Sobre Clerisvaldo Chagas

Romancista, historiador, poeta, cronista. Escritor Símbolo do Sertão Alagoano.


REPENTISTAS

24 agosto 2018


Repentistas Clerisvaldo Braga e Zé Almeida, na Matriz. (Foto: Arquivo do autor)

Repentista filosofando sobre seca no Piauí:

“Eu tava me sustentando

De fruta de macaúba

Mas o galho ficou alto

Eu não conheço quem suba

De vara ninguém alcança

De pedra ninguém derruba”.

 

Repentista, após receber bom dinheiro de prostituta, na feira:

 

“Muito obrigado dona

Pela paga verdadeira

Mal empregado esse nome

Que lhe dão, mulher solteira

Rapariga é essas pestes

Que andam lisas na feira”.

 

Repentista recebendo no prato dinheiro mínimo de um pobre:

 

“Parece que seu Joaquim

Passou a noite no mato

Com uma faca amolada

Tirando couro do rato

Deixou o rato sem couro

Botou o couro no prato”

 

Repentista Zé de Almeida em Paulo Afonso:

 

“Já cantei com Manoel

Agora canto com Jó

Um é cobra caninana

Outro é cobra de cipó

Eu no mei me defendendo

C’um taco de mororó”.

 

Repentista de ganzá, cego Zequinha Quelé, do sítio Travessão, pedindo dinheiro na feira: “Perdoe, ceguinho”.

 

A bacia do perdoe

Deixei lá no Travessão

Sou homem não sou menino

Todo ser é assassino

Só meu padre Ciço, não.

 

Clerisvaldo B. Chagas, 24 de agosto de 2018

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 1.971

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