissionais trabalhando totalmente expostos. O que isso pode gerar? Uma paralisação nos serviços de saúde, visto que os conselhos e os exercícios profissionais resguardam e dão total direito ao profissional de negar atendimento desde que o mesmo não esteja devidamente protegido.

Precisamos que a população faça seu papel de fiscalizar e cobrar que essas normativas sejam cumpridas para resguardar a saúde dos profissionais que estão incansavelmente trabalhando, deixando suas famílias, se privando do convívio com seus familiares por reconhecerem o risco e o potencial de contaminação que eles tem ao retornarem para suas casas para permitir que a maior parte da população possa passar por essa fase em suas casas com o mínimo de risco possível.

Vamos, neste momento, não apenas compartilhar notícias a todo momento, e nem somente fazer campanhas simbólicas aos profissionais, a melhor forma de mostrar sua gratidão e preocupação com eles é exercendo seu papel de cidadão e cobrando do nosso governo que disponibilizem condições salubres de trabalho e denuncie práticas abusivas.

Vamos exercitar a empatia e solidariedade responsável.

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