Em janeiro, Monitor de Secas registra estabilidade do fenômeno em Alagoas Alagoas teve a permanência da severidade do fenômeno com a manutenção da seca moderada em 18% do estado.

Ascom / ANA

22 fev 2022 - 09:48


Foto: Adaílson Calheiros / Agência Alagoas

Devido às chuvas acima da média nos últimos meses no Nordeste, a seca desapareceu no Maranhão e ficou mais branda em cinco estados da região em janeiro: Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco e Piauí. Por outro lado, a severidade do fenômeno se manteve estável em Alagoas, Rio Grande do Norte e Sergipe. A seguir veja a situação atualizada de cada estado nordestino segundo o Monitor de Secas.

Na comparação entre dezembro e janeiro, Alagoas teve a permanência da severidade do fenômeno com a manutenção da seca moderada em 18% do estado – quadro mais brando desde dezembro de 2020, quando 14% do território alagoano passou pelo fenômeno. Em termos de área com seca, Alagoas seguiu com 45% de seu território com a presença do fenômeno em comparação a dezembro. Essa é a menor porção com seca desde julho de 2020, quando foram registrados 29% nessa situação.

Em janeiro a severidade do fenômeno teve um abrandamento na Bahia com o recuo da área com seca moderada, que caiu de 6% para 2% do estado em comparação a dezembro. Com isso e com os 15% de seca fraca, a Bahia registrou a menor severidade do fenômeno em seu território desde o início do Monitor de Secas em julho de 2014. Em janeiro a área total com seca caiu de 27% para 17% do estado, o que representa a menor área com o fenômeno na Bahia também desde o início do Monitor de Secas, sendo que o menor percentual anterior tinha sido registrado em dezembro de 2021: 27%.

Segundo o Monitor de Secas, em janeiro o Ceará teve um leve recuo da área com seca de 90% para 89%, o que representa a menor área com o fenômeno no estado desde dezembro de 2020, quando 83% do território cearense registrou seca. Em termos de severidade, houve uma significativa redução da área com seca moderada de 32% para 3% do estado. Além disso, outros 86% do território passaram por seca fraca. Esta é a menor severidade desde dezembro de 2020, quando a seca moderada no foi registrada e houve seca fraca em 83% do Ceará.

Em janeiro a seca desapareceu no Maranhão com o recuo de 11% para 0% do território com o fenômeno em comparação a dezembro. Desde o início do Monitor de Secas em julho de 2014, essa é a primeira vez que o estado fica totalmente livre de seca. Em janeiro o Distrito Federal e o Espírito Santo foram as outras duas unidades da Federação sem o registro do fenômeno. Como o Maranhão deixou de registrar seca em janeiro, não houve variação da severidade do fenômeno.

No caso da Paraíba, a área total com seca recuou de 100% para 85% do estado em janeiro, que que representa a menor área com o fenômeno desde dezembro de 2020, quando 83% do território paraibano passou por seca. Desde maio de 2021, esta é a primeira vez que o estado registra áreas livres do fenômeno. Além disso, houve o abrandamento da seca na Paraíba, já que a seca fraca desapareceu em 15% do estado. Com seca grave em 33% da Paraíba, o estado registrou a situação mais branda do fenômeno desde novembro de 2021, quando 40% do território passou por seca grave.

Pernambuco, entre dezembro e janeiro, teve o abrandamento da seca em relação a dezembro com o forte recuo da seca moderada de 62% para 42% do estado. Esta é a condição mais branda no território pernambucano desde janeiro de 2021, quando 37% de Pernambuco passou por seca moderada. Em termos de área total com a presença do fenômeno, houve uma redução de 94% para 89% entre dezembro e janeiro – menor área com seca no estado desde agosto de 2021: 88%.

No Piauí a área com seca recuou de 44% para 32% de seu território entre dezembro e janeiro, o que representa a menor área com o fenômeno no estado desde o início do Monitor de Secas em julho de 2014. Quanto à severidade da seca no Piauí, houve o desaparecimento da área com seca moderada em janeiro. Sendo assim, o estado registrou somente seca fraca e a condição mais branda do fenômeno também desde julho de 2014.

Entre dezembro e janeiro, o Rio Grande do Norte manteve a severidade da seca, que seguiu no patamar de 62% de seca grave no estado, que é a condição mais severa do Nordeste. Ainda assim, a situação desse período é a menos severa desde outubro de 2021, quando 75% do RN passou por seca grave. A área total com o fenômeno também segue estável, já que a seca é registrada em 100% do Rio Grande do Norte consecutivamente há 1 ano e 2 meses.

Em janeiro foi observada a estabilidade da seca em Sergipe em comparação a dezembro. Nesse período as áreas com seca moderada seguiram no patamar de 54% do estado, o que representa a menor severidade do fenômeno desde setembro de 2020: 19% de seca moderada. Da mesma forma, a área total com o fenômeno abrange 100% do território sergipano consecutivamente há 1 ano e 4 meses, desde outubro de 2020, maior sequência entre os estados nordestinos.

Considerando o recorte por região, o Sul registrou o maior percentual de área com seca: 98%. No Centro-Oeste, Nordeste e Sudeste houve um recuo do fenômeno respectivamente de 68% para 60%, de 43% para 34% e de 64% para 54%. Com isso, o Nordeste foi a região com menor percentual de território com seca em janeiro.

Entre dezembro e janeiro, em termos de severidade da seca, dez estados tiveram um abrandamento do fenômeno no último mês segundo o Monitor de Secas: Bahia, Ceará, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, São Paulo e Tocantins. Tanto no Espírito Santo quanto no Maranhão o fenômeno deixou de ser registrado, situação do Distrito Federal desde dezembro. No sentido oposto, os três estados da região Sul – Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina – tiveram uma intensificação da seca juntamente com Mato Grosso do Sul. Em outros quatro estados, a severidade do fenômeno se manteve estável: Alagoas, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Sergipe.

Considerando as quatro regiões integralmente acompanhadas pelo Monitor de Secas, a maior severidade observada em janeiro aconteceu no Sudeste, que registrou 6% de seca excepcional, a mais severa da escala do Monitor, apesar da melhora das condições em comparação a dezembro. O Centro-Oeste teve a segunda maior severidade de janeiro com 1% de seca excepcional e 10% de seca extrema. No Sul houve um agravamento do quadro, mas ainda registra uma severidade menor que o Sudeste e o Centro-Oeste com 7% de seca extrema. Já o Nordeste teve a menor severidade do último mês e foi a única região a não ter registro de seca extrema ou excepcional no período.

Entre dezembro e janeiro, o único estado que registrou aumento da área com seca foi Santa Catarina. Por outro lado, a área com o fenômeno diminuiu em 12 estados: Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e Tocantins. Nos casos do Espírito Santo e Maranhão o fenômeno desapareceu. Nas outras oito unidades da Federação acompanhadas pelo Monitor, não houve variação do território com seca: Alagoas, Distrito Federal (que permaneceu livre do fenômeno), Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, São Paulo e Sergipe.

Cinco estados registraram seca em 100% do território no último mês: Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, São Paulo e Sergipe. Três unidades da Federação ficaram livres do fenômeno em janeiro: Distrito Federal, Espírito Santo e Maranhão. Os demais 13 estados acompanhados pelo Monitor apresentam entre 17,3% e 97,9% de suas áreas com o fenômeno, sendo que para percentuais acima de 99% considera-se a totalidade dos territórios com seca.

As cores do gráfico indicam as regiões CENTRO-OESTESUDESTENORDESTESUL NORTE.

Com base no território de cada unidade da Federação acompanhada, Mato Grosso lidera a área total com seca, seguida por Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul, São Paulo e Goiás. No total a área com o fenômeno foi de 2,6 milhões de quilômetros quadrados e se fosse um país seria o 10º maior do mundo, superando os 2,3 milhões de km² da Argélia.

As cores do gráfico indicam as regiões CENTRO-OESTE, SUDESTE, NORDESTE, SUL e NORTE.

O Monitor realiza o acompanhamento contínuo do grau de severidade das secas no Brasil com base em indicadores do fenômeno e nos impactos causados em curto e/ou longo prazo. Os impactos de curto prazo são para déficits de precipitações recentes até seis meses. Acima desse período, os impactos são de longo prazo. Essa ferramenta vem sendo utilizada para auxiliar a execução de políticas públicas de combate à seca e pode ser acessada tanto pelo site monitordesecas.ana.gov.br quanto pelo aplicativo Monitor de Secas, disponível gratuitamente para dispositivos móveis com os sistemas Android e iOS.

Com uma presença cada vez mais nacional, o Monitor abrange as cinco regiões do Brasil, o que inclui os nove estados do Nordeste, os três do Sul, os quatro do Sudeste, os três do Centro-Oeste mais o Distrito Federal, além de Tocantins. O processo de expansão continuará até alcançar todas as 27 unidades da Federação.

O Monitor de Secas é coordenado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), com o apoio da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (FUNCEME), e desenvolvido conjuntamente com diversas instituições estaduais e federais ligadas às áreas de clima e recursos hídricos, que atuam na autoria e validação dos mapas. As instituições que atuam no Monitor de Secas em seus respectivos estados são as seguintes:

ALAGOAS: Secretaria de Estado de Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (SEMARH)
BAHIA: Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (INEMA)
CEARÁ: FUNCEME, Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (COGERH) e Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (EMATERCE)
MARANHÃO: Laboratório de Meteorologia do Núcleo Geoambiental da Universidade Estadual do Maranhão (LABMET-UEMA)
PARAÍBA: Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba (AESA)
PERNAMBUCO: Agência Pernambucana de Águas e Clima (APAC), Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA) e Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA)
PIAUÍ: Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEMAR)
RIO GRANDE DO NORTE: Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (EMPARN) e Secretaria do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (SEMARH)
SERGIPE: Secretaria de Estado do Desenvolvimento Urbano e Sustentabilidade (SEDURBS)

A metodologia do Monitor de Secas, em operação desde 2014, foi baseada no modelo de acompanhamento de secas dos Estados Unidos e do México. O cronograma de atividades inclui as fases de coleta de dados, cálculo dos indicadores de seca, traçado dos rascunhos do Mapa pela equipe de autoria, validação dos estados envolvidos e divulgação da versão final do Mapa do Monitor, que indica a ausência do fenômeno  ou uma seca relativa, significando que as categorias de seca em uma determinada área são estabelecidas em relação ao próprio histórico da região. 

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