É falso que pessoa com Covid tenha sido sepultada viva em SP, como diz vídeo Familiares não aceitaram novas normas para sepultamento e abriram caixão de vítima; caso aconteceu em São Paulo

06 abr 2021 - 19:30

Familiares não aceitaram novas normas para sepultamento e abriram caixão de vítima; caso aconteceu em São Paulo (Foto: Agência Alagoas)

Circula no WhatsApp um vídeo gravado no Cemitério Dom Bosco, na zona norte de São Paulo, onde um caixão com o corpo de uma vítima da Covid-19 foi retirado do carro do serviço funerário e aberto por familiares com a justificativa de que a pessoa estaria viva.

A Prefeitura de São Paulo esclareceu que a vítima não estava com vida e que a família não aceitou as novas normas para sepultamento, que foi realizado após a Guarda Civil Municipal (GCM) controlar a situação. 

No vídeo é possível ver que familiares se aglomeraram ao redor do carro funerário com questionamentos, colocando em dúvida a causa da morte. “Ela não está com Covid não, tudo agora é Covid”, expressa uma mulher. Também relatam que a vítima estaria se mexendo, quando decidem retirar o caixão do veículo e o abrem na capela de velório. Algumas pessoas ainda pedem que a vítima seja levada até o hospital, porque “estava respirando”. 

Além do vídeo, um texto também é compartilhado: “Vale 19 mil ela morta, viva só vale pra família. Está achando que é tudo mentira? que os governos de estados não podem ser tão sacanas assim? Aí está mais uma prova do verdadeiro genocídio e quem são os verdadeiros genocidas. Isso é em SP, cidade da grande SP, Perus, um dos cemitérios do estado”.

O vídeo, de fato, foi gravado no Cemitério Dom Bosco, popularmente conhecido como Cemitério de Perus, na zona norte do município de São Paulo, e a situação ocorreu no dia 26 de março, porém a Prefeitura de São Paulo contesta a acusação e afirma que a vítima não estava com vida. “O sepultamento em questão não permitia velório por conta da causa da morte por Covid e a família não aceitou o fato de realizar o sepultamento direto”, disse em nota. 

Após acompanhamento da Guarda Civil Municipal, o sepultamento foi realizado. “Enquanto a família violava o caixão, a administração da unidade acionou a Guarda Civil Municipal Ambiental que controlou a situação após conversa com a família. O sepultamento foi realizado com acompanhamento da GCM e a família se retirou da unidade sem mais questionamentos”, informou a Prefeitura.

A vítima citada no vídeo morreu três dias antes do sepultamento, como esclareceu a Prefeitura. “Conforme consta na nota de contratação do funeral, o falecimento foi atestado pelo médico no dia 23 de março. A contratação funerária foi efetuada no dia 25, com sepultamento agendado para o dia 26, por escolha da família”, disse o órgão em nota.

A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal das Subprefeituras, informou ainda que os velórios para casos suspeitos ou confirmados de Covi-19 estão suspensos, tendo a família um breve momento de despedida no ato do sepultamento, e que o serviço funerário segue as normas estabelecidas no Decreto 59.283/2020 que restringe o acesso às salas de velório. 

Recursos por mortes

Diversos conteúdos falsos já circularam nas redes sociais sobre um suposto recurso que é enviado pelo governo federal aos estados por mortes de Covid-19. A mensagem que circula com o vídeo gravado no Cemitério Dom Bosco afirma que cada morte custaria R$ 19 mil reais. O próprio Ministério da Saúde já desmentiu várias vezes o boato. 

“O Ministério da Saúde informa que não repassa verba para registro de morte. A pasta realiza o repasse de recursos para ações e serviços públicos de saúde. Esta verba é usada por secretarias estaduais e municipais de saúde para custeio dos serviços, aquisição de insumos básicos para o funcionamento dos postos de saúde e de hospitais, por exemplo, além de proporcionar equipamentos e recursos humanos a estados e municípios”, explicou o órgão.

Alagoas Sem Fake

A editoria Alagoas Sem Fake verifica, todos os dias, mensagens e conteúdos compartilhados, principalmente em redes sociais, sobre assuntos relacionados ao novo coronavírus em Alagoas. A iniciativa tem o objetivo de combater a desinformação. O cidadão poderá enviar mensagens, vídeos ou áudios a serem checados por meio do WhatsApp, no número: (82) 98161-5890. 

Da Agência Alagoas

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