Santana: casos de abuso sexual contra menores dobraram em 2017

17 jan 2018 - 22:53

Ilustração (Foto: Google Imagens)

A cidade de Santana do Ipanema, situada no Médio Sertão de Alagoas, praticamente dobrou o número de registros de abusos sexuais contra menores de idade em 2017, em comparação com o ano anterior. Os dados constam no relatório anual do Conselho Tutelar da cidade, obtido pelo site Alagoas na Net.

Segundo o balanço do CT, em 2017 foram registrados 43 casos de abusos contra crianças e adolescentes, quase duas vezes mais que os 22 descobertos oficialmente em 2016. Os números acompanham uma análise da coordenadora do CT, a conselheira Michele Rodrigues, que se mostra preocupada com o aumento.

“As situações de violência sexual demandam uma ação especial. O contexto aonde essas violações vêm ocorrendo merecem destaque, pois dos 43 casos atendidos, 26 deles o agressor era ‘namorado’ da vítima, alguém com quem ela mantinha uma relação romântica, onde houve suposto consentimento”, relatou Michele.

A conselheira, que também é psicóloga, explica que uma observação mais detalhada evidenciou-se a necessidade de diferenciar uma relação amorosa de uma relação abusiva. Ela também chama a atenção para que se responsabilizem os genitores pela devida proteção dos direitos sexuais dos filhos.

Alguns dos dados do Conselho Tutelar (Foto: Reprodução / Conselho Tutelar)

Outros direitos violados

Além do direto sexual, o relatório aponta também outros vários registros de violação de direitos de menores, que não por coincidência também tiveram aumento no ano passado. Casos de negligências somaram 196 em 2017 contra 134 em 2016. Já maus-tratos subiram de 39 em 2016, para 73 no ano seguinte.

Para a conselheira, as informações são alarmantes e mostram a necessidade de discutir e promover uma cultura da paz. Para isso o relatório também indica que o CT vai incluir em seu planejamento de atividades, a promoção de palestras e capacitações para o reconhecimento de sintomas de maus-tratos em crianças e adolescentes.

Alguns dos dados do Conselho Tutelar (Foto: Reprodução / Conselho Tutelar)

Campanha expôs casos

Em sintonia com a conselheira santanense, o delegado João Marcelo, responsável pela 2ª DRP, entende que campanhas são fundamentais para minimizar e até evitar mais violações de direitos. A autoridade ainda indica que o aumento no número de casos de abusos pode ser fruto de uma campanha feita no ano passado, expondo mais o problema.

“Acredito que a ação influenciou de maneira importante nos números, pois as pessoas acabaram entendendo as situações e denunciando os casos às autoridades, como no Conselho Tutelar e aqui mesmo na Policia Civil. Lembro que recebemos muitos casos, alguns já com as providências tomadas, outros ainda em andamento”, disse o delegado.

Trabalho da Ação Social

Secretária Vera Araujo comentou o relatório anual (Foto: Lucas Malta / Alagoas na Net / Arquivo)

Procurada para comentar o relatório, a secretária do Trabalho, Assistência e Desenvolvimento Social de Santana, Vera Araújo, disse que sua pasta vem trabalhando desde o ano passado em campanhas de combate ao abuso de crianças e adolescentes. Ela afirmou ainda não ter base sólida para justificar o aumento nos casos, mas crê que a evidência do número trata de uma exposição de algo que antes era silenciado, tanto pelas vítimas, quanto por conhecidos.

“Acredito que as crianças e adolescentes vítimas do abuso e exploração sexual e pessoas próximas se sentiram mais a vontade para denunciar, assim os casos vem à tona. Isso é um dos efeitos da campanha que a secretaria fez em conjunto com outros órgãos, como o Judiciário, Polícia Civil e organizações não governamentais. Frisamos inclusive no uso no Disk 100, onde a denuncia é anônima”, relatou a secretária.

A reportagem também indagou a titular quais ações a secretaria teria para prevenir mais casos. Vera afirmou que dois caminhos devem ser usados, um deles é a garantia de que, nos casos descobertos sejam tomadas as devidas providências e os envolvidos sejam responsabilizados. O outro trabalho passaria a ser a ampliação dos serviços ofertados na rede de proteção básica.

“Neste ano vamos reordenar todas as ações que a Ação Social dispõe e promover mais atividades socioassistenciais para crianças e jovens, além de oficinas profissionalizantes para os pais e responsáveis. Temos que ocupar o tempo de todos os envolvidos, evitando novos incidentes e acompanhando os casos de direitos violados, já registrados”, pontuou a responsável.

Por Lucas Malta / Da Redação

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