Conversa fiada, afiada (ou jogando conversa fora)

3 junho 2013


As vezes a gente só quer mesmo é jogar conversa fora (conversa pra boi dormir, o famigerado miolo de pote). Amanheci com a palavra “Parte” embolada dentro da boca. Em vão tentei mastigá-la, degluti-la, digeri-la. Mas, às vezes, palavras não são comestíveis. Algumas intragáveis, indigestas, insolúveis. E delas que são insalubres, inodoras, insípidas Outras tantas causam dissabores. Filosoficamente falando, às vezes é melhor calar do que falar!

Existem palavras camaleônicas. Delas que perfeitamente se camuflam! Travestem-se, de modo a nos confundir. Por exemplo, a palavra “desnudo” em qualquer dicionário significa “indivíduo sem roupa, nu, despido”. Neste caso o sufixo “des” não teria sentido lógico! Uma vez que estamos acostumados a encontrar o sufixo “des” no sentido de negação: “desprezado” aquilo ou aquele que não se preza; “desligado” aquilo ou aquele que não está ligado. “Desnudo” a priori deveria significar vestido! Aquele que não está nu!

Não sei se já um dia aconteceu com você aí, que ora lê-nos. Ouvimos determinada música toda vida, na voz de determinado intérprete. De repente na voz dum outro cantor, aquela mesma canção, determinadas palavras, pronunciadas com mais ênfase faz-nos “despertar” pra uma outra realidade.

A palavra “parte” no pai dos sábios (dicionário) tem vários significados: “(s.f.) Parte, porção de um todo; lote; fração; banda; lado; lugar; litigante; comunicação verbal ou escrita que numa peça de música ou teatro compete a cada voz, instrumento ou ator; pl. qualidades; prendas; insinuações, manhas; astúcias; melindres.”

“O carro parte em alta velocidade.” no sentido de sair (verbo partir); “O aniversariante parte o bolo.” no sentido de fender (idem); “O todo às vezes é parte, bem como a parte pode ser o todo” (substantivo). “É da parte de quem?” no sentido de origem, procedência.

Já ouviu falar na colocação “católico praticante”? Muitos padres são contra tal expressão, alegando que é imprópria, redundante, ambígua. Além de traduzir-se numa “falsidade ideológica”. A palavra católico, já possui o caráter universal, de sua abrangência.

Encontramos nosso amigo José Malta Neto, esta semana que confidenciava-nos entre um misto de surpreso e atônito, que ao ministrar uma palestra para estudantes, no momento de uma oração, surpreendeu-se com um jovem que pediu para se ausentar, pois declarava ser ateu. No dicionário “Ateu: (s.m.) Diz-se de, ou aquele que declara que não crer em Deus.”

O pragmático padre Timóteo, que esteve na paróquia de Senhora Santana, trazido pelas irmãs holandesas, lá pelos idos dos anos setenta, era também professor. Um estudante curioso quis saber:

– Padre, qual é o feminino de ateu?

Em cima da bucha:

-À toa!

Fabio Campos 01 de junho de 2013

No blog: fabiosoarescampos.blogspot.com Conto inédito Breve: “O Gato no Espelho”

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